Oficina Brasil


Diesel é o principal combustível utilizado na movimentação de pessoas e produtos

Transportes marítimos, hidroviários, ferroviários e rodoviários são modelos de transporte que utilizam motores Diesel devido a sua robustez, baixa manutenção e também pela eficiência do combustível

Por Antonio Gaspar de Oliveira

A estrutura do transporte no Brasil está centrada no uso intenso de caminhões que representam mais de 60% de tudo o que circula pelo país, e o consumo do diesel pode ser dividido em três grandes setores: 

  • O de transportes, representando mais de 75% do total consumido;  

  • O agropecuário, representado cerca de 16% do consumo;  

  • E o de transformação, que utiliza o produto na geração de energia elétrica e corresponde à cerca de 5% do consumo total de diesel.  

O biodiesel também tem participação como combustível nestes setores, podendo ser utilizado puro (B100) no de transformação, em geradores, e agropecuário, em tratores. No setor de transporte, que representa o maior consumo de óleo diesel, tem atualmente uma adição de biodiesel na proporção de 10%(B10).

Forma de obtenção do óleo diesel 

Por ser um derivado direto do petróleo, a obtenção do óleo diesel ocorre pelo método de separação de misturas homogêneas denominado destilação fracionada (utilizado quando a mistura apresenta mais de um líquido, como o caso do petróleo). 

O óleo diesel é obtido através da destilação do petróleo, em uma torre aquecida ocorre a destilação fracionada, ou refino do petróleo, baseado na diferença do ponto de ebulição entre cada componente extraído do petróleo.  

No caso do óleo diesel, a separação acontece quando a temperatura atinge níveis entre 220ºC e 380ºC e os outros componentes do petróleo são separados em outras faixas de temperatura e ebulição.

Variedades de óleo diesel  

A Agência Nacional de Petróleo (ANP), através de regulamentações, determina e controla os tipos de combustíveis no Brasil. A partir de 2011, o Diesel foi classificado de acordo com os níveis de enxofre: 

 

  • S10: diesel que apresenta 10 mg de enxofre por kg de óleo; 

  • S50: diesel que apresenta 50 mg de enxofre por kg de óleo; 

  • S500: diesel que apresenta 500 mg de enxofre por kg de óleo; 

  • S1800: diesel que apresenta 1800 mg de enxofre por kg de óleo. 

 

Óleo Diesel Comum e Extra Aditivado S10 e S50 

É um combustível para veículos com motores ciclo Diesel com baixo teor de Enxofre (S10: 10 ppm e S50: 50 ppm), utilizado essencialmente em veículos produzidos após 2012, que necessitam de um combustível mais puro para seu correto funcionamento. Possui coloração incolor à amarelada e não são aditivados. O Diesel S10 e S50 Extra Aditivado recebe aditivos detergentes, dispersantes, antiespumantes e anticorrosivos. 

Óleo Diesel Comum e Extra Aditivado S500 

É um combustível para veículos com motores ciclo Diesel, com limite de Enxofre especificado em 500 ppm, de coloração vermelha, e que não recebe nenhum tipo de aditivo. Está disponível para comercialização na maior parte do país e pode ser utilizado em veículos produzidos anteriormente a 2012. O Diesel S500 Extra Aditivado recebe aditivos detergentes, dispersantes, antiespumantes e anticorrosivos. 

Óleo Diesel Comum e Extra Aditivado S1800 

É um combustível para veículos com motores ciclo Diesel de uso não rodoviário, utilizado em usinas termoelétricas, mineração a céu aberto, transporte ferroviário, com limite de Enxofre de 1800 ppm, de coloração amarela ou laranja, podendo conter traços de marrom e que não recebe nenhum tipo de aditivo em sua versão comum, já a versão extra aditivada recebe aditivos detergentes, dispersantes, antiespumantes e anticorrosivos. 

Óleo Diesel Marítimo DMA / DMB 

É um combustível para embarcações marítimas, com limite de enxofre de 50000 ppm, de coloração avermelhada e que não recebe nenhum tipo de aditivo, com ponto de Fulgor de 60°C. 

Óleo Diesel Inverno 

É um combustível para motores ciclo Diesel que funcionam em baixas temperaturas (até -5°C), impedindo o entupimento dos filtros devido à boa fluidez, dispensando aditivação de anticongelantes, com limite de Enxofre de 500 ppm e bastante comercializado no Sul do país. 

Visando à redução de emissões, ficou determinado que a partir de 2014 apenas o S10 e o S50 poderiam ser comercializados, contribuindo com a redução dos níveis de gases de enxofre no ar. 

O enxofre contido no diesel forma gases tóxicos durante o processo de combustão que são lançados na atmosfera e contribuem para o aumento da poluição do ar e para a formação da chuva ácida. Lembrando que a adição de biodiesel no diesel promove a redução desses gases porque na formulação do biodiesel não tem a presença de enxofre. 

Todo avanço aplicado ao combustível é justificado pela evolução dos motores que devem funcionar de forma eficaz, com potência elevada e emissões de gases compatíveis com as legislações ambientais. 

A limitação dos níveis de emissões é baseada no PROCONVE - Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores - que é aplicado em etapas e como os veículos são produzidos para o mercado interno e para exportação, logo é preciso atender aos limites de emissões dos demais países e com isso temos uma ação global para o controle de emissões de gases de fontes móveis que são os veículos. 

O programa foi criado em 1986, baseado no padrão europeu de emissão, o Euro. As fases aplicadas aos veículos são identificadas pela letra P seguida por um número aplicado de acordo com a sua evolução, portanto o atual momento da legislação é o P7, equivalente ao Euro 5.  

Com a aplicação do programa, reduziu drasticamente o nível de emissão de poluentes lançados na atmosfera através dos escapamentos dos motores diesel.  

Comparando, um veículo Euro 0 ou fase 2 do Proconve emitia 50 vezes mais que é emitido por um veículo equipado com motor Euro 5. Isso significa uma redução de 88% nos níveis de monóxido de carbono e de 87% nos de óxido de nitrogênio. 

A indústria automotiva se empenhou para adequar os caminhões brasileiros aos padrões Euro 3 quando o país preferiu pular a fase Euro 4.  

Para atender ao Proconve na etapa P5, foi necessário aplicar avanços tecnológicos como injeção eletrônica de combustível sob alta pressão, turbo- compressores e intercoolers. Já na etapa P7 foi necessário o uso de um sistemas de pós-tratamento, SCR (Selective Catalytic Reduction), ou Redução Catalítica Seletiva, que utiliza um aditivo a base de ureia, denominado Arla 32.  

 
Atualmente estão em vigor no Brasil as seguintes fases:  

Fase P7 – veículos pesados – estabelecida pela Resolução CONAMA 403/2008, que entrou em vigor em janeiro de 2012; 

VEÍCULOS PESADOS – FASE P8  

Implementação: 

  • 2020 para ônibus urbanos;  

  • 2022 para os demais veículos.  

O PROCONVE determina os limites de emissões de poluentes, que serão realizados em etapas progressivas. Para os caminhões a nova fase será o P8, equivalente ao Euro 6. As mudanças realizadas no Proconve serão determinadas a cada cinco anos: 2022, 2027, 2032 e assim por diante. 

 

Diesel de cana 

O diesel de cana-de-açúcar é um combustível recente que é obtido através de um processo de produção similar ao do etanol, a diferença está na utilização de bactérias geneticamente alteradas que produzem um óleo muito similar ao diesel. 

É um hidrocarboneto puro com baixo nível de enxofre e os resultados comprovam que o diesel de cana em um motor Euro 5 chega a diminuir até 3% a emissão de CO2. 

Comentários