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Diagnóstico com Scanner vai além do uso do equipamento, é preciso saber interpretar (continuação)

Continuaremos neste mês dando prosseguimento à série de matérias que abordam o uso do Scanner automotivo como uma ferramenta necessária para auxiliar nos reparos dos veículos que possuem eletrônica embarcada.

Por Diogo Vieira

Certamente não seria novidade para os leitores se disséssemos que os carros estão cada vez mais complexos.  Exige-se mais segurança, mais conforto, mais economia e menos emissão de poluentes.  Tudo isso é possível com a enorme gama de eletrônica embarcada.   

Os muitos cérebros eletrônicos dos veículos estão monitorando constantemente muitas grandezas físicas no veículo como: 

• Velocidades:  do motor, das rodas, de partes da transmissão, etc. 

• Pressões:  de combustível, do coletor de admissão, dos pneus, de circuitos hidráulicos do câmbio, etc. 

• Temperaturas:  do ar aspirado pelo motor, do ar externo, do óleo do motor, do fluido de transmissão, dos gases de escape, do motor, etc. 

Nosso foco será no monitoramento da temperatura, mais especificamente a temperatura do motor.  Entenderemos a importância deste parâmetro no scanner, os conceitos teóricos da construção e funcionamento do sensor.

A temperatura do motor é um dos parâmetros mais importantes no que se refere ao bom funcionamento do sistema de injeção. Os valores de temperatura são usados para cálculos internos da UCE (unidade de controle eletrônico) para determinar: 

• Rotação ideal do motor; 

• Tempo de injeção;  

• Avanço de ignição; 

• Funcionamento da EGR; 

• Funcionamento do sistema de partida a frio; 

• E muitas outras estratégias. 

Nosso sensor de temperatura, ou plug eletrônico ou ainda ECT (do inglês Engine Coolant Temperature), faz a função de um termômetro eletrônico e tem alojado em seu interior um resistor que sofre variação de acordo com a temperatura.

Sendo mais técnico, temos um sensor com tecnologia NTC (do inglês Negative Temperature Coefficient).  Quando subimos a temperatura a resistência do sensor diminui e quando baixamos a temperatura a resistência do sensor aumenta. 

O plug eletrônico possui dois conectores, recebe em seus terminais uma tensão de 5 Volts enviados pela UCE (Unidade de Controle Eletrônico).  Sofrendo mudanças de temperatura, o plug varia sua resistência e consequentemente temos uma variação de tensão nos terminais. 

Quando temos uma pane no sensor ou sua fiação, podemos ter estes problemas: 

• Partida difícil: em posse da temperatura errada, a UCE não conseguirá o correto ajuste de tempo de injeção e avanço para aquela condição de partida do motor. 

• Mistura lambda errada: Misturas muito ricas ou muito pobres poderão ter sua origem no circuito de medição de temperatura. 

• Alto consumo de combustível:  uma reclamação típica em oficinas que pode ter sua origem no plug eletrônico. 

• Falta de potência ao acelerar:  como já dito, esta informação é essencial para os mapas internos da UCE. 

• Paradas repentinas no motor, oscilações na marcha lenta e troca de marchas erráticas em veículos automáticos: estas e tantas falhas merecem uma atenção especial do valor de temperatura. 

Percebeu a importância deste sensor? Concorda que este parâmetro na tela do seu scanner merece uma atenção especial?  No próximo mês veremos casos práticos feitos aqui em nossa oficina, nos quais panes complexas foram sanadas analisando graficamente a temperatura do motor.  Não perca! 

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