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A sua moto apresenta sinais de necessidade de manutenção, mas como fazer a interpretação?

A cultura do diagnóstico de ouvido nem sempre alcança bons resultados, engana-se quem pensa que o ruído é um aviso para a manutenção preventiva, na verdade o ruído avisa que o problema já está instalado

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Por Paulo José de Sousa


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Alguns reparadores e até os motociclistas mais entusiasmados defendem que a moto “fala”. Esse “dito popular” refere-se a um aviso indicando que algo não vai bem na motocicleta. Podemos assegurar que o “tic tic”, o “tec tec”, rangidos e outros ruídos interpretados como “diálogos” estão relacionados a sintomas de mau funcionamento. Geralmente esses “alertas” resultam de problemas presentes. Na maioria das vezes as anomalias são ocasionadas por folgas excessivas, borrachas ressecadas e atrito metal com metal resultante da deficiência ou ausência de lubrificante.

Sendo assim, é razoável pensar que não há vantagem em esperar a moto “reclamar” um defeito. É certo que a maioria das panes podem ser detectadas e solucionadas durante as revisões preventivas. Outra vantagem é que a manutenção preventiva é mais barata que a corretiva.

Hoje o nosso papo é sobre suspensão traseira.  Rangidos e batidas são avisos que o pior já aconteceu. Na suspensão não seria diferente, os diversos tipos de ruídos e comportamentos indicam que há problemas.

As folgas nos conjuntos e a falta de lubrificante ocasionam instabilidade direcional, vibrações e rangidos. Falhas no funcionamento da suspensão interferem diretamente na segurança e conforto do condutor.

Nas motocicletas, desde a mais simples até a mais complexa a suspensão traseira precisa de atenção. Os dispositivos são lubrificados com graxa a base de sabão de lítio, graxa de molibdênio e outras especiais. Os componentes como: bronzinas, links (articulações) roletes e buchas não perdoam a falta de lubrificante, logo apresentam folgas e rangidos. Mas não é só lubrificar, durante a manutenção preventiva o reparador deve analisar e reparar os sistemas de vedação e realizar a lubrificação. O intervalo e a especificação do tipo de lubrificante são definidos por modelo e marca de motocicleta. 

Falhas nas vedações (retentores) da suspensão podem ser considerados fatores agravantes que ocasionarão desgastes nos links. 

O lubrificante logo desaparece e dá lugar a água e pó, assim inicia-se o processo de corrosão e desgastes das buchas, roletes, eixos e outros.

Algumas motocicletas possuem graxeira na balança, o bico possibilita que a graxa seja injetada por pressão por meio de uma bomba propulsora pneumática (engraxadeira de pressão). 

Nem todas as motocicletas possuem esse recurso, portanto será necessário remover os componentes da suspensão e efetuar a lubrificação ponto a ponto.

Ao desmontar a suspensão, analise a balança (quadro elástico), buchas, eixos, e também aproveite para verificar se há empenamentos, oxidações e trincas. 

A instabilidade da motocicleta é mais preocupante que os ruídos.

Os problemas da suspensão desestabilizam a motocicleta nas médias e altas velocidades, podendo ocasionar acidentes. 

A instabilidade da motocicleta pode ter as seguintes causas:

• Folga nas buchas do quadro elástico

Quando o motociclista diz que a motocicleta “dança” ao acelerar ou frear a motocicleta pode significar oscilações laterais no quadro elástico (balança) da motocicleta. O comportamento anormal pode estar relacionado à folga do conjunto: eixo, buchas e balança. Ao acelerar a motocicleta a corrente traciona e conduz a balança para uma direção, ao acionar o freio traseiro o quadro elástico tende para o outro lado. Nessa condição, a oscilação lateral acarretará instabilidade na motocicleta. Atenção: quando os parafusos da balança estão soltos também ocorre o mesmo sintoma. 

• Defeito (s) no (s) amortecedor (es)

O amortecedor segura a reação da mola, sem a ação do amortecedor, ocorre o efeito mola, a moto fica “pulando” em qualquer desnível do asfalto. Dependendo da velocidade da motocicleta e da condição do piso, o motociclista e sua moto serão projetados para fora da trajetória de uma curva. 

Amortecedor com vazamento de óleo e/ou amortecedor empenado não asseguram estabilidade durante a condução do veículo. Nas motocicletas que utilizam dois amortecedores na suspensão traseira a substituição deve ser feita aos pares.

Batidas no final do curso do amortecedor, coxins e buchas ressecados e rompidos

Além do ruído (rangido), esses defeitos podem ter como causa a utilização de produtos aplicados na limpeza da motocicleta. Outras causas podem estar relacionadas ao excesso de peso transportado, condição das ruas esburacadas. Os coxins têm a função de absorver vibrações e trancos na suspensão. 

Ajuste da pressão da mola do amortecedor traseiro

Falta de ajuste da pressão da mola, ou ajustes inadequados tornam a condução insegura e inconfortável. Ou a suspensão fica muito dura, ou mole demais.  Em geral quando são transportadas duas pessoas a posição de ajuste deve ficar próxima da mais alta (mais dura). Em motocicletas que transportam apenas o condutor a posição de ajuste será uma das primeiras (mais macia). Alguns motociclistas não entendem o objetivo do ajustador e confundem com regulagem de altura da motocicleta. Esse tipo de ajuste também deve ser realizado nas motocicletas com dois amortecedores na traseira. 

Suspensão traseira de Scooter

No Scooter a suspensão traseira é incorporada à carcaça do CVT, falhas no sistema de amortecimento podem ocasionar trincas na carcaça do CVT.

Esteja atento: Cuidado, não confunda, a instabilidade durante a pilotagem da motocicleta e ruídos vindos da direção da roda também podem ser ocasionados pela baixa pressão do pneu e folgas nos rolamentos. 

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