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A importância do domínio da eletrônica na formação do técnico automotivo - parte 1

A eletrônica presente nos veículos está exigindo mão de obra muito mais qualificada, fazendo com que reparadores se tornem técnicos com conhecimento em eletrônica automotiva avançada

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Por André Miura - andremiura@chiptronic.com.br


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A eletrônica embarcada dos veículos veio a existir e trazer conforto e segurança aos motoristas e passageiros. Nos dias atuais é comum encontrarmos veículos com diversas centrais de comandos, tais como injeção eletrônica, ABS, imobilizador, entre muitos outros e sabemos que a intenção é sempre evoluir, caminhando lado a lado com a eletrônica e elétrica, ainda na era dos motores híbridos e elétricos. 

Entender de eletrônica hoje é vital para que as oficinas permaneçam vivas neste grande cenário de mudanças nas arquiteturas dos automóveis. É necessário ir além do básico, fazer serviços que poucos fazem, trazendo um diferencial para seu empreendimento. Estes serviços vão desde reparos de chicotes elétricos até a reparação das placas de circuitos eletrônicos dos veículos. Para isso, é indispensável que o profissional esteja sempre em constante evolução, se capacitando e adquirindo conhecimento sobre a eletrônica veicular. 

Nesta matéria iremos falar um pouco mais sobre os componentes eletrônicos, suas funcionalidades e testes. 

GRANDEZAS ELÉTRICAS
TENSÃO ELÉTRICA:
Denominada por ΔV, também conhecida como diferença de potencial (DDP) ou voltagem, é a diferença de potencial elétrico entre dois pontos ou a diferença em energia elétrica potencial por unidade de carga elétrica entre dois pontos. Sua unidade de medida é o volt (em homenagem ao físico italiano Alessandro Volta).

Para medir Tensão de corrente contínua devemos: 
1º- Colocar o multímetro na escala de Tensão Contínua. 

2º- Colocar as pontas de prova corretamente na fonte que desejamos medir a Tensão, lado positivo ponta vermelha, lado negativo ponta preta.

Fig. 1 – Medindo tensão
RESISTÊNCIA ELÉTRICA:
É a capacidade de um corpo qualquer se opor à passagem de corrente elétrica mesmo quando existe uma diferença de potencial aplicada. Seu cálculo é dado pela Primeira Lei de Ohm, e, segundo o Sistema Internacional de Unidades (SI), é medida em ohms.

Os resistores têm uma propriedade muito peculiar: quanto maior a seu valor, menor será a corrente elétrica que passa por ele.

Fig. 2 - Resistores
RESISTORES SMD (Surface Mounting Device):
À medida que o tempo passa menores são os equipamentos eletrônicos, e consequentemente os componentes também acompanham esse desenvolvimento. 

Hoje dentro dessa filosofia encontramos facilmente resistores SMD, esses componentes são pequenos, soldados na superfície da placa e possuem em seu corpo o valor nominal mais na forma de um código numérico ao invés de cores.

Fig. 3 – Resistores SMD
Em um resistor SMD com o valor igual a 2512 podemos associar os três primeiros números como dígito (2512) e o número dois é o multiplicador (100Ω), totalizando 25.100Ω. 

Para medir Resistência elétrica devemos: 
1º- Colocar o multímetro na escala de resistência 

2º- Colocar as duas pontas do multímetro nas extremidades do componente para obtermos o valor de resistência.

Fig. 4 – Medindo resistência
CORRENTE ELÉTRICA:
É o fluxo ordenado de partículas portadoras de carga elétrica, ou também, é o deslocamento de cargas dentro de um condutor, quando existe uma diferença de potencial elétrico entre as extremidades. Tal deslocamento procura restabelecer o equilíbrio desfeito pela ação de um campo elétrico ou outros meios (reação química, atrito, luz, etc.).

Para Medir Corrente elétrica devemos: 

1º- Abrir o circuito elétrico de um consumidor 

2º- Colocar a ponta vermelha na extremidade do circuito que está aberto e a ponta preta na outra extremidade como mostra a figura. 

Obs.: Teste de Corrente deve ser feito por no máximo dez segundos e para uma corrente máxima de Dez ampères.

Fig. 5 – Medindo corrente
CAPACITORES:
O Capacitor é um componente usado em quase todas as placas eletrônicas. Ele permite armazenar cargas elétricas na forma de um campo eletrostático e mantê-la durante certo tempo, mesmo que a alimentação seja retirada do circuito. Os Capacitores são usados em fontes de alimentação e em muitas placas eletrônicas, principalmente nas ECUs. 

A função mais comum de um Capacitor é estabilizar a corrente elétrica evitando oscilações que podem de certa danificar outros componentes dentro da placa.

Fig. 6 – Modelos de capacitores
Como testar um Capacitor Eletrolítico? 
Com o Multímetro na escala de Continuidade, coloque a ponta preta no terminal negativo do Capacitor (o lado negativo do capacitor geralmente vem com uma faixa de referência para indicá-lo) e ponta vermelha no outro terminal. Observaremos que o multímetro irá dar um aviso sonoro (bip) e logo em seguida parar; repita a operação invertendo agora os terminais do capacitor colocando a ponta vermelha no terminal negativo e ponta preta no positivo e perceba que também haverá um aviso sonoro (bip) que logo cessará. 

Esse procedimento nos indica que o capacitor está fazendo a função ao qual foi projetado, armazenado cargas elétricas e descarregando as mesmas.

DIODOS: O diodo é um dispositivo ou componente eletrônico composto de um material semicondutor de silício ou germânio numa película cristalina cujas faces opostas são dopadas por diferentes gases durante sua formação (elétrons e lacunas). 

Fig. 7 – Diodos
Existem dois tipos de diodos o Retificador e o Zener, ambos possuem polaridade em sua aplicação na placa para que façam a suas funções.

Como Testar um Diodo? 
Internamente o diodo tem uma barreira (zona de depleção) que separa os dois elementos, essa barreira faz com que se tenha uma queda de tensão quando o diodo é polarizado diretamente (como a imagem acima), essa queda de tensão pode variar de diodo para diodo, e também do material que é feito (silício ou germânio). Generalizando quando formos testar o componente, a medida ideal é que o valor fique entre 0,2v a 0,8v (utilizando o multímetro na escala de semicondutores).

Fig. 8 – Teste de diodo – Curso de eletrônica Chiptronic
OSCILOSCÓPIO:
O osciloscópio é um equipamento essencial para algumas análises automotivas, inclusive no reparo de centrais eletrônicas, pois com ele é possível fazer diagnósticos quanto ao tráfego de sinais elétricos no circuito elétrico. 

Por exemplo: com ele podemos identificar se o processador está enviando o pulso de disparo de uma bobina, se esse pulso está saindo do componente responsável e se está chegando até o conector do bocal da Central. 


Vejamos agora como podemos utilizar o osciloscópio e quais são seus ajustes mais importantes. Com esse entendimento será possível interpretar qualquer sinal em qualquer osciloscópio.

INTERPRETANDO O OSCILOSCÓPIO
Antes de fazer a leitura dos parâmetros da forma de onda medida, temos de verificar qual é o valor do ajuste da base de tempo e da escala de tensão que estão configuradas. No exemplo a seguir temos: 

BASE DE TEMPO: é igual 10 ms por divisão. Significa que a varredura horizontal leva 10 ms para varrer o espaço de uma divisão horizontal da tela. 

Fig. 9 – Funções osciloscópio
ESCALA DE TENSÃO:
5 V por divisão. Significa que uma variação de 5 V no sinal de entrada corresponde a uma divisão vertical da tela.

Como podemos observar no dia a dia, os veículos estão em constante evolução. Os sistemas elétricos e mecânicos estão cada vez mais complexos, tornando-se indispensável o conhecimento aprofundado nessas áreas. E o mecânico, em meio a toda essa evolução, deverá acompanhar a tecnologia, profissionalizando-se e especializando-se ainda mais nesse ramo, para então poder se tornar um técnico automotivo. Pois só assim conseguirá acompanhar o mercado!

Fig. 10 – Realizando testes com osciloscópio e simulador em módulo de injeção eletrônica
Enfim, todas essas tecnologias da eletrônica embarcada já estão batendo em nossa porta e, quem estiver melhor preparado para atendê-las, com certeza sairá na frente e se tornará referência no mercado!

 

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