Oficina Brasil


Saiba qual a frequência com que os diversos componentes e peças são trocados nas oficinas

Uma informação relevante para o estudo da demanda, e das ações de promoção e logística dentro da cadeia de valor da reposição automotiva independente

Por Equipe CINAU

Quem está acostumado com processos de melhoria contínua e gestão da qualidade conhece bem o conceito de 5W2H, que resume informações relativas a um problema ou necessidade da empresa e orienta os possíveis caminhos para a solução do problema. 

Esta sigla, em inglês, se refere a 5 perguntas que começam com W e 2 perguntas que começam com H, e são elas: 

What? – o que deve ser feito? 

Why? – por que deve ser feito? 

Where? – onde será feito? 

When? – quando será feito? 

Who? – quem fará? 

How? – como será feito? 

How much? – quanto custará? 

Trata-se de uma sequência lógica, que pode ser aplicada até às coisas mais simples do nosso cotidiano e ajuda na organização e priorização de tarefas. Já no âmbito do estudo sistemático da demanda nas oficinas mecânicas independentes de reparação mecânica de automóveis e comerciais leves, algumas respostas já estão implícitas na própria pergunta, como por exemplo: o quê, o por que, o onde, quem, como e por quanto, já que quase todas desaguam ou no veículo do cliente, ou no reparador ou na oficina. 

Contudo, a resposta sobre o quando será feito envolve duas análises distintas. A primeira é sobre o ciclo de vida do produto, ou quanto dura cada componente, e a segunda diz respeito à frequência com que cada tipo de reparo aparece na oficina. 

Para responder à primeira questão, sobre o ciclo de vida do produto, é preciso distinguir claramente o que é o ciclo teórico do ciclo empírico. 

Ciclo de vida teórico é aquele calculado pela Engenharia do fabricante do componente, que considera o potencial de duração da peça antes de sua falha, que é regido por dois grandes conceitos: o MTBF (do inglês mean time between failures ou tempo médio entre falhas) e o MTTR (do inglês mean time thru repair, ou tempo médio até o reparo), e dessa forma fica evidente que haverá falha e haverá reparo no ciclo de vida de qualquer componente. 

Já o ciclo de vida empírico é aquele que utiliza os dados da realidade, do dia-a-dia da utilização de um componente, obtidos a partir da experiência de campo e, no nosso caso específico, a partir das oficinas mecânicas independentes que reportam a quantidade de cada componente trocado por mês e que são modelados pela CINAU – Central de Inteligência Automotiva para composição dos potenciais demandantes e do simulador de demanda, ferramenta única e exclusiva que pode ser consultada em www.oficinabrasil.com.br/simulador. 

FREQUÊNCIAS 

A seguir apresentamos os gráficos relativos à frequência com que cada componente/peça/sistema aparece na oficina para ser trocado. Alguns pontos precisam ser levados em consideração na análise dos gráficos, dentre eles: 

1- Intervalos: após pesquisa qualitativa realizada junto a diversas oficinas optamos por apresentar sete faixas de intervalos, a saber: diário, a cada 2 dias, semanal, quinzenal, mensal, semestral e anual. Resta evidente que o intervalo entre a cada 2 dias e semanal pode variar de 3 a 7 dias, assim como o intervalo de semanal a quinzenal comporta números entre 8 a 15, e assim sucessivamente. Assim, estes limites servem como baliza para avaliar a “popularidade” dos itens no dia-a-dia da oficina. 

2- Sazonalidade: não avaliamos efeitos sazonais na apuração das frequências, como por exemplo o aumento das chuvas em relação aos ciclos das palhetas de para-brisa, cujo ciclo apresentado é o geral, sem sazonalidade. 

3- Especialidade da oficina: nesta análise não segregamos os valores pela especialidade da oficina, avaliando-as com igual peso. Oficinas especializadas em motores, ou mesmo retíficas, terão ciclos em anéis, bronzinas, pistões e juntas de motor completamente diferentes daquelas cuja principal especialidade seja suspensão e direção. 

Além disso, para sumarizar as análises é possível agrupar as 3 primeiras faixas apresentadas em cada gráfico para entender a dinâmica do produto na oficina. No exemplo mostrado acima com filtros de óleo, é possível inferir que trata-se de um componente extremamente demandado na oficina, visto que mais de 80% das trocas ocorre entre todo dia e a cada 2 dias. E se estendermos a análise para “cada semana”, vamos encontrar que 92,5% das oficinas afirmam trocar filtro de óleo entre “todo dia” e a “cada semana”. 

Feitas essas ressalvas, as representações nos gráficos trazem o maior estudo já realizado no Brasil, com 49 categorias de produtos. Esta pesquisa, que é propriedade da CINAU, tem como base uma metodologia científica elaborada pelo corpo de pesquisadores e estatísticos próprios, não delegadas a terceiros não familiares ao setor uma coleta e análise de dados que por fim se assemelha a uma colcha de retalhos, sem lógica nem consistência. Uma das regras mais caras à estatística é que se a coleta é ruim, os resultados não têm como ser bons. Usando uma expressão das mídias sociais: #ficaadica.  

 

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