Oficina Brasil
Início
Notícias
Fórum
Vídeos
Treinamentos
Jornal
Para indústrias
Quem Somos
EntrarEntrarCadastre-se
Oficina Brasil
EntrarEntrarCadastre-se

Notícias

Página Inicial
Categorias

Vídeos

Página Inicial
Categorias
Fórum

Assine

Assine nosso jornalParticipe do fórum
Banner WhatsApp
Comunidades Oficiais
WhatsApp

Oficina Brasil

NotíciasComunidadeFórum

Oficina Brasil Educa

Treinamentos

Jornal Oficina Brasil

Conheça o JornalReceba o Jornal na sua Oficina
Oficina Brasil

A plataforma indispensável para uma comunidade forte de reparadores.

Oficina Brasil 2025. Todos Direitos ReservadosPolítica de Privacidade
  1. Home
  2. /
  3. Do Fundo do Baú
  4. /
  5. Chevrolet Astra GLS, um belga naturalizado brasileiro que chegou disposto a enfrentar os alemães e italianos

Chevrolet Astra GLS, um belga naturalizado brasileiro que chegou disposto a enfrentar os alemães e italianos

Sucesso na Europa, a Chevrolet do Brasil trouxe um dos seus maiores trunfos no segmento de médios, mas foi pega de surpresa com a elevação do IPI

Anderson Nunes
10 de agosto de 2015

Importado da Bélgica, o Astra GLS foi o primeiro modelo hatchda General Motors a oferecer a carroceria de quatro portas

Em abril de 1976, um duro golpe era dado ao consumidor brasileiro. O então governo militar decide em uma canetada proibir a importações sob o decreto-lei 1.455/1976, publicado no chamado Anexo C do Comunicado do Cacex. Entre os bens de consumo a lista incluía os automóveis. 

Maçanetas embutidas foram uma marca registrada dos Chevrolet dos anos 90 / No mercado brasileiro o Astra foi oferecido somente na versão GLS

Com a chegada de Fernando Collor de Mello à presidência da República e seu plano de modernizar a indústria nacional, ele eterniza a sua famosa declaração de que os carros brasileiros eram carroças. Em 9 de maio de 1990, por meio de uma medida provisória Collor elimina o Anexo C, permitindo a importação de automóveis, acirrando um mercado importante que dormia em berço esplêndido. Só para termos ideia da dimensão o Brasil havia vendido em 1989, “apenas” 760 mil veículos e contava apenas com quatro grandes fabricantes. A Autolatina (desastrada união de Volkswagen e Ford) detinha 55% do mercado, seguida por GM (28%) e Fiat (10%).

A mudança repentina pegou a indústria nacional de surpresa e elas chiaram com a chegada de novos concorrentes. O governo decide então colocar cotas de alíquotas decrescentes conforme os fabricantes nacionais fossem se modernizando. A princípio o valor que era de 130%, cai para 85% favorecendo os carros mais luxuosos que vieram primeiro, pois a alíquota alta era desfavorável para modelos mais baratos, que não teriam como competir com os nacionais.

O cuidado estético e aerodinâmico era estendido aos retrovisores / Faróis afilados formam um conjunto harmonioso na dianteira

Em junho de 1993, a alíquota caiu de 85% para 35%. Foi o que permitiu a chegada de modelos compactos, como o Citroën AX e o Peugeot 205. Também desembarcaram dois carros que pediriam residência permanente por aqui, o Honda Civic e o Toyota Corolla, futuros campeões de vendas entre os sedãs médios.

Quem soube aproveitar muito bem a alíquota menor foi a Fiat. Em agosto de 1993, o Fiat Tipo, produzido na Itália e com preço de 17 mil dólares aporta com tudo para brigar com os nacionais, chegando a vender inclusive mais que o Volkswagen Gol durante alguns meses. Com a queda abrupta da alíquota para 20% no fim de 1994, as montadoras instaladas no Brasil são as mais beneficiadas. Com o Real em paridade com Dólar, era mais fácil importar do que produzir no país. Diante disso a Volkswagen decide trazer do México o Golf em sua versão GTI para disputar o filão dos modelos médios, já que a Fiat estava nadando de braçada nesse segmento.  

CHEVROLET TRAZ O ASTRA

A Chevrolet, que no início da abertura das importações trouxe algumas unidades da minivan Lumina e do sedã sueco Saab 9000 CD, havia pouco tempo regressado ao mercado de importados trazendo o cupê alemão Calibra. Assistindo o movimento dos concorrentes no segmento dos médios decidiu trazer da sua filial europeia Opel o modelo Astra F lançado no salão de Frankfurt de 1991. No velho mundo a família Astra dispunha de uma ampla gama de modelos e carrocerias como hatch de 3 e 5 portas, sedã e perua de 4 portas, van e conversível.

Grandes lanternas horizontais, além de conferir segurança, eram importadas da Alemanha / Motor 2.0, uma exclusividade do Astra importado para o Brasil

Para o Brasil foi escolhida a versão hatch de 5 portas, era a primeira vez que a Chevrolet ofertava um modelo hatch nessa configuração no país. Ficou acertado que a subsidiária da Opel na Bélgica seria responsável pelo envio dos carros. Para tanto ainda em 1994, 3 mil motores de 2 litros da Família II (C20NE) saíram da unidade da General Motors do Brasil, em São José dos Campos rumo a Antuérpia. O primeiro lote de 3 mil Chevrolet Astra começou a ser vendido em janeiro de 1995.

Na tampa de combustível o Astra se mostrava um poliglota, com informações em alemão e inglês / Quatro portas e um grande acesso ao porta-malas, acessibilidade era a palavra de ordem no hatch belga

A meta da General Motors era ambiciosa com o Astra, pois a empresa pretendia vender somente em 1995, 80 mil unidades. Para que o Astra pudesse ter um preço competitivo de R$ 17.900, a marca da gravata reposicionou o Kadett dentro da sua gama de médios retirando de linha as versões GSI, o conversível e o GLS, que brigava em preço com Astra. Com todos os opcionais o Astra chegava a R$ 20.800, um valor ainda competitivo diante do Fiat Tipo SLX 2.0 que era vendido por pouco mais de R$ 18 mil e bastante distante dos R$ 25.800 cobrados pela Volkswagen pelo Logus GLSi. Como extra a Chevrolet oferecia 2 anos de garantia. 

A plaqueta de identificação revela a origem belga do Astra da geração F / As rodas de aço estampado cobertas com calotas; não havia opção de alumínio

O Astra chegou firme para disputar o bolso do consumidor na época. Além do valor convidativo a Chevrolet tratou de recheá-lo bem, dispondo de itens como direção com assistência hidráulica; cintos dianteiros e laterais traseiros com ajuste de altura e pré-tensionadores nos cintos da frente; barra antiinvasão no interior das portas e alarme antifurto acionado pela fechadura. Por R$ 1.700 podia se adquirir o ar-condicionado com extensão para o porta-luvas. Outros R$ 1.200 concediam airbag duplo e sistema de som com rádio toca-fitas com mostrador separado. Um porém, era não oferecer o sistema de freios ABS e devido a uma economia de escala os modelos equipados com air bag traziam o símbolo da Opel impresso no volante. 

Cintos dianteiros com pré-tensionador eram um item nada comum aos carros brasileiros naquele tempo / No console central os comandos de ar-condicionado, rádio e mostradores de temperatura externa, estação de rádio ehoras

Em termos estéticos era clara a evolução perante o Kadett, que havia sido lançado em 1984 e chegado ao Brasil em abril de 1989. Quando foi lançado no início dos anos de 1980, o Kadett não agradou de imediato devido as suas linhas futuristas, logo os estilistas da Opel trataram de dar um visual mais contemporâneo ao Astra. O projeto sanou falhas do Kadett como traseira truncada que limitava a visibilidade traseira, além do pouco espaço para os passageiros do banco de trás.

O interior do Astra é espaçoso e agradável; bancos são confortáveisO Astra media 4,05 metros de comprimento e distância entre eixos de 2,51m. Destaque visual ficava por conta da traseira arredonda com uma ampla vigia que sanava a falta de visibilidade. O toque esportivo era dado pelo spoiler fixado na tampa do porta-malas. Na dianteira trazia faróis estreitos, mas faltavam os faróis de longo alcance. Um dado curioso era sobre a grade dianteira, que ao invés da ser do modelo alemão era fabricado na Inglaterra (Vauxhall), já que devido ao tamanho do logotipo da gravatinha da Chevrolet foi impossível fixá-lo na grade do modelo germânico.

Grande trunfo estava mesmo no habitáculo que podia transportar cinco passageiros com conforto, além de uma vasta área envidraçada com a clássica disposição de três vidros laterais que proporcionava um ambiente mais iluminado. Os ocupantes do banco de trás agora tinham mais espaço para os joelhos e a cabeça não raspava no teto, além de contarem também com cintos de três pontos das laterais, mas não contavam sequer com vidros elétricos como opcionais. Já o porta-malas comportava 360 litros ante os 270 litros do Kadett. 

O painel apresenta formas arredondadas e os instrumentos e volante eram os mesmos do VectraO acabamento era bem executado, mas sem ser luxuoso e trazia revestimento em tom claro. À frente do condutor havia um painel praticamente idêntico ao do Vectra, inclusive com os mesmos instrumentos e volante de três raios, que carecia de regulagem de altura, mas compensava pela regulagem de altura do banco do motorista por manivela. Os botões dos vidros elétricos e dos retrovisores ficam junto ao puxador da porta. Como item de segurança comum em países frios o retrovisor do motorista tinha desembaçador. 

DESEMPENHO DE ESPORTIVO

Uma ampla área envidraçada e colunas estreitas proporcionavam uma boa visibilidade ao Astra

Maior atrativo do Astra era seu desempenho, como ficou representado em vários testes feitos por publicações especializadas na época. O motor de 2 litros e de oito válvulas da Família II desenvolvia 116 cv a 5.200 rpm e torque máximo de 17,3 m.kgf a 2.800, acoplado a uma transmissão manual de cinco velocidades. O desempenho agradava até os mais exigentes como ficou claro no teste efetuado pela revista 4Rodas de dezembro de 1994. 

O motor de 2 litros e 116 cv já era um velho conhecido nos Vectra GLS e CD; trazia injeção eletrônica Bosch Motronic M.1.5 / A dianteira recebeu um ótimo tratamento estético, o “V” estilizado em cromado diz que a grade é proveniente dos modelos ingleses Vauxhall

Nos testes o Astra “belga” alcançou velocidade máxima de 184 km/h e acelerou de 0 a 100 km/h em 10s94. Mas foi mesmo nas retomadas de velocidade que o Astra se sobressaiu indo de 40 a 100 km/h em 17s93, superando todos os carros nacionais testados até aquele momento e ficando à frente de modelos esportivos como o BMW M5. Tal feito se deveu ao conjunto mecânico equilibrado e as boas relações de marchas. O peso de 1.075 kg conferia uma boa relação peso/potência na casa de 9,2 kg, a mesma do pequeno Corsa GSi.

O conforto ao rodar também era elogiado pois a suspensão dianteira seguia praticamente o mesmo arranjo de construção do Vectra. Na dianteira independente, McPherson, braço triangular e amortecedores pressurizados. Na traseira o tradicional eixo de torção. Só houve uma ressalva aos tipos de pneus empregados, de medida 175/65R14 montados em rodas de aço cobertas com calotas. A estabilidade ficava um pouco prejudicada pelos pneus estreitos já que eles tinham tendência a dobrar. Havia pouca saída de frente e quando isso acontecia era fácil de corrigir, apontava a publicação. 

Infelizmente no fim de 1995 todos os fabricantes locais foram pegos de surpresa com a abrupta elevação do IPI que saltou dos 20% para 70%. Isso encareceu do dia para a noite inúmeros bens importados, entre eles os automóveis. A General Motors reviu os planos de importação do Astra e naquele ano foi decidido que não o traria mais. Da meta inicial de trazer 80 mil carros, estima-se que vieram pouco mais de 36 mil unidades.

Passado quase 20 anos, hoje em dia é raro encontrar um Astra “belga” em boas condições. Apesar de o modelo adotar o trem de força Made in Brazil, os outros componentes mecânicos e acabamento são importados o que dificulta a manutenção e não é raro vermos em classificados esses Astra como doadores de peças. Mas a lacuna deixada pelo Astra importado duraria pouco, pois a Opel trabalhava na segunda geração do modelo. Ele chegaria na Europa em 1997 e no Brasil no fim de 1998. 

PAIXÃO PELOS OPEL

A atual linha de automóveis oferecida pela Chevrolet do Brasil (Onix, Prisma e Spin) são todos modelos de criação local, ou seja, carros pensados para o consumidor brasileiro. Mas nem sempre foi assim já que em 1968, a General Motors passa a fabricar o Opala no país, cujo o projeto era da sua subsidiária alemã Opel, lá batizado de Rekord. E foi assim durante anos, carros de projeto alemãoOpel “tropicalizados” para o Brasil.

Desde que a Chevrolet parou de fabricar os carros de procedência Opel em terras verdes e amarelas uma legião de fãs contestam tal atitude e não é difícil encontrar pessoas que ainda nos dias atuais cultuam os carros da marca alemã Opel.

O comerciante de automóveis da cidade de São José dos Campos Julio Camargo, 33 anos, é um desses admiradores da marca do relâmpago. “Minha admiração pelos carros da Opel vem desde cedo. Gosto do desenho aerodinâmico e do DNA que a Opel imprime em seus veículos”, explica Camargo.

Traseira de desenho arredondado conferia um ar moderno e contemporâneo / Para um modelo hatch o Astra oferece bons 360 litros em seu porta-malas

Na sua garagem repousam um Kadett GS, Monza Classic “Emerson Fittipaldi”, Opala Diplomata e um Astra GLS “belga”. O comerciante nos contou que estava em busca de um Astra importado já fazia um tempo. Em outubro de 2010, um amigo indicou um Astra vermelho Magma à venda na cidade de São Paulo. “Quando soube do carro precisei ir vê-lo. Chegando ao local indicado não acreditei no estado geral em que se encontrava. O carro era de uma senhora que havia ganhado de presente do marido 0km, havia rodado 70 mil km em 15 anos. Na hora fechei negócio e paguei R$ 10.900,00”, disse com alegria o comerciante.

O Astra foi faturado na concessionária Itacolomy, de São Paulo, em 06 de agosto de 1995. Como opcional havia ar-condicionado. O preço do carro segundo a nota fiscal foi de R$ 23 mil. Um dado interessante emitido na nota fiscal era de que esses Astras provenientes da Bélgica chegavam ao Brasil via o porto de Vitória, no Espírito Santo.

Hoje o veículo está com 20 anos e nunca passou por um restauro. São originais as calotas, faróis da marca Corello e as lanternas traseiras de procedência alemã. O Astra denúncia sua origem belga com adesivos em língua alemã como os que estão fixados na tampa do combustível e filtro de ar. A única alteração efetuada pelo dono foi a troca do painel de ponteiros por outro digital original da marca Opel utilizado em uma versão esportiva do Vectra alemão. 

No mais o Astra “belga” é usado como um veículo de uso diário e o comerciante ressalta como qualidades o motor forte e econômico. Já o ponto negativo é a baixa altura que faz com que o carro raspe o fundo em depressões.

 

Acessar Manuais Técnicos
NOTÍCIAS RELACIONADAS
Do Fundo do Baú
Do Fundo do Baú
Volkswagen Passat Surf é a versão mais descontraída de um dos maiores sucessos dos anos 70 e 80
Do Fundo do Baú
Do Fundo do Baú
Santa Matilde SM 4.1: O esportivo nacional que nasceu de um Porsche e desafiou até a Puma
Do Fundo do Baú
Do Fundo do Baú
100 anos de Chevrolet no Brasil: A trajetória do Opala, símbolo de inovação, luxo e paixão nacional