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Volkswagen Gol GL 1.8, o modelo que trazia o luxo para o compacto com uma pitada de esportividade

Equipado com o motor AP 1800, a versão mais luxuosa do Gol oferecia um acabamento mais elaborado com a agilidade do motor mais potente

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Por Anderson Nunes


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Lançado em junho de 1980 com a clara intenção de substituir o Fusca, o Gol teve uma vida inicial bem atribulada, devido principalmente a decisão de equipá-lo com motor de 1300 cm³ arrefecido a ar de 42 cv. Com a adoção do trem de força refrigerado a água empregado no Passat em 1985 (MD-270, 76 cv), passando antes (1981) pelo 1600 “a ar” com dois carburadores e 56 cv, o Gol iniciou uma trajetória de sucesso comercial, tornando-se o carro mais vendido do país. 

Com o “casamento” Volkswagen-Ford, ocorrido em 1987, que deu origem à Autolatina, as  versões CL e GL passaram a ser equipadas com o motor Ford 1,6 litro CHT, agora rebatizado de AE-1600, para o ano-modelo 1990. O motor AP 600, que tinha ganho a denominação AP 1600 meses antes, deixava de ser ofertado à família de veículos BX. Para alguns fãs da marca VW a adoção do motor de origem Ford foi um retrocesso, pois o AP 1,6 litro era mais potente (90 cv) e tinha uma tocada mais “nervosa” quando comparado ao AE 1,6 litro (73 cv). 

COLHER-DE-CHÁ

Em fevereiro de 1990 a Volkswagen decidiu dar uma colher-de-chá aos saudosos clientes que apreciavam o motor AP 1,6 e passou a ofertar o motor AP 1,8 litro, como opcional para o Gol GL, dessa maneira os compradores podiam recuperar o prestígio do AP 1,6 litro, perdido com a adoção da versão AE 1,6 (antigo Ford CHT). Porém, para reconquistar a agilidade e o brilho dos antigos Gol, o consumidor teria que desembolsar 11% a mais do valor do carro para ter sob o capô o motor mais potente.

Com a adoção do motor AP 1,8 o Gol GL ganhava em vivacidade de condução, resultado este da boa elasticidade promovida pelo grande torque – 16,5 m.kgf a 3.200 rpm. Tais números davam ao pequeno Gol respostas sempre imediatas ao comando do pedal do acelerador, exigindo menos trocas de marchas e permitindo manter mais facilmente uma velocidade cruzeiro em longas viagens. 

O responsável por toda essa dinâmica de condução era o câmbio, de conceito “ 4+E” (quatro marchas de velocidade e uma de economia), com a quinta marcha bem longa (0,684:1, que produzia 37,4 km/h a cada 1.000 rpm), que aproveita assim, de maneira eficiente, as boas características do motor, com o alcance real das marchas (5.500 rpm) de 1ª) 40 km/h; 2ª) 79 km/h; 3ª) 124 km/h; 4ª) 170 km/h (velocidade máxima).

 

Junto com o motor de 1,8 litro, os freios foram repotenciados para o mesmo padrão dos demais modelos da VW equipados com o AP 1,8, com pinças maiores na frente (pistões de 48 mm em lugar de 44 mm do 1,6 litro), permanecendo os tambores de 200 mm de diâmetro comuns a todos os modelos, 1,6 e 1,8 litro. O servofreio também foi redimensionado, sendo agora de oito polegadas de diâmetro ao invés de sete. Os freios dianteiros permaneceram a disco sólido. 

EM TIME QUE ESTÁ GANHANDO SE MEXE

Em 1991 o Gol completava quatro anos consecutivos na liderança de mercado. Para deixar o hatchback com uma aparência mais atual, a Volkswagen introduziu naquele ano algumas modificações estéticas que, apesar não serem profundas, acabaram por diferenciar bem o novo modelo.

O capô do motor foi aumentado em três centímetros dando um aspecto mais aerodinâmico à dianteira. Foi adicionado também um novo conjunto ótico, com faróis de menor altura e mais largos. Para acompanhar os novos faróis, as luzes de setas ficaram maiores e na cor âmbar, com detalhes em amarelo. A grade do radiador ficou mais estreita e composta de sete frisos horizontais. Na traseira foi eliminado o rebaixo que existia na tampa do porta-malas e mantido apenas um leve vinco, que servia como reforço do conjunto. O resultado foi uma aparência mais “limpa” na traseira. Os logotipos seguiam o padrão adotados pela matriz na Europa. 

Na suspensão, as molas dianteiras passaram a serem mais rígidas, o que contribuiu para um melhor desempenho em curvas, deixando mais rápido e ao mesmo tempo com o comportamento mais previsível. Já no motor os mancais do comando de válvulas diminuíram de cinco para três, por razões de economia de produção – o que aparentemente não causou danos à suavidade de funcionamento. 

Externamente, a versão GL trazia borrachões laterais mais largos e calotas com novo desenho. Já o interior tinha como novidade o painel com teclas do tipo “satélite” e o volante espumado de dois raios largos. Os vidros laterais traseiros, que antes eram fixos, passaram a ser basculantes,  aumento o conforto dos passageiros. Por fim, os bancos ganharam revestimento em tecido tear quadriculado. Entre os opcionais estavam as rodas de liga-leve e o rádio toca-fitas com segredo antifurto. 

Para a linha 1992 o Gol GL manteve o painel com teclas do tipo “satélite”, entretanto agora o quadro de instrumentos contava com velocímetro graduado até 220 km/h, relógio digital e conta-giros. Os bancos receberam novos tecidos do tipo tear navalhado com listras diagonais. Entre os opcionais agora havia a opção vidros, travas e retrovisores elétricos. 

Pequenas mudanças de ordem estética e mecânica foram as novidades para a linha 1993. Os para-choques passaram a ser na tonalidade cinza. As calotas ganharam um novo desenho, já as rodas de liga-leve, além de receberem um novo visual, passaram a ter acabamento polido. Na parte mecânica a novidade ficou por conta da adoção do carburador eletrônico.

Fabricados pela Brosol, os carburadores eram uma versão dos alemães Pierburg, modelos 2ECE e 3ECE, a sigla “CE” significava Comando Eletrônico.

O modelo Gol GL para a linha 1994 tinha como novidades as opções da direção com assistência hidráulica, ar-condicionado e faróis de milha. Externamente a única novidade era o borrachão lateral mais estreito. A primeira geração do Gol, popularmente conhecida como “quadrado”, nas versões CL, GL e GTI chegaria ao fim em setembro de 1994, quando a segunda geração, batizada de “Gol bolinha”, foi apresentada ao mercado. A carroceria “quadrada” sobreviveria na versão Gol 1000 até o ano de 1996. 

GOL QUASE PERDIDO

A primeira geração do Volkswagen Gol passou rapidamente a objeto de coleção e hoje o modelo está no radar dos colecionadores do país. A primeira versão do Gol GTI, por exemplo, já superou recentemente a barreira dos R$ 100 mil em alguns leilões de veículos. Carisma o modelo tem de sobra, produzido aos milhões, um interessado em ter um Gol “quadrado” para iniciar no mundo do antigomobilismo não terá dificuldade de encontrar um bom exemplar, embora os valores das versões mais tradicionais também estejam subindo.    O Gol GL 1.8 azul Celeste que ilustra a reportagem é um caso que mostra como o compacto da Volkswagen está em alta. O modelo, que pertence ao publicitário e antigomobilista Glauco Vasconcellos, 42 anos, morador da cidade de São José dos Campos, é da última linhagem dos modelos 1.8 da primeira geração. 

O Gol GL não precisou passar uma restauração, pois foi bem guardado ao longo dos últimos 27 anos. Outra característica que comprova o cuidado nesses anos é que o antigo dono manteve todos os manuais e nota-fiscal de compra. O modelo passou por uma revisão mecânica e estética recentemente para agregar mais valor. “Fiz uma revisão completa de suspensão e mecânica, trocamos os amortecedores e as bandejas que eram originais ainda, além disso adicionamos novas pastilhas de freio e colocamos 4 pneus novos”, salienta o publicitário.O veículo foi adquirido através de uma indicação de um parceiro do publicitário que sabe da sua paixão pelos carros antigos e colecionáveis. “Escolhi este veículo, primeiro porque eu gosto muito da linha quadrada da VW e este exemplar, em especial, é um Gol raro de achar nas condições que ele está além de ter uma vasta documentação e histórico”, disse Vasconcellos. 

Uma história curiosa que Glauco Vasconcellos conta foi quando marcou de ir ver o Gol na casa do antigo proprietário. Foi à residência do senhor na quarta-feira para ver o modelo de perto e atestar a qualidade do veículo. “Ao chegar no local, eu vi logo de cara o potencial que o Gol tinha, fechamos o negócio na palavra e marcamos para dois dias depois fechar a comprar”, relata Vasconcelos. 

Marcado o dia e o horário, o publicitário acabou por se atrasar em 25 minutos e o senhor, ex-proprietário, muito criterioso, disse categoricamente que aquele dia não daria mais para finalizar a compra, pois havia se atrasado. Todo esse contratempo ocorreu em uma sexta-feira e o senhor muito responsável com o compromisso, ressaltou que só fecharia o negócio na segunda-feira. A preocupação veio à tona, já que o publicitário ficou preocupado de que nesse meio tempo outro interessado aparecesse e fechasse a compra a compra do Gol. 

Na segunda-feira, no dia e horário marcado, Glauco chegou ao local combinado com 20 minutos de antecedência. “Na segunda-feira, eu cheguei 20 minutos antes do combinado, porém não cheguei na porta dele, pois imaginei que o senhor poderia achar ruim de ter chegado antes e também não querer fechar aquele dia, fiquei de olho no relógio e quando deu a hora toquei a campainha da casa dele. Neste dia consegui finalizar o processo, mas essa foi a história mais legal deste carro comigo até o momento”, diz sorridente Vasconcellos. 

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