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Degradação do óleo diesel com baixos teores de enxofre S500 e S10 – causas e soluções

Se por um lado a redução do teor de enxofre no óleo diesel era uma medida mais do que necessária, os novos combustíveis apresentaram problemas graves e inesperados gerando enormes transtornos. Mas para todo mal, sempre há uma cura!

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Por Jorge Matsushima


Avaliação da Matéria

Na edição de Maio 2015, na seção Reparador Diesel levantamos os problemas mais recorrentes que envolvem a manutenção e reparação de veículos com motores diesel Euro V nas oficinas independentes. E entre os problemas, a degradação precoce dos novos combustíveis (Foto 1) S10 B7 (motores Euro V) que contém 10 partes por milhão de enxofre e adição de 7% de Biodiesel; e S500 B7 (motores Euro III) que contém 500 partes por milhão de enxofre e adição de 7% de Biodiesel; era provavelmente a fonte de maior preocupação.

Em busca de respostas objetivas, coletamos informações junto à uma empresa especializada no assunto, a Actioil Produtos Químicos, braço brasileiro da ActioilInternational, que tem se destacado na solução deste problema junto a todos integrantes da cadeia do diesel, incluindo refinarias, distribuidoras, transportadoras, postos, montadoras de veículos, tratores e máquinas agrícolas, frotistas e motoristas autônomos, usuários de equipamentos diesel, concessionárias e prestadores de serviços de manutenção e reparação. De origem francesa, a Actioil tem atuação na Europa, África, Ásia e América Latina, com base nos 40 anos de experiência na indústria petroquímica de seus executivos fundadores. O foco da companhia é eliminar os desperdícios de energia e problemas relacionados ao uso, manutenção e armazenagem do Diesel.

Colaborou com a matéria o Diretor Presidente da Actioil para o Brasil e América Latina, Sr. Gilles Laurent Grimberg (foto 2), que tem especial apreço pelos caminhoneiros e motoristas autônomos e reparadores independentes, pois em sua visão são os que mais sofrem com as consequências diretas destes problemas, e os que mais necessitam de informações e esclarecimentos para enfrentá-los de forma correta e eficiente.

As vantagens do diesel ecologicamente mais limpo - A redução do teor de enxofre é benéfica para o ser humano e a queima de biodiesel em lugar de combustível fóssil reduz a emissão de gases de efeito estufa. Com menos enxofre na combustão, reduzimos a emissão de Nox (cancerígeno) e reduzimos a produção de ácido sulfúrico que corrói tanques e componentes do motor. A perda da lubricidade pela retirada do enxofre é compensada em parte pela adição do Biodiesel.

AS REAÇÕES INDESEJADAS

A degradação precoce dos novos combustíveis começa pela adição do biodiesel, que é higroscópico, ou seja, absorve água da atmosfera, e aí um ciclo de problemas tem início. A água absorvida pelo biodiesel se condensa, forma uma borra e vai para o fundo do tanque ou reservatório (foto 3) e cria uma camada propícia para a proliferação de microrganismos, que se proliferam alimentados pelos nutrientes contidos no diesel e biodiesel. O enxofre, antes abundante nos combustíveis antigos, seria um repelente natural para o processo, mas causaria mais prejuízos à saúde humana. Por esta explicação é intuitivo perceber que o diesel S10 B7 com baixíssimo teor de enxofre, é mais susceptível ao problema do que o S500 B7, que contém 50 vezes mais enxofre, mas também apresenta os problemas de degradação por contaminação bacteriana.

Amostras de Diesel S10 B7 limpo quando sai da refinaria (foto 4) e degradado ao longo da cadeia de distribuição (foto 5) e S500 B7 limpo (foto 6) e degradado (foto 7).

As consequências nos motores - A água condensada e o material degradado fica na parte de baixo do tanque (foto 8), formando borras exatamente onde o pescador da bomba suga o combustível. No filtro ele começa a depositar a goma até a sua saturação (foto 9), avança pelos componentes da injeção, e onde houver a ocorrência de altas temperaturas como nos injetores por exemplo, essa goma se transforma em verniz (foto 10), comprometendo o funcionamento correto do sistema. Além do entupimento, a umidade contida na mistura corrói e ataca os componentes que trabalham com tolerâncias mínimas. O resultado é a perda de eficiência e potência; aumento do consumo e emissões de poluentes; desgaste e quebra prematura de componentes por entupimento ou corrosão; aumento da frequência e gastos com manutenção.

Outra grave consequência é a presença de partículas metálicas presentes no combustível (foto 11), cuja origem está na oxidação das paredes internas de tanques e reservatórios de combustível, atacados pela umidade absorvida pelo biodiesel e condensada dentro destes reservatórios. Essas limalhas metálicas, altamente nocivas aos componentes internos do sistema de injeção eletrônica diesel, podem ser retidas com alguma eficiência pelos filtros originais que normalmente usam trama de 5 micras. Mas por questões de custo, muitos usuários recorrem a filtros de segunda linha, mas que usam trama de 20 micras. O resultado é desastroso, pois as limalhas acabam danificando injetores, bombas e outros componentes de alto custo. Sobre este tema, Gilles reforça que manter a originalidade é sempre uma premissa básica. Não adianta tratar o diesel com Actioil e depois usar filtros ou componentes de baixa qualidade. 

POSSÍVEIS SOLUÇÕES

Para cada problema, existe um produto equivalente que pode resolver, tais como detergentes, dispersantes, biocida, antioxidante, booster de cetano ou de octanagem, entre outros.

A Actioil começou a buscar uma solução na Bélgica para atender a Total Francesa, que fornecia diesel para a Volvo Trucks e começava a enfrentar os problemas de degradação na operação de primeiro abastecimento dos caminhões. A indústria petrolífera de um modo geral alega (com alguma razão) que entrega um combustível puro e dentro dos padrões, e que o problema de degradação não é dela, e sim decorrente da falta de cuidados com o correto manuseio do combustível com baixos teores de enxofre. 

O TRATAMENTO A550

Estudando a fundo o problema, a Actioil resolveu criar um produto multifuncional e com ação prolongada, evitando a criação de um simples aditivo a ser adicionado em cada abastecimento, pois isto oneraria os custos operacionais dos usuários.

Nasceu assim o sistema de tratamento Actioil A550 que é aplicada a cada 6 meses ou 60.000km rodados, ou a cada 250 horas de funcionamento para máquinas e equipamentos com horímetro. Esta estratégia acertada foi o diferencial para a Actioil ser homologada por diversas montadoras e empresas ao redor do mundo, e já se tornou um produto obrigatório nas rotinas de manutenção de diversas montadoras, cada uma delas com marca própria, mas todas com a mesma composição A550. O grande trunfo foi reunir diversos agentes em um só produto com equilíbrio e eficiência.

Segundo Gilles, o produto atua em 22 funções, com destaque para as ações biocida; antioxidante; anticorrosiva; melhoria da lubricidade; antiparafina e corretor de cetano.

COMO FUNCIONA

O principal foco do produto é reestabelecer as características originais do óleo diesel, corrigindo os efeitos da degradação já iniciada; protegendo o sistema contra corrosão criando uma nano camada de proteção; e prolongando a estabilidade do diesel armazenado, evitando que ele volte a se degradar. A durabilidade normal de um Diesel S10 ou S550 que é de apenas 30 dias, passa a 9 meses com o tratamento A550.

Para uma mera ilustração, a sequência de imagens mostra um filtro de combustível (S10) retirado com apenas 5.000km rodados e já impregnado de borra bacteriana (foto 12), limpeza superficial com Actioil A550 que não é corrosivo (foto 13); filtro limpo mostrando potencial de ação do produto (foto 14).

Gilles prega que a Actioil vende serviços, e não apenas produto, e isso se traduz em um esforço para levar informações ao mercado, na forma de treinamento e assessoria técnica, principalmente para os profissionais envolvidos com a reparação de motores diesel, levando o conhecimento sobre as causas do problema e como solucioná-las caso a caso. Como exemplo, a empresa oferece suporte desde condomínios e hospitais que utilizam geradores e precisam redobrar os cuidados ambientais, fazendo análise de fumaça antes e depois do tratamento; passando por frotistas, concessionárias e reparadores independentes, e atendendo até grandes usinas de geração elétrica por motores diesel.

TRANSPARÊNCIA

Gilles deixa claro que o tratamento não reduz consumo. Ele apenas restabelece as propriedades originais de funcionamento do motor diesel, e com isso a economia é decorrente da eliminação do desperdício de combustível causada em motores trabalhando com o diesel degradado. O filtro por exemplo, o fabricante recomenda a troca com 30.000 km, mas na prática muitos condutores estão trocando com 15.000km. Com o tratamento A550 ele pode trocar na especificação original, eliminando o gasto extra.

Exemplo de empresas que já utilizam, e recomendam por escrito o tratamento Actioil: Petrobras Distribuidora; Case; New Holland; LS Tractor; Iveco; Renault Trucks; Volvo Trucks; Mercedes Benz; JCB; Pesa-CAT;Sotreq-CAT; Motormac; entre outros. 

O produto está devidamente regularizado junto ao Ibama, pois não altera o índice de emissões de poluentes; e autorizado pela ANP.

Mais informações sobre o tratamento Actioil A550 podem ser obtidos no site www.actioil.com.br .

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