Oficina Brasil


Atenção na gestão de resíduos gerados nas oficinas

Pensar em uma correta gestão dos resíduos gerados nas oficinas é, além de tudo, pensar no mundo em que vivemos. O que pretendemos deixar para os nossos filhos?

Por Fábio Moraes

A resposta está diretamente ligada à mudança de comportamento que nós, proprietários de oficinas, temos que ter nos dias de hoje. Queremos, através de nossos exemplos, mostrar aos nossos filhos e funcionários que preocupamos com o meio ambiente e por isso vamos mudar nossos hábitos dentro da oficina? Ou vamos “chutar o balde” e deixar que nossos filhos pensem nisso quando eles forem mais velhos? Será que o mundo em que vivemos vai dar alguma oportunidade para as próximas gerações em relação ao meio ambiente?

Para responder estas perguntas vamos precisar responder outras que estão diretamente ligadas ao real interesse em querer mudar nosso comportamento em relação ao meio ambiente.

Como sua oficina faz o descarte dos resíduos?

Existe um controle efetivo e regular (manutenção documentada), realizado por empresas especializadas, da rede de ar comprido e do compressor? O descarte de vidros é realizado por uma empresa especializada? Os panos de limpeza são laváveis (reutilizáveis)?

O descarte dos pneus é realizado por empresas autorizadas? Existe uma armazenagem de chumbos (balanceamento de rodas) e o descarte é realizado por empresas especializadas? Sua oficina faz o descarte adequado do líquido de arrefecimento e a reposição é feita com produto biodegradável?

Como sua oficina faz a armazenagem de filtros de ar, de óleo e combustível? O recolhimento é feito por empresas especializadas? O descarte de pastilhas, lonas de freio é realizado por empresas autorizadas? Existe descarte correto das lâmpadas, conforme a legislação vigente?

E os requisitos legais?

Além destas questões ainda precisamos verificar se as oficinas possuem os requisitos legais de:

  • Alvará de funcionamento
  • Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB)
  • Licença de Operação Ambiental
  • Certificado de Dispensa Ambiental
  • Coleta seletiva de resíduos (papel, plástico, metal, vidros, materiais orgânicos)
  • Descarte de produtos contaminantes (óleos, fluídos, bateria, chumbo, lâmpadas) estão destinados a empresas especializadas e certificadas

Para fazer a gestão de resíduos

É importante lembrar que cada estado tem uma legislação própria, por isso é necessário dedicarmos parte do nosso tempo para ler e entender como a legislação ambiental afeta a oficina. Se pensarmos em, Pernambuco, por exemplo, o Plano Estadual de Resíduos Sólidos foi desenvolvido de acordo com as diretrizes estabelecidas na Lei N° 12.305/2010 (Política Nacional de Resíduos Sólidos) e na Lei N° 14.236/2010 (Política Estadual de Resíduos Sólidos), com o objetivo de relacionar a situação atual dos resíduos sólidos no estado de Pernambuco e desenvolver diretrizes, estratégias, metas, programas e projetos, capazes de subsidiar a gestão dos resíduos sólidos no estado, contando com a validação do documento a partir da participação popular.

Cada estado tem seu plano de resíduos sólidos e esta é uma das razões que reforço a necessidade de cada proprietário de oficina buscar algum material para leitura na internet, necessário para entender um pouco mais deste assunto e preparar a oficina para não ser autuada.

Uma alternativa viável para as oficinas ficarem preparadas com um investimento baixo é a Certificação do Selo Verde do IQA (Instituto da Qualidade Automotiva). Como auditor do IQA indico esta certificação como um processo inicial para a oficina passar por esta fase que tem tirado o sono de muitos proprietários em decorrência das visitas que fiscais dos estados e prefeituras estão fazendo nas empresas do setor automotivo.

Felizmente ou infelizmente este é um processo que não tem mais volta e só resta a nós, donos de oficinas, buscarmos ajuda e apoio de entidades, como o IQA, para que a oficina atenda a legislação e não seja interditada.

Leis ambientais ainda são novidades para todos nós, mas como empresários temos que entender que o caminho é um só: buscar apoio nos sindicatos da categoria, no IQA e em empresas ou pessoas que entendam desta nova legislação e que estejam dispostas a ajudar o caminho de mudança que as oficinas estão sendo obrigadas a seguir.

Fonte: Instituto de Qualidade Automotiva (http://www.iqa.org.br/publico/)

Fábio Moraes

CEO da empresa Ultracar, com 25 anos de experiência em gestão e administração de oficinas. Matemático, Analista de sistema e Administrador de empresas. Auditor do IQA, (Instituto de Qualidade Automotiva), consultor do IAA e consultor de várias oficinas do Brasil. Está viajando o Brasil inteiro neste ano de 2017 ministrando palestra com o tema “Oficina de sucesso é oficina rentável: transformando reparadores em empresários”.

 

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