Oficina Brasil


Honda Accord se despede do mercado na versão 3.5 V6 sem ser ter frequentado muito as oficinas

Enquanto a montadora japonesa apresenta ao mundo a 10ª geração de seu grande sedan que chegará aqui no segundo semestre de 2018, reparadores analisam a 9ª geração, última a contar com o motor 3.5 V6 que nunca deu muito trabalho

Por Antônio Edson

A escalada da indústria automobilística japonesa no Ocidente não seria tão vitoriosa sem um hatch quadradinho (foto 1) lançado há 41 anos. Foi com ele, o Honda Accord, que os japoneses fincaram um pé ou suas quatro rodas nos EUA, mais exatamente na fábrica de Marysville, Ohio, inaugurada em 1982. Com injeção eletrônica e câmbio de quatro velocidades, esse Honda mostrou ao que veio, ou ao que foi: o primeiro carro de origem estrangeira a ser o mais vendido da América entre 1989 e 1990. Hoje o modelo acumula perto de 13 milhões de unidades comercializadas ali. E como em porteira que passa boi passa boiada, depois do Accord mais carros japoneses obtiveram o green card para serem fabricados nos EUA. Aí, foi como em Pearl Harbor, 1941: quando os ianques abriram os olhos já era tarde. Atualmente, entre os 10 veículos mais vendidos nos EUA sete são japoneses. A investida asiática acabou Foto 1por ensinar aos norte-americanos, orgulhosos de terem inventado um jeito de produzir automóveis em larga escala, o fordismo, que havia outra forma de fazê-lo, o toyotismo.

Via Ohio, o Accord chegou ao Brasil em 1992, em sua quarta geração, ainda como sedan médio. A versão cupê praticamente não viria e o hatch já havia saído de linha. Aliás, a flexibilidade modular do veículo ajuda a entender sua longevidade. Através dos tempos e de suas gerações, o Accord foi uma metamorfose rodante, evoluindo de compacto para sedan médio e, finalmente, para sedan grande, com vistas a acompanhar o crescimento da renda das famílias de classe média, seu público. No Brasil, o sedan cumpriu o papel de embaixador da Honda sendo uma ponta de lança de tendências tecnológicas inovadoras que, mais tarde, poderiam ser utilizadas em outros modelos. Na versão 3.5 V6 24V da 9ª geração, por exemplo, ele traz o sistema de solda de peças de aço e alumínio no subchassi dianteiro e o recurso LaneWatch, uma câmara instalada ao pé no espelho retrovisor direito para exibir na tela do sistema de multimídia imagens do ponto cego.

Lançada em 2013, essa 9ª geração do Accord está deixando a linha de montagem já que em julho a Honda apresentou ao mundo a 10ª geração do sedan cuja maior novidade foi a substituição do motor 3.5 pelo 2.0 turbo do Type R. A versão de entrada virá com o mesmo 1.5 turbo do Civic Touring. Com isso, os V6 aspirados, ao que parece, entram em hibernação – sem prazo para acordar – pelos lados da montadora, pois todas as novas versões do Accord terão motores com quatro cilindros. Como no Brasil o novo Accord promete chegar apenas no segundo semestre de 2018, a 9ª geração terá um pouco mais de sobrevida. Tanto que foi a bordo dessa versão que, em outubro, a equipe de reportagem do jornal Oficina Brasil visitou três estabelecimentos do Guia de Oficinas Brasil com o objetivo de submetê-la à análise de um time de reparadores independentes. Nesta edição, os escolhidos foram a Binho Car Service, de São Bernardo do Campo (SP); a Center Car Serviços Automotivos, de São Caetano do Sul (SP), e a Aurélio Imports, no bairro de Santana, São Paulo (SP). Nessas oficinas, o Honda Accord EX 3.5 V6 24V 2016, avaliado em R$135.425 – tabela Fipe de novembro – foi avaliado por...

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Alex Sandro Salomão de Oliveira (e) e Marcos Aurélio Ornelas (d) (foto 2). O reparador Aurélio Ornelas, de 66 anos, fundou a Aurélio Imports em 1987 no Jardim São Paulo, zona norte da capital paulista, mas foi só em 1992, com a abertura do mercado nacional às importações, que a oficina começou a definir sua vocação: trabalhar com veículos estrangeiros. A opção se consolidou em 2007 quando o filho Marco Aurélio, hoje com 40 anos, tomou a dianteira dos negócios. “Fizemos um alto investimento em equipamentos de análise de diagnóstico e acerto de motor para carros importados. Se por um lado trabalhar nesse segmento eleva o valor do tíquete médio, por outro o giro de carros importados é menor do que o de carros nacionais e mais populares”, afirma o reparador que desde os 14 anos trabalha com o pai. Atualmente a oficina responde por um movimento aproximado de 100 ordens de serviço por mês e conta com sete colaboradores, entre eles Alex Sandro Salomão, 42 anos de idade e há 20 como reparador.

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Márcio Alves (e, em pé), Vinícius Rosa (d, em pé), Lorivaldo de Sousa Batista (e) e Bruno Stok (d). (foto 3). Há 30 anos instalada no centro de São Caetano do Sul (SP), a Center Car Serviços Automotivos é gerida pelos sócios Márcio e Vinícius há menos de dois anos. Márcio, bacharel em Tecnologia da Informação, e Vinícius, engenheiro mecatrônico, resolveram transformar um hobby – a mecânica automotiva – em profissão e assumiram a oficina dispostos a implantar ali um serviço que prioriza a qualidade, a transparência e a satisfação total do cliente. “Queremos oferecer o mesmo nível de serviço que sempre gostamos de receber. Mostramos com transparência ao cliente não apenas o que precisa ser feito em seu carro, mas principalmente o que precisa ser bem feito”, enfatiza Vinícius, que conta com dois colaboradores: o jovem Bruno Stok, de 24 anos, e reparador desde os 18, e o experiente Lorivaldo de Sousa Batista, 44 anos, reparador desde os 22 anos, e que há 17 anos trabalha na oficina.Foto 4

Fábio Alves Pereira (foto 4). Aos 40 anos e com 26 de profissão, Fábio é um caso raro de empreendedorismo precoce. Aos 17 anos, por gostar de mexer com a eletrônica automotiva, insistiu com os pais para ser emancipado e poder abrir a própria oficina mecânica. A Binho Car Service, a segunda oficina de Fábio, está há 17 anos em São Bernardo do Campo (SP). Paralelamente ao trabalho, o reparador tornou-se instrutor automotivo do Senai por 15 anos. “Depois de estudar e fazer cursos ali por mais de 10 anos resolvi passar um pouco do que aprendi para o pessoal que faz os programas de formação continuada”, lembra Fábio, que conta com o auxílio de oito colaboradores que o ajudam a dar conta de um movimento mensal de aproximadamente 150 ordens de serviço. “Gosto de dizer que aqui atendemos todas as necessidades de um carro: suspensão, motor, alinhamento, geometria, parte elétrica e eletrônica, injeção e câmbio”, lista o reparador.

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Veículos da classe média para cima nos países desenvolvidos, os grandes sedans ainda rodam pouco no Brasil, que, nem mesmo os fabricam. Aqui o segmento é hegemonicamente dominado pelos importados cujos custos de produção e a baixa demanda não compensam a nacionalização da montagem. E enquanto os SUVs continuarem dando as cartas no mercado é improvável que o cenário mude. Sustentados sobre o tripé imponência-luxo-conforto, esses grandes sedans são vistos por aqui como classudos e conservadores. E o Accord – médio para os padrões norte-americanos, mas grande para os brasileiros com seus 2,77 metros de entre-eixos (foto 5) – não foge à regra, a julgar pela impressão causada nas oficinas. “Esse acabamento interno no painel e nas portas imitando madeira (foto 6) dá um toque de classe ao carro”, aponta Fábio Alves, cujas linhas do carro agradam pelo estilo bem comportado, embora não façam o gênero do reparador. “Prefiro os sedãs grandes com um estilo mais arrojado e uma pilotagem esportiva, tipo BMW”, admite.

 

É preciso reconhecer que essa 9ª geração do Accord se esforçou em mostrar alguma jovialidade em relação à concorrência e à geração passada com o redesenho de seus faróis de LED com duplo feixe, grade, capô, para-choques (foto 7) e lanternas traseiras agora compostas também por LEDs (foto 8). O interior foi refeito com iluminação mais colorida e multimídia com tela full color de oito polegadas (foto 9). As rodas de aro 18 (foto 10) ficaram mais esportivas do que o antigo jogo aro 17. “Sim, a Honda tem aos poucos descolado aquela imagem de carro de tiozão de seus sedans. A impressão é que as pessoas de mais idade têm preferido os Toyota e o público mais jovem, os Honda”, interpreta Fábio Alves. “Se pegarmos um Accord de 11 anos atrás e outro de hoje encontraremos muitas diferenças e uma linha evolutiva na beleza e na tecnologia”, admira Márcio Alves.

 

 

Marcos Aurélio igualmente reconhece a evolução dos sedans japoneses, mas aponta que ainda falta a eles um predicado presente nos similares europeus, particularmente alemães. “Eles estão em constante melhoria, com mecânica boa e eficiente e matéria-prima de primeira qualidade. Mas ainda são um tanto sem graça, sem charme, pouco divertidos. Um grande sedan precisa ter alma e isso nenhum asiático ainda tem. Tanto que suas montadoras vivem buscando na Europa designers para seus carros”, analisa.

 

AO VOLANTE

Estar em um carro elétrico: essa foi uma das sensações relatadas pelos reparadores em função do respeitoso silêncio no interior do Honda Accord EX 3.5 V6 24V com o motor ligado. A montadora caprichou no isolamento acústico do habitáculo do sedan ao instalar o Active Sound Control ou o sistema de insonorização ativo (através de microfones, rádio e alto-falantes) que identifica os barulhos ou ondas sonoras emitidas pelo motor e as anula com uma contrafrequência equivalente emitida imperceptivelmente pelos alto-falantes. Com isso, mesmo com o motor trabalhando acima dos 3.500 giros, o Accord impõe silêncio. “Carros com quatro cilindros são bem mais barulhentos que este, cujo ronco é suave”, compara Fábio Alves.

A qualidade mais sentida pelos reparadores foi o desempenho fogoso do sedan que espantou qualquer impressão de timidez. “Anda um absurdo, tanto quanto uma BMW. De bem comportado ele só tem a aparência”, surpreende-se Vinicius Rosa. “Dirigibilidade nota 10! Tentei achar um defeito e não consegui. Ele tem respostas rápidas e vai muito bem na estrada e na cidade com esse sistema inventado pela Honda que permite funcionar apenas três cilindros. Reúne o melhor dos mundos: desempenho de esportivo, conforto de sedan grande e racionalidade de carro compacto”, elogia Márcio Alves, que ainda destacou a suspensão mais firme em relação às gerações anteriores do modelo. “O carro tem um rodar que absorve bem as irregularidades do piso e isso transmite mais segurança nas curvas sem comprometer o conforto, diferente de outros sedans do mesmo porte”, relata. “De fato, o carro parece ser mais durinho do que alguns concorrentes talvez para demonstrar alguma esportividade durante a pilotagem, mas ainda assim é confortável”, confirma Marcos Aurélio.

Fábio Alves aprovou a câmara (foto 11) que fornece imagens do ponto cego do veículo – o sistema LaneWatch – na tela do multimídia. “É um recurso que agrega segurança e ajuda bastante”, garante. Acelerando o Accord pela região de Planalto da Via Anchieta, o reparador constatou que o carro entrega a potência prometida sob um giro relativamente baixo, o que justifica o excepcional rendimento do carro para um motor V6.

Foto 11

MOTOR

A julgar pelo recente anúncio da chegada da 10ª geração do Honda Accord, que passou por um processo de downsizing e terá motores turbo 1.5 e 2.0, o motor i-VTEC 3.5 V6 de 24 válvulas (foto 12) da 9ª geração vive os últimos giros. Ainda que os brasileiros não conheçam o desempenho dos novos propulsores, pois a 10ª geração do Accord só chegará ao País na segunda metade de 2018, a percepção entre os reparadores é a de que a montadora está abrindo mão de um “excelente produto”. “O motor i-VTEC é referência de qualidade, robustez e simplicidade. Costuma-se até dizer que ele não é muito amigo dos reparadores porque raramente dá oficina. E quando dá é para repor seu desgaste natural, como óleo, fluidos, filtros, enfim o básico”, testemunha Márcio Alves. “Esse motor é uma tranquilidade. Melhor de trabalhar do que os BMW e Mercedes Benz, sem prejuízo de seu desempenho e durabilidade”, compara Marco Aurélio. “Motor V6 não é sinônimo de complicação, e esse Honda comprova”, resume Fábio Alves.

Junto aos reparadores, o recurso mais admirado do i-VTEC 3.5 V6, que produz até 280 cavalos de potência a 6.200 rpm, é seu sistema de Administração de Cilindro Variável ou Variable Cylinder Management (VCM). Considerando a velocidade do carro, o giro do motor e a posição do corpo de borboleta ou válvula TBI (foto 13), o VCM analisa a condição de uso e escolhe a estratégia de funcionamento mais racional, podendo ativar ou desativar alguns cilindros do motor. Um exemplo: quando o torque máximo é necessário todos os cilindros são acionados, enquanto que na condução urbana, em velocidades mais baixas, o VCM permite que o motor V6 seja operado com apenas três cilindros. O recurso resulta em uma considerável economia de combustível. “Antigamente, motores V6 rendiam três quilômetros por litro, esse faz mais de 13 na estrada”, compara Marcos Aurélio. Também ajuda em uma condução econômica o recurso ECON (foto 14) do veículo que, ao ser ativado, aciona diversos sistemas que privilegiam o baixo consumo de combustível.

 

Se a vibração de um motor tricilíndrico em um veículo de entrada, com motor 1.0, incomoda muita gente, em um motor 3.5 V6 ela poderia incomodar muito mais. Mas no Accord a Honda resolveu o problema ao optar por coxins eletro-hidráulicos (foto 15) que atenuam essa vibração e o ruído do motor, especialmente quando esse trabalha em regime de três cilindros. “São pelo menos quatro coxins: o principal do motor, o dianteiro, o traseiro e o do câmbio”, enumera Marcos Aurélio. “Toda vibração é eficientemente absorvida por esses coxins e no habitáculo é impossível se notar quando o motor trabalha com todos os cilindros ou apenas com a metade deles”, confirma Márcio Alves, para quem o motor do Accord é grande, mas não complicado em função de sua arquitetura bem resolvida. “Temos uma bobina para cada cilindro (foto 16) e o coletor de admissão (foto 17) que suga o ar e o faz passar pelo sensor MAF, de fluxo de ar, de onde ocorre a distribuição para cada cilindro. Há ainda outro sensor, o MAP, que mede a pressão, e a válvula de respiro que joga os gases que saem de dentro do motor para a admissão e serem de novo queimados. Isso tem a ver com a baixa emissão de gases desse motor”, descreve o reparador. “Por ser um motor em V e transversal é mais fácil trocar as bobinas da frente do que as de trás, pois o coletor acaba cobrindo essas”, completa Fábio Alves.

 

Marcos Aurélio destacou que o motor V6 permite um razoável espaço para manutenção. “Pode não ser dos mais modernos, mas está longe de ser ultrapassado”, julga o reparador. E para justificar aponta o coletor de escape (foto 18) junto ao cabeçote de alumínio. “Isso faz a sonda lambda aquecer rapidamente chegando logo a uma temperatura ideal de trabalho”, confere. “Os motores de projeto mais antigo trazem o coletor de escape e depois o conjunto de escapamento”, recorda Fábio Alves, que ainda constatou ser fácil uma eventual retirada do radiador (foto 19). “Pelo tamanho do carro e por uma característica dos Honda, o radiador tem dois eletroventiladores. Apesar disso ele pode ser retirado por cima, sem dificuldade”, relata. Coube a Fábio um veredicto final sobre o motor i-VTEC 3.5 V6 de 24 válvulas do Honda Accord: “Feito para não dar trabalho e durar muito, desde que o proprietário faça periodicamente as manutenções preventivas”.

 

 

TRANSMISSÃO

A exemplo do motor 3.5, a transmissão automática de seis velocidades presente na 9ª geração do Honda Accord deixará o modelo com a chegada da 10ª geração que terá as opções do câmbio manual de seis marchas, câmbio CVT e uma inédita caixa automática de dez velocidades. Tecnologicamente, essa última opção será um salto de qualidade em relação à transmissão automática atual (foto 20), porque o motor 3.5 V6 24 válvulas parece pedir mais marchas em trajetos longos e continuados, como observou o reparador Fábio Alves em seu teste dinâmico realizado na Via Anchieta. “A 110 quilômetros por hora, na 6ª velocidade, o carro segura um giro de 2 mil rpm. Se estivéssemos a 160 por hora em uma 7ª ou 8ª velocidade provavelmente teríamos um giro menor, de 1.500 ou 1.200 rpm. Seria melhor”, projeta Fábio.

Foto 20

O reparador ainda acusou uma inadequação da transmissão, pois o sedan mostrou-se um pouco lento nas retomadas de velocidade. “As ultrapassagens em rodovias exigem planejamento antecipado, com uma redução de marcha acentuada para subir o giro. Como não deve ser falta de potência, uma vez que o motor é um V6 3.5, possivelmente é uma incompatibilidade do câmbio”, avisa. Essa sensação de falta de esportividade, no entanto, é atenuada quando se usa o modo S (Sport) através dos paddle shifts ou borboletas localizadas atrás do volante (foto 21). “O carro ganha outro modo de condução, bem diferente. Sem perder o conforto, ele assume um comportamento mais esportivo”, descreve Márcio Alves.

Ainda que, aparentemente, não consiga atender plenamente à demanda do motor, a transmissão automática de seis velocidades do Accord se destaca pela elasticidade. Seja no modo Drive ou Sport, ela pode fazer do Accord um sedan bem comportado, levemente esportivo ou mesmo assumidamente econômico. Isso porque, também através do comando manual através das borboletas, o condutor pode, a qualquer momento, desativar o recurso VCM, em que o motor trabalha sob o regime tricilíndrico, e fazê-lo voltar operar com os seis. “Em baixas velocidades e rotações, comum no trânsito urbano, ele é praticamente um motor três cilindros e isso ajuda na redução do consumo. E nas estradas ele pode ter uma performance totalmente diferente, típica de um V6”, explica Bruno Stok.

FREIO, SUSPENSÃO E DIREÇÃO

O Honda Accord EX 3.5 V6 24V conta com suspensão multilink na traseira (foto 22) e independente tipo McPherson na dianteira (foto 23) com coxim ativo que melhora a estabilidade, ajuda a reduzir o ruído e a vibração interna. Os freios levam discos ventilados na frente e sólidos atrás. Mas o que mais se destaca na visão undercar do Accord é a tecnologia utilizada no seu chamado subchassi (foto 24) que faz às vezes de quadro junto à suspensão dianteira. Segundo a Honda, sua composição de aço e alumínio é mais leve e, mesmo assim, confere uma reação mais segura em caso de alguma colisão dianteira. Em conjunto com a suspensão traseira multilink independente, esse subchassi também ajuda na redução da vibração e do ruído interno.

 

O grande sedan da Honda dispõe de direção de assistência elétrica com o sistema Direção Elétrica Adaptável ao Movimento ou Motion Adaptive Electric Power Steering (MA-EPS) que atua em conjunto com a tecnologia Vehicle Stability Assist (VSA) ou sistema de controle de estabilidade. Trocando em miúdos isso vale dizer que o recurso deixa o volante mais rígido caso o condutor tente movimentá-lo abruptamente de maneira a provocar alguma instabilidade ou perigo à dirigibilidade. Esse controle de segurança, claro, se estende aos freios não só com ABS, mas também com Eletronic Brake Distribution (EBD) cuja função é distribuir a força de frenagem entre as rodas do veículo.

 

O resultado de tanta tecnologia e cuidados preventivos é uma condução obviamente mais segura. “A suspensão do Accord não é molenga, ao contrário tem característica bem firme e precisa. Isso porque é importante o condutor sentir um pouco do piso pelo qual o carro está rodando. Nas curvas, o carro é preciso, não rola nem inclina. Esse é um carro firme”, descreve Márcio Alves. Parte desse excelente desempenho, segundo o reparador, deve-se ao subchassi que elimina a possibilidade de vibração e ressonância na carroceria, e ao conjunto pivô, bandeja (foto 25) e suspensão. “O pivô é parafusado na bandeja, mas vem prensado na manga de eixo. Essa disposição resulta em uma dirigibilidade mais segura e estável”, resume. Fábio Alves concorda com o colega, mas lembra que, na necessidade de uma intervenção reparativa nos pivôs, o trabalho não será simples pois, provavelmente, “será preciso ter sacadores especiais”. O reparador ainda observou que, sobre um piso molhado, os freios ABS respondem bem ao comando do pedal, mas produzem um barulho alto que invade o habitáculo.

Foto 25

 Já Vinicius Rosa deu crédito especial à suspensão multilink traseira com seus múltiplos braços. “Ela consegue manter um bom desempenho e uma estabilidade mesmo em situações limites ao extremo. Visto aqui de baixo, esse Accord tem um grande refinamento de engenharia e materiais muito bem escolhidos. Tudo parece feito para unir durabilidade, qualidade de rodagem que privilegia a baixa emissão de ruído”, elogia

ELÉTRICA, ELETRÔNICA E CONECTIVIDADE

Alguns dos incontáveis recursos tecnológicos incorporados ao grande sedan da Honda já foram mencionados ao longo dessa matéria como o LaneWatch, que monitora o ponto cego; o sistema de insonorização ativo, que emite frequências sonoras para diminuir o ruído interno do habitáculo, e o ECON, que ativa uma condução mais econômica do veículo. Outro item sofisticado de conforto que merece ser melhor explorado é o de partida do motor à distância. Acionado através de sua chave presencial (foto 26), o recurso ainda permite refrigerar previamente o interior do sedã que conta com ar-condicionado – inclusive com saídas para os bancos traseiros – com duas zonas de ajuste.

Foto 26

Quanto à conectividade propriamente dita o Accord dispõe de um sistema multimídia com Apple Car Play e AndroidAuto, navegador GPS, interface Bluetooh – que pode ser acionada através do volante multifuncional (foto 27) – e entradas USB para MP3 player, pen drive e iPod/iPhone/iPad, além do DVD player e uma entrada auxiliar. Já a porta HDMI (foto 28) possibilita reproduzir não apenas áudio, mas também arquivos de vídeo e imagens em HD através de dispositivos como notebooks e câmeras digitais.

 

 

Em que pese o arsenal de recursos elétricos/eletrônicos, a infraestrutura elétrica do Honda Accord não aparenta exigir manutenção complicada, mas em função da dimensão do motor Márcio Alves aponta que a bateria de 60 amperes e 12 volts (foto 29), a exemplo do que é visto em outros sedans grandes, poderia ser deslocada para o interior do porta-malas. “Embora, aqui, ela disponha de uma capa que a isola do calor emanado pelo motor o fato é que essa proximidade pode comprometer seu tempo de vida útil”, alerta o reparador, que destacou a pequena dimensão da caixa de fusíveis. “A Honda teve o cuidado de colocar fusíveis extras junto à tampa da caixa, que ainda tem um diagrama indicando a função de cada fusível. Os autoelétricos agradecerão”, afirma Márcio.

Foto 29

Já Fábio Alves ressaltou o papel do alternador inteligente do Accord. “Parece ser do tipo pilotado, que entra em ação de acordo com a demanda de energia do veículo. Se o carro estive realizando uma ultrapassagem e o condutor pisa mais fundo o alternador acaba virando uma roda livre, em um movimento sem magnetização, para ter um aproveitamento melhor da potência do motor”, descreve o reparador.  

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Obter informações técnicas junto às concessionárias e montadoras é uma das mais antigas angústias vividas pelos reparadores independentes brasileiros e quando se trata de veículos importados a expectativa é que a batalha consuma ainda mais paciência e suor. No entanto, a reportagem do jornal Oficina Brasil surpreendeu-se com a desenvoltura dos reparadores que analisaram o Honda Accord. “Não temos a nada a reclamar”, revela Márcio Alves, cuja oficina encontra no portal norte-americano Honda Parts Now até mesmo diagramas elétricos completos dos veículos dessa montadora, bastando para tanto entrar com o seu número de chassi. “E o mesmo podemos fazer em outros portais semelhantes daquele país com veículos de outras montadoras estrangeiras”, informa o reparador, que lamenta não encontrar a mesma facilidade por aqui, com os nacionais. “Bem que as montadoras do Brasil poderiam adotar a mesma política. Seria melhor para todos”, acredita Marcos Aurélio.

Fábio Alves também é usuário dos portais norte-americanos quando se trata de veículos importados, mas também não abre mão de enciclopédia automotiva da Simplo, além de outras como a Napro e a Autodata. “É fundamental toda oficina ter suas próprias ferramentas de trabalho para, na medida do possível, não depender muito de outras fontes”, justifica Fábio.

PEÇAS DE REPOSIÇÃO

É possível usar peças de reposição nacionais em veículos importados? “Sim, se você tiver fornecedores confiáveis e com produtos de qualidade. Claro que, no caso, nos referimos a peças de alto giro e de mais simples reposição, como pastilhas e discos, e não, a título de exemplo, uma junta de cabeçote. Aí tem que ser mesmo o original”, responde Márcio Alves. Seu colega Vinicius Rosa, no entanto, alerta que em se tratando de peças do sistema de frenagem é preciso ter bastante cuidado na escolha e zelar pela qualidade. “Em caso de qualquer dúvida não devemos hesitar em dar preferências às peças originais, mesmo que seja necessário esperar um pouco mais pelo envio”, explica o reparador, em cuja oficina a utilização de peças de alto giro Honda recai em 80% dos casos sobre as adquiridas junto a distribuidores independentes, e 20% sobre as oriundas de concessionárias.  

O problema é que muitas vezes a espera por uma peça original supera alguns limites. “Em razão da crise econômica que o Brasil está, felizmente, acabando de atravessar, algumas concessionárias fecharam

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