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Quando é necessário fazer a troca do módulo do motor, o que é preciso fazer? – Parte 2

Na parte 1 dessa matéria consideramos os procedimentos envolvendo o emparelhamento do sistema de imobilizador. Porém pode ser necessário ainda mais um procedimento para que o veículo volte a funcionar

Por Da Redação

No dia-a-dia da oficina lidamos muitas vezes com centrais de injeção eletrônica que precisam ser realmente trocadas, pois o reparo não é possível ou viável. Como considerado na parte 1 dessa matéria, existem vários procedimentos envolvidos na troca do módulo do motor de um veículo, como o emparelhamento do sistema de imobilizador.

Mas além do imobilizador, há ainda informações referentes aos parâmetros de trabalho do sistema de injeção do veículo, que podem não estar em conformidade com os parâmetros do novo módulo que está sendo instalado.

O Hardware e o Software

Podemos afirmar que duas coisas são vitais para o bom funcionamento de uma central de injeção:

O Hardware e o Software.

O Hardware de qualquer placa eletrônica engloba toda sua parte física, como seus componentes, trilhas, conectores, etc. Ao trocarmos um módulo do motor, primeiramente precisamos verificar se existe conformidade entre o hardware do módulo original do veículo com o hardware do módulo que pretende-se instalar.

Por outro lado, mesmo que encontremos um módulo em perfeitas condições físicas para a troca, precisamos dar atenção ao seu Software. Como qualquer computador, os módulos de injeção têm componentes que chamamos de “componentes lógicos”. Esses componentes são processadores e memórias, que a todo instante se comunicam e comparam informações de trabalho previamente estabelecidas do sistema – o Software. Essas informações regem não apenas o trabalho eletrônico da placa, mas consequentemente o controle da injeção de combustível e outros elementos do veículo. 

Componentes “lógicos” que trabalham com o Software

O Arquivo de Injeção

Quando um veículo sai da fábrica ele está preparado para rodar em diferentes condições climáticas, condições de combustível, maneiras de dirigir diferentes, etc. O que torna possível essa autoadaptação do veículo é um conjunto de parâmetros pré-estabelecidos de trabalho do sistema, que são escritos no software do módulo. Esses parâmetros contêm todas as possíveis leituras que o módulo pode receber dos sensores, possíveis faixas de rotação, estratégias de emergência e até mesmo instruções sobre o que o módulo deve fazer quando receber tais leituras e informações. Esse conjunto de parâmetros é comumente chamado de Arquivo de Injeção.

No âmbito da troca de módulos, é importante saber que mesmo módulos com Hardwares iguais, podem ter os Softwares ou arquivos de injeção diferentes. O ideal na troca de um módulo é encontrar um novo módulo com Hardware e Software compatíveis. Mas se apenas o hardware for compatível, ainda é possível usar este módulo na troca, desde que façamos uma clonagem do arquivo de injeção original do veículo neste novo módulo, pois esses arquivos interferem na potência do motor, uso de combustível e opcionais do veículo.

Além disso, entre esses parâmetros podemos encontrar também o código VIN, que é o número do chassi do veículo, que sempre será uma informação única para cada carro. Por isso, ao trocarmos uma central de injeção, mesmo que o Hardware e Software sejam compatíveis ao original, pode ser necessário um procedimento de programação, ou clonagem, para adaptação do número de chassi do veículo original. 

Módulos de injeção com o mesmo Hardware porém com Softwares diferentes

Para entendermos como são os procedimentos para troca dos arquivos de injeção, é necessário entender o uso das memórias que guardam essas informações nos módulos.

Aplicação das memórias

As memórias são componentes eletrônicos que armazenam os arquivos de injeção e suas calibrações. Tais componentes podem ser C.I.s (Circuito Integrado) ou estar no interior do processador do módulo. Para cada tipo de memória física, um procedimento específico é necessário. 

Memórias externas ao processador

O uso das memórias evoluiu de acordo com a evolução dos veículos. A partir de 2006 aproximadamente, muitos módulos começaram a usar memórias internas ao processador, sendo o processador muitas vezes do tipo BGA. IMAGEM 4

Processador BGA com memória interna

Troca dos parâmetros de injeção em memórias externas

Vejamos um exemplo da troca de um módulo do motor, no qual o novo módulo tem a configuração de Hardware idêntica ao original, porém o Software é incompatível com o veículo em que ele será aplicado. Esse módulo usa memória externa ao processador do modelo. O sistema de injeção é o ME 7.9.6, aplicado em montadoras diferentes, como Fiat e GM, mas usando o mesmo Hardware. Além disso, uma memória Soic-8 armazena o número do chassi do veículo. 

Módulos com mesmo Hardware mas com Software diferente, armazenado em memória dos modelos PSOP 44 e Soic 8

Para efetuar a troca do arquivo de injeção neste caso, temos duas opções: usar um programador de EPROMs ou trocar as memórias de um módulo para o outro fisicamente, caso este componente esteja sem defeito. Usar um programador de EPROMs torna necessário que retiremos a memória da placa para colocá-la no equipamento de programação. Com o auxílio de um software no computador, conseguimos realizar a leitura dos parâmetros presentes na memória, salvá-los por segurança e logo após, gravar um novo arquivo, compatível com o veículo em que ele será instalado. Para trocarmos o chassi do módulo neste exemplo, basta trocar as soics de um módulo para o outro, ou realizar o mesmo procedimento de programação, uma por vez

Efetuando a troca dos arquivos com um programador de EPROMs

Troca dos parâmetros de injeção em memórias internas

Vejamos um exemplo de uma situação similar: Troca de um módulo do motor, em que o novo módulo tem a configuração de Hardware idêntica ao original, porém o Software é incompatível com o veículo em que ele será aplicado, mas usando uma memória interna ao processador. No exemplo a seguir, a clonagem de um módulo de injeção da Amarok, que precisará ser trocado, mas iremos manter tanto os parâmetros de injeção, como as informações de imobilizador e chassi. 

Módulos com mesmo Hardware mas com Software diferente

No caso de troca da calibração de um módulo que use memória interna ao processador, é necessário um programador que se comunique com a memória usando algumas “portas de comunicação”, por assim dizer. Essas portas podem ser terminais do conector ou “ilhas” da placa que tenham continuidade com os terminais do processador. No caso dos processadores BGA, sempre encontramos algumas dessas “portas” próximas ao componente. 

Portas de comunicação com o processador

Para efetuar a troca do arquivo de injeção neste caso, usaremos um programa que consiga se comunicar com o processador sem que seja necessário remover nenhum componente da placa. Com o auxílio de um software instalado em um computador, conseguimos remover os parâmetros do módulo original do veículo e colocá-los no novo módulo, efetuando o processo com um módulo por vez.

Efetuando a troca do arquivo de injeção e outros parâmetros de compatibilidade

É interessante lembrar que com equipamentos como esse da imagem 9, é possível fazer uma clonagem completa do módulo, visto que conseguimos ler e gravar não apenas o arquivo de injeção dentro do processador, mas também as informações de imobilizador, odômetro ou chassi, que podem estar em uma memória soic-8, assim como mencionamos na parte 1 da matéria. Dessa forma é possível efetuar uma verdadeira “clonagem” dos módulos de injeção em bancada. Equipamentos como esse têm ainda aplicações para memórias externas ao processador, usando também pontos de solda na placa.

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