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Tecnologia de estabilidade e freios nas carretas e caminhões eleva a segurança no trânsito

A combinação dos avanços da eletrônica embarcada, da termodinâmica e dos materiais nobres resultou em soluções que transformaram o motor diesel sujo em uma obra de arte da engenharia automotiva

Por Antonio Gaspar

No Brasil entrou em vigor a Resolução do Contran Nº 380 que dispõe sobre a obrigatoriedade do uso do sistema antitravamento das rodas – ABS e a partir de 2014, todas as montadoras de caminhões e carretas atingiram 100% da produção destes veículos. 

A implantação seguiu uma ordem gradativa para a implantação conforme as categorias M, M1, M2, M3, N1, N2, N3 e O 

I - Veículos das categorias M1 e N1 (Automóveis e caminhonetes). 

II - Veículos das categorias M2, M3, N2 e N3 (Caminhões e Ônibus de todas as espécies). 

III - Veículos das categorias O (Reboques e semirreboques). 

Independente da força de Lei, muitas montadoras anteciparam sua produção de veículos já equipados com o sistema de antitravamento de rodas, o que foi útil na argumentação de vendas e mais ainda na segurança que este sistema oferece. 

Mas antes vamos falar um pouco sobre este sistema que teve sua origem na aviação desde 1920 e sua aplicação se intensificou na década de 50 e depois de algumas décadas, foi incorporado no setor automotivo e sua implantação plena só ocorreu por imposição de lei que obrigou todas as montadoras instalar obrigatoriamente o sistema que tem salvado muitas vidas. Sua função é atuar quando ocorre uma frenagem forte e ele impede o bloqueio das rodas para evitar derrapagens descontroladas. 

Não dá pra imaginar um avião A380 que transporta 900 pessoas e tem um peso bruto de 575 toneladas fazendo uma aterrissagem sem o uso do freio ABS e voltando para a estrada, temos os bitrens com 9, 10 e 11 eixos que chegam a 90 toneladas que precisam parar com segurança. 

Em caminhões, isso significa que as distâncias de parada são um pouco mais longas, mas o controle sobre o veículo é mantido e é muito importante para caminhões e carretas quando estão vazias. 

Outro sistema que acompanha o ABS é o EBS – sistema eletrônico de freio que  detecta e controla o que está acontecendo com cada sistema individual das rodas.  

A função do EBS vai além do monitoramento do travamento das rodas, porque sua atividade é preditiva, sensores pré-programados podem ajudar a evitar que uma situação se torne incontrolável. 

Para somar nesta família de siglas, entra o ESP, que é um sistema eletrônico de estabilidade. 

Uma das funções preditivas é corrigir e evitar um possível capotamento aplicando os freios de maneira diferente em determinadas rodas para evitar um desastre neste momento crítico, ele também interfere no funcionamento do motor diminuindo sua rotação. 

Existem mais sistemas que compõem uma lista de componentes eletrônicos que auxiliam cada vez mais na condução destes veículos pesados. 

Com o excesso de confiança nestes sistemas, é comum observar alertas para não abusar porque tudo tem limite e acidentes podem acontecer. 

Capotamentos podem acontecer se o centro de gravidade estiver muito alto, se as rodas atingirem um meio-fio em alta velocidade e ainda pode derrapar em superfícies escorregadias, mesmo que tenha ESP. O ideal é que o veículo seja conduzido da mesma forma como se não tivesse estes recursos. 

O ESP realiza um monitoramento avançado de um grande número de parâmetros e os que mais são afetados pelas ações do motorista são: 

• Ângulo de direção, um sensor na coluna de direção mede o ângulo do volante; 

• Torque do motor solicitado; 

• Força de frenagem aplicada. 

Os principais parâmetros que indicam como o veículo está reagindo são: 

• Forças laterais - as forças que permitem que o veículo permaneça na estrada em um trecho de curva. 

• Giro do volante - a velocidade na qual o veículo gira em torno do seu próprio centro de gravidade, que ocorre quando vira e muda de direção. 

• Velocidade da roda - a velocidade na qual o veículo está se movendo e se uma das rodas travar. 

Na prática, o ESP atua para reduzir o torque do motor para rodas, controla a frenagem das rodas individualmente e também freia as rodas da carreta em determinadas situações, proporcionando estabilidade tanto lateralmente como longitudinalmente. 

Uma carreta equipada com EBS pode se comunicar totalmente com o sistema ESP, interferindo quando detecta se uma roda da carreta está prestes a travar ou levantar. Os freios das rodas são imediatamente ativados para retardar a ação do veículo. Desta forma, a velocidade e as forças laterais são reduzidas para evitar de capotar.

Quando um caminhão entra muito forte em uma curva, o veículo tem a  tendência de continuar se movendo para frente. 

As rodas dianteiras do caminhão perdem aderência e a carreta empurra, nesta situação, o ESP detecta que o ângulo de direção não corresponde às forças laterais e à velocidade do ângulo do volante e o sistema neutraliza esta situação de risco travando a roda traseira interna. 

 O ESP trava a roda traseira interna e corrige a carreta na curva, permitindo a recuperação do controle do caminhão. 

Outra situação de perigo ocorre quando surge o risco de provocar um L em uma curva, pois todo peso da carreta age para forçar ainda mais a traseira do caminhão. 

Neste tipo de situação, o ESP detecta que a velocidade do ângulo do volante e as forças laterais não correspondem entre si e intervém para controlar na direção oposta, travando a roda dianteira externa do caminhão . 

Ao frear as rodas da carreta, ele age para endireitar o conjunto carreta e caminhão, evitando o famoso e temido L. 

 Os caminhões e carretas utilizam o ar comprimido no sistema de freios e todos os componentes são monitorados por uma central que é a ECU do ABS, que permite o melhor controle da direção e da tração em situações críticas durante a frenagem. 

A estratégia de funcionamento durante uma situação de bloqueio da roda: o módulo do ABS recebe informações enviadas pelos sensores de velocidade da roda, envia um sinal para as válvulas moduladoras para segurar, aplicar ou soltar os freios conforme a necessidade do sistema. 

Para que esses sistemas funcionem na carreta e no caminhão, é preciso que estejam instalados em ambos, isso pode parecer desnecessário informar, mas ainda é comum ter uma carreta com freio convencional operando em conjunto com um caminhão equipado com todos os sistemas. Nesse caso o sistema detecta e avisa que a carreta não tem ABS. 

Para gosta de caminhão e se empolga com tecnologias, fica encantado com o sistema de verificação das válvulas do sistema do ABS e para isso, basta ouvir o funcionamento. 

Etapas 

1. Ligue a ignição, sem ligar o motor. 

2. Aguarde a luz indicadora do ABS acender. 

3. Ouça as válvulas dando um clique ou uma pequena descarga de ar comprimido, em cada roda e em cada eixo, seguindo uma ordem pré-determinada pelo sistema, faça este teste e mostre para os amigos caminhoneiros e se possível, faça o teste em um bitrem que junto com o caminhão chegam a ter 10 eixos e a sinfonia das válvulas será ouvida por todos.  

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