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Instalação de ar-condicionado em veículos para atendimento a emergências médicas e resgate

Ambulâncias são veículos especiais e a sua montagem é amparada por Norma ABNT NBR que estabelece as condições mínimas exigíveis para o projeto, construção e desempenho que garantem segurança e conforto

Por Antonio Gaspar

Ambulâncias são veículos de fabricação comum, com a possibilidade de serem transformados obedecendo a regras definidas pela Norma ABNT NBR 14.561/2000.  Esta norma também estabelece critérios de ventilação e climatização da cabine com a regulagem no ponto mais frio e o ventilador na mais alta velocidade, tanto para motorista quanto paciente. 

A partir de agora, acompanharemos a modificação de um Fiat Fiorino 0km equipado com ar-condicionado de fábrica apenas para os ocupantes da cabine.

O objetivo é aplicar no veículo o sistema compartilhado de ar-condicionado, acrescentando uma caixa de ar equipada com evaporador, quatro ventoinhas e controle de velocidade e de temperatura na parte superior na cabine, em um espaço que comporta de forma apropriada o equipamento.

Para realizar o procedimento, são necessárias algumas alterações do padrão original de instalação como, por exemplo, a adição de 200 gramas de gás, passando do total de 500 para 700 gramas, que irão atuar nos dois evaporadores.  

Para que o sistema compartilhado funcione corretamente, são instaladas duas peças no formato de Y. A primeira, de diâmetro menor, é acoplada na mangueira de saída do compressor, (também conhecida como saída de alta pressão), enquanto a segunda, de diâmetro maior, é instalada na mangueira de retorno, que fica conectada na entrada de sucção do compressor. 

Com as duas peças instaladas, as ligações das mangueiras que conectam na caixa de ar da cabine do motorista estão prontas. 

Para completar a instalação da caixa na parte superior da cabine, estrategicamente, é montada uma mangueira que sai do Y e tem no final dela uma conexão com rosca, muito útil para realizar testes de vazamentos por meio do isolamento das caixas de ar.

Outra grande vantagem desta conexão com rosca é a facilidade de desativar a segunda caixa de ar, bastando colocar um tampão de vedação rosqueado na ponta da mangueira. Este procedimento permite que o ar-condicionado fique como o original, apenas dentro da cabine do motorista.  

Parece simples toda a preparação e instalação, mas é preciso conhecer bem o uso adequado de componentes como o diâmetro das mangueiras de envio e de retorno, as peças no formato de Y, os diâmetros das canecas e salva-vidas compatíveis com as mangueiras, as soldas dessas peças de alumínio, o uso de equipamento para clipar as mangueiras nas peças metálicas. 

A maioria das montadoras aplica gel de contraste juntamente com o óleo PAG, fluindo pela tubulação do sistema de ar-condicionado. Isso facilita a identificação de vazamentos, que deixam uma mancha deste contraste. 

Com tudo instalado, é hora de testar e confirmar que não há vazamentos. Se tudo estiver certo, aplica-se o complemento de óleo PAG, devido ao redimensionamento do circuito. O procedimento é finalizado com a carga de gás R 134a.  

Em um veículo utilitário, a instalação do ar-condicionado é, basicamente, a mesma adotada no caso da ambulância. Outros setores como o de pet shop têm adotado veículos com sistema compartilhado de ar-condicionado para o transporte de animais com mais conforto.  

Alguns estados criam leis para a obrigação da instalação de ar-condicionado em ambulâncias, mas é preciso lembrar que não basta instalar. É fundamental que seja feita uma manutenção adequada para preservar o sistema e também a saúde dos ocupantes.  

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