Oficina Brasil


Quem sabe o tamanho do mercado de autopeças vendidas pela internet no Brasil?

Lojas e market places de venda de autopeças online existem dezenas, porém no que se refere a volumes efetivos de vendas observamos discursos genéricos e nenhum dado concreto, exceção feita ao Mercado Livre que recentemente divulgou seu faturamento em autopeças. Diante desta realidade, a CINAU iniciou uma pesquisa, que visa estimar o tamanho real do mercado de vendas online de autopeças

Por Equipe CINAU

A revolução digital é uma realidade que mudou definitivamente a forma de fazer negócios em muitas indústrias, as vezes de maneira traumática, que fez surgir o neologismo “disruptiva” para nominar a velocidade e, em alguns casos, a violência do processo, que atropela os players mais tradicionais, obrigando-os a reinventarem-se para permanecer no mercado.  Por outro lado, este ambiente de salve-se quem puder, ainda não se observa no aftermarket automotivo aonde, aparentemente, as coisas estão andando bem mais devagar e sem uma perspectiva de “disrupção” mais à frente.   

Afinal quem está “travando” o deslanche da venda de peças pela internet? Há algum responsável? Trata-se de um bloqueio “cultural”? São as indústrias de autopeças, os distribuidores as lojas ou as oficinas? 

Para tentar explicar o que acontece em nosso segmento a equipe da CINAU resolveu reunir dados para formular uma estimativa do tamanho desse mercado “de baixo para cima”, ou seja, a partir da oficina. Assim, se nosso estudo estiver coerente em seus fundamentos e dados levantados, a lentidão do avanço das vendas online de autopeças no mercado profissional tem origem na oficina. Diante dos fatos constatados neste estudo não enxergamos condições do mercado de autopeças, num futuro próximo ou mesmo mais distante, mudar seu eixo do mundo físico composto por estabelecimentos de cimento, argamassa e motoboy, para o digital.  

Para compor nossa pesquisa, partimos da premissa que o maior consumidor de autopeças automotivas é a oficina mecânica, assim colocamos o foco de nosso estudo neste elo da cadeia de autopeças identificando e mensurando o hábito de compra de autopeças por parte da oficina reparador em aspectos quantitativos e qualitativos.  

Pelo aspecto “quantitativo” procuramos compor o volume total de compras de autopeças pelo canal digital, e confrontar este número com o total de autopeças consumidas pelas oficinas mecânicas (linha leve e comercial leve) e assim extrair o market share deste novo canal. De posse deste número construído “de baixo para cima” confrontamos com o faturamento declarado do Mercado Livre.  

Na sequência do estudo, envolvemos o que denominamos os aspectos “qualitativos” onde procuramos ouvir o depoimento de oficinas e das próprias lojas e Market Places para avaliar se os depoimentos fazem sentido diante dos números identificados.  Aparentemente, houve sincronia entre o que dizem as oficinas para justificar o baixo market share do canal digital. Este sincronismo entre os aspectos quantitativos e qualitativos de nosso estudo oferecem uma sinalização positiva em prol da coerência necessária em um estudo inédito com este. Por outro lado o mutismo das lojas e market places,  que se negaram a revelar números para nossa reportagem sinalizam que os negócios não devem estar fluindo,  pelo menos na direção das oficinas.     

Análise quantitativa  

O ponto de partida foi nosso “IGD” (Indicador de Geração de Demanda) que desde 2009 mede a preferência de compra da oficina em relação aos seus principais canais de abastecimento de autopeças que são, as Lojas, Distribuidores, Concessionárias, Internet, Importadores e as “peças trazidas” pelo dono do carro.  

Veja no gráfico abaixo, que o IGD, nos últimos quatro meses indica uma média de 2% das peças compradas, pela oficina, na internet.  

Porém para compormos uma estimativa das compras totais de autopeças pelo canal digital, temos que levam em conta mais um fator, a “peça trazida” pelo dono do carro para ser aplicada pelo reparador. Importante, considerar que quando o reparador delega a compra da peça para o cliente já fica implícito que o prazo do conserto é mais elástico, pois majoritariamente o carro tem que sair logo da oficina, tanto pela necessidade do próprio dono do carro que não pode prescindir de seu principal meio de transporte\trabalho, quanto o dono da oficina que carro parado ocupa espaço e representa “lucro cessante”. 

Esta pequena parcela de oficinas que trabalham com a “peça trazida” caminha na contramão da produtividade, mas é a saída para donos de carros com baixo poder aquisitivo (e muito tempo disponível). Esta situação é real no setor, porém em dimensões diminutas, o que é explicável pois cria um verdadeiro círculo de desfazimento de valor, na indústria da reparação automotiva, que compromete a produtividade dos serviços, satisfação do cliente e rentabilidade da oficina.  

No infográfico abaixo, o leitor poderá comprovar a “memória de cálculo” que permitiu o dimensionamento deste mercado. Pelos dados da CINAU, hoje a compra direta média das oficinas no ambiente online atinge o patamar de X%. Para compor o numero final de peças que chagam a oficina via o ambiente online, arbitramos que das “peças trazidas” 50% dos donos adquiriram os produtos na internet. Assim, na média geral, Y% das peças chegaram na oficina via lojas digitais e Market Places, logo este seria o market share do canal digital.  

Ainda na análise do infográfico ao transformarmos os pontos percentuais do market share do canal digital, em volumes financeiros chegamos a conclusão que este canal movimenta algo em torno de R$ 800 milhões/ano. Será que este número faz sentido? 

Para termos certeza da consistência de nossa estimativa o mais fácil seria confrontarmos as cifras da CINAU com o volume de vendas declarados pelas lojas virtuais e Market places, porém este dado não está disponível, com exceção do Mercado Livre... 

Mercado Livre: uma referência 

Para aqueles que discordam de nosso estudo podemos argumentar,  que nossa metodologia é bem clara e transparente, porém admitimos que estes elementos podem não ser suficientes e neste sentido a equipe da CINAU e o jornal Oficina Brasil ficam a disposição dos interessados em contribuir na construção deste modelo de levantamento para dimensionar o real tamanho do mercado de venda de autopeças pela internet. 

Aliás, se todas as lojas e Market Places adotassem o comportamento do Mercado Livre, divulgando seus faturamentos de forma auditada, já teríamos um ponto de partida definido, mas não é isso que acontece na prática. 

Buscando a colaboração de todos os envolvidos, nossa reportagem tentou contato com as principais lojas e Market Places porém, até o fechamento desta edição, nenhum deles se dispôs a informar seus números de vendas para o publico profissional (veja a relação abaixo).  

Voltando ao Mercado Livre, este Market Place, que é líder absoluto na América Latina, no mês de abril em um evento em parceria com um fabricante de autopeças, realizou uma coletiva de imprensa onde divulgou seus principais números de vendas para o segmento automotivo (veja quadro abaixo). 

Ao contrapormos o número públicos do Mercado Livre com o “tamanho” do mercado de vendas de autopeças pela internet identificado neste estudo da CINAU vamos chegar conclusão que este Market Place é disparado o líder das vendas e responsável por quase 100% das vendas de autopeças on line no Brasil, para o publico profissional.   

Reforça esta constatação o fato de que na última pesquisa realizada pela CINAU sobre o comportamento do reparador no ambiente on line, a indicação de que, entre os reparadores que compravam na internet, mais de 80% o faziam no Mercado Livre.  

Análise qualitativa 

Uma vez dimensionado o tamanho do mercado pela análise quantitativa acima, partimos para uma séria de entrevistas com reparadores para entender se existe mesmo uma resistência em comprar peças pela internet e se este comportamento é fruto de simples “conservadorismo”, explicado pela idade média dos donos de oficinas no Brasil, em torno de 40 anos (segundo dados do database do Oficina Brasil) ou tem raízes mais profundas. 

A impressão que se tinha, antes de conversar com os reparadores, era que se de uma hora para outra todos estes “quarentões analógicos” donos das oficinas, se aposentassem e seus filhos (a “turbinada” geração “Y”) assumissem o comando dos negócios, as vendas de autopeças pela internet disparariam, afinal os “Y”, são tão conectados que aparentemente acreditam mais no mundo virtual da rede do que na realidade tridimensional do ambiente físico.  

Mas a conclusão que chegamos (ratificada pelos depoimentos e dados da CINAU) é que nem os quarentões são tão analógicos como se pensa (muito pelo contrário), tampouco os “y”, conseguiram mudar o processo, que atende a uma “lógica  fabril” e que rege a definição dos fornecedores de autopeças para as oficinas independentes. 

Resumidamente o que se conclui é o seguinte: 

- os reparadores estão 100% conectados na web e da rede extraem tudo o que podem para facilitar sua difícil rotina de reparo, assim, buscam de informações técnicas e neste ponto a rede tem sido uma mão na roda. A presença na web também acontece, em um número menor, como instrumento de marketing para divulgação da oficina. No mais são também são compradores on line, de itens “normais” como qualquer outro mortal no dias de hoje, porém, não enxergam vantagem na compra de autopeças por este canal, pois não percebem ganho de produtividade para seus negócios.  

Lendo os depoimentos a conclusão que se chega é que a autopeça é um insumo básico da oficina, assim,  ela é tratada com total atenção, e como acontecem nas grandes indústrias que implementam sistemas “just in time” de fornecimento de seus insumos, para a oficina  a peça tem que estar disponível,  num ritmo,  num timing,  numa precisão com todo um suporte de pré e pós venda, que a internet ainda não pode oferecer, se comprado aos seus fornecedores tradicionais.   

Depoimentos 

Confira nossa percepção nos depoimentos abaixo. 

M Bento Automotivo - Nesta tradicional oficina do bairro Parque Monteiro Alves e que atende em média 180 veículos por mês, conversamos com o proprietário Marcos Bento. A seguir os principais trechos de sua entrevista: 

 “A Bento Automotivo existe desde maio de 1990. A compra pela internet se dá raramente, só quando não encontramos a peça na rede de distribuidoras e concessionária. Não compramos por alguns motivos: peça chegar errada e garantia para repassarmos para nossos clientes. Temos parceiros fixos, efetuamos as compras em distribuidores da Rede Bosch. Não tem como ter um fornecedor único devido ao estoque dos distribuidores. Temos a necessidade de comprar as peças o mais rápido possível porque hoje não temos mais como fazer estoque por dois motivos: espaço físico e quantidade de variedade de veículos.  Para a empresa, o que pode melhorar nas vendas pela internet é uma linha de telefone (contato) direto para tirar dúvidas, entrega imediata, prazo de garantia que temos que repassar para os nossos clientes”. 

 O segundo depoimento é de uma grande empresa de reparação localizada na Mooca, a Mecânica do Gato, onde ouvimos seu diretor e proprietário César Samos: 

“Entendemos que a venda de peças pela internet é um caminho sem volta, abre uma grande gama de opções, mas exige cuidados antes da compra, pois percebemos que há fornecedores bons e ruins. Como regra, nós não compramos peças pela internet, somente em último caso, quando nossos fornecedores não conseguem nos atender em algum item. Nossa demanda de compras está dividida entre distribuidores, concessionárias e varejo. Temos muitos fornecedores, considerados fixos, além de vários outros esporádicos, dependendo do item necessário naquele momento. Atualmente, para as oficinas é difícil ter um único fornecedor devido à variedade de modelos em circulação, nenhuma empresa, por maior que seja, consegue atender a toda esta demanda, mas sempre buscamos parceiros comerciais que nos atendam da forma mais rápida e com os melhores custos, assim, temos vários fornecedores com este perfil. 

O maior empecilho na compra online é o prazo de entrega. O principal ponto a melhorar na internet é a comunicação entre fornecedor e comprador para eventuais dúvidas nas características dos produtos”. 

 Outra oficina que se dispôs a participar de nosso levantamento quantitativo foi o Auto Elétrico e Mecânica MP, localizado no bairro Cambuci e que atende em média 83 veículos por mês. Falamos com o proprietário Marcelo Pontello:  

“Não confio em peças vendidas na internet. Em último caso compro e, mesmo assim, eu caio na internet correndo o risco. Isso porque vem peça errada, vem com qualidade ruim. No Mercado Livre, por exemplo, a maioria das peças você não sabe a procedência. Não compro nada ilícito. Na rotina do dia a dia, meu fornecedor me entrega em meia hora, 40 minutos. Algo crucial, porque além de ser uma oficina pequena, preciso de rotatividade. Hoje, a oficina não tem mais aquele serviço pesado, tem que ser rápido. Então, entra um carro de uma marca, sei onde tem a peça dele no meu fornecedor. Vou no meu parceiro, pago mais caro, mas tenho segurança na compra. A internet está em tudo, e fazemos tudo pelo celular, mas a compra de peças não é viável.  Já quando o cliente recebe o orçamento, pesquisa preços, deixo-o livre para escolher, se ele quer comprar a peça, ele compra. Agora, se vier errado, a pessoa vai trocar e se der problema, a responsabilidade é dele”. 

 Nosso quarto entrevistado é Carlos Eduardo Biazão,  proprietário da oficina Automotrix Serviços Automotivos, localizado no bairro Cambuci e atende em média 83 carro por mês:.  

“A Internet serve mais para consulta de preço e para peças que não acho com tanta facilidade na autopeça. Uso em casos específicos porque o frete é caro, demora para chegar, a procedência é duvidosa. Eu compro mais em autopeças, distribuidor e concessionária. Pela internet não dá para contar com a peça no dia determinado para o cliente. Oficina parada é dinheiro parado, fora a dor de cabeça. 

Quando o cliente traz a peça, eu instalo, mas me omito da responsabilidade e da garantia da peça. Se der problema, o cliente tem a responsabilidade. Se o cliente tem urgência, eu compro na autopeça, que me traz em uma hora. Ou seja, o fornecedor que me atende no dia a dia é o elo. Minha prateleira é a autopeça.” 

 Mais um depoimento, sobre a relação da oficina com o comercio eletrônico de autopeças, desta feita é a oficina Auto Kaneko, localizada no bairro Vila Mariana e que atende em média 110 veículos por mês, onde falamos com seu proprietário Hiromi Kaneko:  

“Eu compro peça pela internet em último caso, em especial, peça de carro importado que não se acha em lugar nenhum. Por exemplo: um módulo de injeção eletrônica de um carro importado. Em relação à procedência, cabe à Receita Federal investigar as empresas que vendem as peças. A gente acredita no anúncio que a pessoa coloca, por exemplo, no Mercado Livre. No dia a dia dificilmente compro, porque tenho fornecedores, concessionários, distribuidores porque tenho um bom relacionamento. O parceiro que se propõe a ir atrás da peça, buscar, trazer até a oficina. Peças de rotatividade do dia a dia não vou comprar na internet. Se as empresas criassem um vínculo, parceria para peças de giro, pensaríamos em comprar, mas atualmente não. Hoje no meu parceiro, se peço de manhã, ele entrega de tarde, porque vou esperar no outro dia? Existem distribuidores que se atentaram a isso, na agilidade e rapidez na entrega. Algo que fideliza o cliente. Aquele processo de anotar pedido, mandar pela transportadora já não tem como mais acontecer, isso porque ninguém faz estoque de volume considerável”. 

 Um outro depoimento ilustrativo é do proprietário do Centro Automotivo Barba, localizado no bairro Vila Independência. Conversamos com o proprietário da empresa Kanan Barba:  

“O Centro Automotivo Barba existe desde 1976. Compramos pela internet uma vez ao mês, frequência baixa. Em se tratando de compras de peças pela online, existe o empecilho dos prazos de entrega. 

Temos parceiros fixos, em que são feitas as cotações com pelo menos dois fornecedores diferentes. Ter um único fornecedor é vantajoso pois você economiza tempo, e esse fornecedor tem o conhecimento dos produtos que você mais compra e tem mais necessidade, podendo assim agregar maior valor às vendas. Quando o cliente traz a peça, conferimos para ver se está correta e informamos que caso, após a desmontagem, estiver incorreta, que ele esteja à disposição para efetuar a troca o quanto antes. Outra coisa que informamos é que caso a peça venha a falhar ou apresentar defeito, não oferecemos garantia do custo da mão de obra já realizada. A compra via internet ainda é nosso último recurso caso não encontremos a peça desejada através dos nossos fornecedores tradicionais. No entanto, para carros importados em que algumas peças são mais baratas no exterior do que aqui no Brasil, optamos por comprar fora.” 

 Para finalizar esta etapa qualitativa de nosso estudo de mercado ouvimos o proprietário da oficina Mecânica Automottiva Confiança, o Anderson Lima. Sua empresa fica localizada no bairro Parque Sônia e atende em média 83 carros por mês: 

 “A oficina existe há oito anos. Usa a internet para comprar peças complexas, que não se encontram nos fornecedores. A compra para o dia a dia da reparadora é feita no fornecedor pela agilidade, pois se pede e a logística é bem rápida. Pela internet, acaba-se pagando frete ou retirar no local, o que encarece o trabalho em um universo de concorrência grande. O cliente tem todo o direito de trazer a peça que quiser, porém, é deixado bem claro que se trouxer a peça e tiver um problema, a mão de obra é cobrada novamente. Se houvesse sites a preços mais baratos, com garantia e entrega rápida, a oficina até compraria, porém, carro parado é prejuízo na oficina. Para o futuro, as empresas precisam estar mais próximas das oficinas, em se tratando de localização. Isso ajudará no deslocamento.” 

E o dono do carro? 

Em nosso estudo de mercado e até aqui fizemos referência ao dono do carro apenas no item da “peça trazida” por ele para as mãos do reparador de confiança, volume este já contemplado no indicador da CINAU. 

Como vimos a média de peças que chegam as oficinas pela mão do dono do carro é um número muito baixo (1,5%) o que prova que este hábito não foi impactado pela internet.  

Porém é fundamental reconhecermos que a grande disruptura causada pela internet no ambiente da reparação foi a facilidade proporcionada ao dono do carro para checar preços de autopeças. 

Esta realidade sim, evidenciada nos depoimentos acima,  tem impactado, e muito na relação do dono do carro e seu reparador de confiança.  

Este comportamento do dono do carro facilitado pelas “vitrines” online das lojas e Market places tem tornado a vida do reparador mais difícil que se vê obrigado e reforçar seus argumentos sobre o preço das peças que aplica.  

Este cenário é irreversível e será cada vez mais desafiador para os reparadores, porém, não deve tirar do reparador a força para determinar a marca da peça, pois não é pelo fato do dono do carro agora ter facilidade para checar o preço de uma peça que vai estimula-lo a comprar pela internet e enfrentar todos os gargalos deste canal. 

Reforça a força do reparador no processo de fornecimento da peça sua responsabilidade jurídica, que pelo Código do Consumir fica responsável junto ao dono do carro por qualquer falha provocada por uma peça instalada. 

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