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Aftermarket Forum 2019 reúne executivos e tomadores de decisão do mercado de reposição global

Evento organizado pela empresa alemã Wolk AfterSales Experts reuniu especialista do mundo inteiro para falar sobre o Aftermarket Automotivo Global, suas oportunidades, desafios, necessidades e problemas comuns, e compartilhar suas experiências

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Por Da redação


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Com o título “Going Global”, a Wolk AfterSales Experts realizou entre os dias 16 e 17 de abril em Frankfurt na Alemanha a terceira edição do evento Aftermarket Fórum, que reuniu mais de 170 altos executivos do mercado global para discutir o mercado de reposição mundial. 

Dentre os especialistas convidados para discutir o mercado, o Grupo Oficina Brasil foi representado por seu Diretor de Novos Negócios, Marcelo Gabriel, que apresentou aos presentes os desafios e oportunidades do mercado sul-americano, com uma visão integradora da cadeia de valor e ressaltando a importância do reparador independente como natural e real gerador de demanda. 

Iniciando a conferência, no dia 16 de abril, Jack Walsh, vice-presidente da Jefferies, um dos maiores bancos de investimento e assessoramento para fusões e aquisições, apresentou aos presentes o potencial de negócios do aftermarket automotivo, um mercado à prova de crises que vem chamando a atenção de fundos de investimento de todo o mundo. Grande fusões e aquisições, como por exemplo a compra da Federal-Mogul pela Tenneco e o avanço de grandes grupos norte-americanos na Europa são esperados e a consolidação do setor já não é mais questão de “se” mas passou a ser uma questão de “quando”. 

 

 

 

Com a apresentação e moderação de Robby Dal Corso, executivo do aftermarket com ampla vivência internacional (África e Europa), as atividades do dia 17 de abril se iniciaram com a apresentação de Zoran Nikolic, CEO da Wolks AfterSales, sobre o mercado europeu, as consolidações que estão ocorrendo, a pujança do mercado no leste europeu e os desafios para os International Trading Groups (ITGs) como Groupauto International, Nexus, Temot, ATR, GlobalOne e 1parts em sua expansão rumo ao mercado chinês e demais mercados emergentes, dentre eles a América Latina.

 

 

 

 

Mike Yu, gerente geral da iMR e consultor estratégico da Nexus, apresentou o panorama do mercado chinês, que impressiona pelo volume de veículos, pelas cifras envolvidas e pela complexidade do modelo de negócios que, muito jovem em comparação aos demais mercados, apresenta diferentes configurações que se sobrepõem e criam uma realidade mais difícil de entender com os olhos de quem está acostumado com os mercados mais tradicionais como o europeu e o norte-americano. 

Um dos pontos de destaque da apresentação foi como as empresas chinesas como a Alibaba estão presentes e atuantes no Aftermarket, tanto de forma vertical quanto horizontal, criando um cenário ainda mais complexo aos olhos dos executivos ocidentais. Um dos exemplos apresentados foi a empresa CarZone, distribuidora de autopeças pertencente ao Alibaba e que conta com mais de 750 pontos de venda na China, com um faturamento anual de 265 milhões de euro e é membro da ATR. 

Ao apresentar o mercado russo, Sergej Udalov, diretor da empresa Autostat, trouxe aos participantes uma perspectiva bastante abrangente de um parque automotivo que ainda é predominantemente formado por veículos da marca Lada, seguida por Kia, Hyundai, Renault e Toyota, e que está se estruturando a partir de uma mescla entre os modelos europeu e asiático, pois não conta ainda com 30 anos de autonomia, ao lembrar que foi apenas em 1991 que Gorbachev iniciou os movimentos da Glasnot e Perestroika que acabaram com a União Soviética e suas estruturas políticas do Leste Europeu. 

Dentre essa combinação dos modelos europeus e asiáticos destacou que atualmente estão na Russia os seguintes ITGs: AD Parts, Nexus e Groupauto, e que hoje o país conta com uma rede de centros automotivos chamada FitService com unidades espalhadas por todo o território russo. 

Imagine um país em que nascem 2.400 pessoas/hora e que são vendidas 2.300 motocicletas/hora. Foi com esses dados impressionantes que Dirk Schlage, presidente da empresa Hemps, iniciou sua apresentação sobre o mercado indiano. Estima-se que no país existam mais de 25 mil distribuidores de autopeças, das mais variadas formas de organização e porte, com exemplos em Nova Délhi do Kashmiri Gate que concentra entre 15 a 20 mil varejistas de autopeças que ocupam espaços de 10 a 15 metros quadrados em média. 

Com um mercado estimado de 10,3 bilhões de euros e notadamente enfocado no segmento de duas rodas, Schlage apresentou aos presentes alguns exemplos como Bosch Express Bike Service, um conceito que se desenvolveu naquele país em resposta à especificidade do mercado, além de imagens coletadas nas áreas de grande concentração de varejistas que mostravam reparadores trabalhando no meio da rua, mesmo em serviços de funilaria e pintura. 

“O reparador é o motor do Aftermarket!”, foi com essa frase altamente impactante, e que reflete exatamente como o Grupo Oficina Brasil enxerga o mercado brasileiro e a formação da demanda, que Bill Burns, experiente executivo do mercado norte-americano abriu sua apresentação durante o Aftermarket Fórum 2019. 

Dividido claramente entre os chamados “retailers” e os “independents”, o mercado dos Estados Unidos ainda conta com 13% dedicado ao chamado do-it-yourself (ou faça você mesmo numa tradução livre) mas que vem diminuindo ano após ano em função da alta complexidade tecnológica dos veículos e da dificuldade que os donos de carros metidos a reparadores de final de semana encontram ao levantar o capô para tentar trocar um jogo de velas. 

Se do lado dos “retailers” os números de pontos de venda impressionam, como por exemplo as mais de 6 mil lojas da Autozone ou as mais de 6,5 mil da Advanced Autoparts, é no mercado dos “independentes” ou o tradicional que se concentram os negócios, tendo como elemento fundamental na estratégia de distribuição um modelo similar ao brasileiro, com grandes atacadistas que servem aos jobbers, semelhantes aos nossos varejos de autopeças de cada bairro e que suprem as necessidades das oficinas mecânicas independentes. 

Ralf Zimmermann, diretor geral do Grupo Al Futtaim de Dubai, descortinou os mistérios dos Emirados Árabes Unidos aos participantes do evento, um mercado que serve como plataforma de negócios entre o Ocidente e o Oriente e cujo poder se concentra na mão de grandes grupos familiares que administram diferentes atividades econômicas na região, principalmente ligadas ao comércio e à distribuição, como exemplo o próprio Grupo Al-Futtaim que é composto por mais de 200 empresas e emprega mais de 42 mil pessoas na região, além de países na África e Oriente Médio, que incluem a distribuição e comercialização de veículos novos, redes próprias de oficinas e serviços de financiamento, numa região bastante jovem e próspera, em que 88,5% da população é composta por expatriados. 

Devidran Ramanathan apresentou um panorama do Sudeste Asiático, uma região composta por dez países (Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Brunei, Myanmar, Camboja, Laos e Vietnã) e que vem passando por profundas transformações estruturais e demográficas nos últimos anos que impactam diretamente o mercado automotivo. Um dos destaques apresentados por Ramanathan foi a transformação da Tailândia na “Detroit do Leste”, com grandes montadoras americanas concentrando sua produção no país para atender à crescente demanda da região, ao passo em que Singapura, conhecida por seu alto desenvolvimento urbano está implementando ações para reduzir o número de veículos em suas ruas nos próximos anos, num evidente contraste com os demais países do bloco que estão emergindo como mercados consumidores de automóveis e consequentemente de peças. 

Para finalizar o percurso pelo mercado de reposição global, Marc Zander, diretor da empresa Africon, trouxe aos participantes um panorama do mercado africano, um continente formado por 54 países e que dispõem de uma frota circulante de mais de 52,5 milhões de veículos e cujas estruturas de distribuição, perfil da frota e demanda por peças e serviços é tão complexa quanto as diferenças entre os próprios países. 

A opinião geral dos participantes foi extremamente positiva. Para Miguel Melo, CEO da unidade de Peças e Serviços do Grupo MCoutinho, um dos maiores distribuidores de veículos da Península Ibérica, o encontro foi “fundamental para entender o cenário global, as oportunidades e ameaças que existem e que precisam ser compreendidas por aqueles que tomam decisões nas empresas. O mercado de reposição é realmente uma potência global e merece ser estudado com detalhes.” 

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