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Conselho Nacional de Retíficas de Motores, unindo os retificadores e fortalecendo o setor

Entrevistamos José Arnaldo Laguna, que desde 2002 está à frente do CONAREM. Explanando sobre o mercado como um todo, Laguna acredita que a união dos retificadores ajuda no enfrentamento às ameaças do mercado.

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Por Fabricio Rezende


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 Retifica Agromotor, em Criciúma, Santa Catarina, um exemplo de organização e trabalhoPara conhecermos a fundo os setores da reparação automotiva no Brasil precisamos conhecer empresas de itens e peças automotivas e entidades que representem seus fabricantes e profissionais. O setor automobilístico é um dos maiores no mercado brasileiro, portanto ter organizações setoriais é uma necessidade ainda mais com as diversas mudanças que passam os mercados mundiais e principalmente o mercado nacional.

Estas foram as preocupações que as lideranças do segmento retificador identificaram em 1995, após diversos debates entre os empresários e os profissionais do setor de retificação do Brasil, foi concluído que havia a necessidade de elaborar uma pesquisa de mercado, o resultado desta análise demonstrava que o setor de retificação precisava ter uma organização estruturada, profissionalização e entrosamento para garantir ao cliente segurança em todo o território nacional.

No início eram dez associações estaduais, algumas já não possuíam mais estrutura funcional e foi concluído, em conjunto com os principais fabricantes de peças de motor, em unir as entidades num movimento único e forte, pois, desta forma, eles poderiam se ajudar. Assim nasceu o CONAREM (Conselho Nacional de Retíficas de Motores), que tem o objetivo de representar e dirigir serviços aos empresários retificadores e com representação nas principais regiões do país.

O surgimento do nome CONAREM aconteceu em 1998 durante o Programa Brasileiro Pró-Álcool, por iniciativa do Doutor Geraldo Santo Mauro que junto às lideranças optaram por eleger um representante do setor, alguém que vivia a situação real do mercado das retíficas, então foi proposto o nome de José Arnaldo Laguna, que foi aceito por toda a liderança dos retificadores.

De lá para cá houve muitas mudanças no setor, para nos contar sobre estes aspectos e sobre as atividades que o CONAREM desenvolveu durante estes anos entrevistamos seu presidente, Sr. José Arnaldo Laguna, acompanhe. 

Jornal Oficina Brasil - Fale um pouco sobre o CONAREM – Conselho Nacional de Retíficas de Motores, nestes quase 17 anos de atividade.

José Arnaldo Laguna – Quando fui nomeado porta-voz do CONAREM, uma vez por mês reuníamos os retificadores e os diretores das fábricas para traçar um plano de ação e, em conjunto, foi definido a formação de um grupo de retíficas que pudesse ter um suporte direto do fabricante.

Senti o peso da responsabilidade e optei por não fazer a seleção por indicação e abrir um processo de inscrição de empresas que tivessem interesse em operar dentro de alguns critérios de qualidade e responsabilidade.

Em setembro de 1999, convoquei a liderança para uma força tarefa. Durante alguns dias os empresários se reuniram em uma sala de reuniões de um hotel em Fortaleza para discutir como elaborar o processo operacional de uma rede nacional de retíficas que, na época, iniciaria com atendimento de pós-venda de cobertura em todo o território nacional.

Foram necessárias horas de discussões infindáveis para ajustarmos os interesses diferentes dos mercados de transporte terrestre, marítimo, veicular, industrial e agrícola. Cada setor tinha características de operações diferentes e, para gerar uma padronização, deveríamos contemplar todos.

No início de 2000, era lançada a Rede Nacional de Retíficas Conarem, a única em todo o mundo operando com padrões básicos e respeitando as diferentes características de cada região e especialização.

Um programa que nasceu certo, pois foi baseado nos interesses das empresas e seguiu a norma técnica ABNT-NBR 13.032 - Execução de Retíficas de Motores.

JOB - Conte-nos um pouco de sua trajetória profissional, sobre as empresas que participou e os projetos desenvolvidos antes de ser escolhido presidente do CONAREM. 

José Arnaldo Laguna - Nasci em Ribeirão Preto, hoje tenho 60 anos, sou filho de empresário do segmento automotivo e convivi desde cedo com o dia a dia de uma retífica de motores e uma tradicional loja de autopeças.

Esse contato desde a adolescência motivou-me a formar em Contabilidade e graduar-me em Administração, com especialização em Marketing e Comunicação pela New York University.

Durante 45 anos ocupei profissionalmente diferentes cargos nas empresas Laguna, parte deste tempo dediquei à distribuidora de autopeças e depois da venda deste segmento comercial, liderei comercialmente até 2005 as retíficas de motores em Ribeirão Preto e Barretos-SP.

Além das atividades à frente das empresas, contribui com as entidades de classe SINDIREPA (Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios), SINCOPEÇAS (Sindicato do Comércio Varejista de Peças e Acessórios para Veículos), Associação Comercial e Industrial, Serviço de Proteção ao Crédito Nacional e Estadual e Rotary Club, ocupando cargos diretivos e executivos.

Desde 1978, participo das Missões Empresariais para o exterior, onde busco adquirir novos conhecimentos do mercado internacional, desenvolver relacionamento com as entidades representativas do setor em outros continentes para trocar experiências e, com isso, gerar novidades para o segmento retificador de motores brasileiro.

Em 2002, quando o Conarem passou a ter seu CNPJ próprio, fui eleito presidente executivo deste órgão e reconduzido ao cargo desde então.

Durante essa longa trajetória profissional, proferi centenas de palestras nos principais eventos setoriais, contribui para a criação e revisão das normas técnicas ABNT, representei o setor junto ao Congresso Nacional e Ministérios. Estive presente em todas as principais atividades que envolvem o segmento no Brasil e no exterior.

José Arnaldo Laguna, Presidente executivo do CONAREM desde 2002JOB - Quais ações o Conselho está desenvolvendo para atender plenamente todo o setor de retíficas? Cursos, Palestras, Parcerias etc. o CONAREM está passando por um momento de afirmação para as retíficas do Brasil, 2014 foi um ano muito importante, mas para os próximos, quais são as perspectivas?

José Arnaldo Laguna - Liderar um segmento é algo difícil, pois temos que considerar que o Brasil é um país de enorme dimensão e cada região possui características diferentes.

Para atender a base associativa, o CONAREM optou por dividir as responsabilidades e nomeamos diretores regionais para os estados da federação que possuem um número maior de cidades e, em regiões menos populosas, unimos algumas áreas para facilitar o trabalho destes diretores.

Mas nas regiões mais populosas, temos mais cidades e, consequentemente, mais empresas. Então, subdividimos essas áreas e nomeamos coordenadores regionais, estes passaram a serem porta-vozes da sua área de atuação no movimento estadual e nacional.

A cada três meses, reunimos as lideranças para debater as questões principais de cada região, isso permite compreender as dificuldades e, com isso, traçar programas mais abrangentes que atendam a maioria dos associados.

Hoje, temos duas grandes dificuldades que afetam diretamente o retificador:

1 – Comercial - o mercado automotivo ficou desordenado nas últimas décadas. Importadores e pequenos atacadistas passaram a comercializar as peças diretamente para o consumidor e isso afetou profundamente o segmento retificador brasileiro já que as peças compõem algo em torno de 55% a 60% do valor de uma reforma completa de um motor.

Durante muito tempo, trabalhamos junto aos fabricantes para desenvolver uma política comercial diferenciada, mas isso não surtiu o efeito desejado nos obrigando a constituir um braço comercial, a Rede Nacional União de Autopeças, uma personalidade jurídica que reúne os pedidos e negocia direto com os fabricantes de peças de motor.

Esta ação promoveu a redução dos custos da matéria-prima aplicada e ampliou a competitividade dos associados no mercado, permitindo concorrer com os importadores e distribuidores de peças que até então vendiam para os clientes finais das retíficas atravessando o nosso negócio.

2 – Área Técnica – não é novidade para ninguém que este é o maior desafio para os pequenos empresários. Como enfrentar a velocidade da implementação das novas tecnologias a cada geração de veículos?

O CONAREM há muitos anos decidiu desenvolver um banco de dados técnicos e que hoje conta com informações para mais de 4.700 aplicações em veículos de operação terrestre e náutica. Um suporte à disposição 24 horas dos nossos associados!

Este trabalho assegura a execução dos serviços de acordo com as dimensões e recomendações do fabricante.

Mas o maior desafio está em formar mão de obra especializada!

Essa tem sido a nossa maior preocupação, como levar informações para os nossos colaboradores espalhados por esse imenso território geográfico.

A diretoria do CONAREM tem dedicado enormes esforços para levar conhecimento até a base. Isso significa fazer chegar as principais informações até a maioria dos profissionais mecânicos não só das retíficas associadas, mas também aos que trabalham em concessionárias de veículos, frotistas e oficinas mecânicas.

Todos os anos milhares de profissionais de todo Brasil passam pelos nossos encontros técnicos realizados em parceria com renomadas indústrias fabricantes de peças de motor.

JOB - Explique melhor como estão sendo as parcerias com grandes empresas do setor como: KSPG, MWM, Perkins, Cummins, Deutz e Yanmar. A Cummins vai mesmo lançar kits de motores em condições especiais para a rede, e o CONAREM vai oferecer serviços de pós-venda e até distribuir os produtos Yanmar?

José Arnaldo Laguna - Um cuidado especial do CONAREM para a sua rede de retíficas é o de gerar diferencial, já que o mercado é altamente competitivo é preciso ter diferenciais técnicos, comerciais e de marketing.

A rede Conarem tem o único pós-venda do mundo, o que, por si só, já é um ótimo apelo para quem circula seus veículos por áreas distantes da base operacional da empresa.

O credenciamento Conarem é renovado anualmente e periodicamente revemos os conceitos, elevando o padrão para cima, isso resulta numa melhoria constante das nossas associadas, pois aquele que não dedicar em evoluir, poderá perder seu credenciamento na rede ao não atingir os limites mínimos exigidos.

As parcerias com os fabricantes de motores visam introduzir a comercialização dos produtos na região de atuação dos associados credenciados, obter acesso ilimitado aos dados técnicos dos produtos e a formação de mão de obra especializada.

Esse conjunto de benefícios gera o diferencial que desejamos para as nossas associadas, pois os clientes mais exigentes acabarão por optar pelas empresas que possuem avaliação dos seus processos produtivos, certificando a qualidade dos serviços prestados, peças de ótima qualidade, preços competitivos e suporte em pós- venda em todo o território nacional.

O reconhecimento da nossa rede como parceira ideal das fábricas acabou incentivando a MWM a desenvolver o programa CRM – Centro Reparador de Motores, e a Cummins a adequar a sua política comercial, revisando os preços das suas peças, tornando-as mais atrativas a ponto do retificador credenciado CONAREM aplicar com suficiente margem de lucro.

Ao longo da sua história o CONAREM prestigiou os fabricantes de peças para motores em seus programas, desenvolvendo atividades com a Riosulense, Mahle, Spaal, Schadek, Henkel – Loctite e KSPG-Motor Service.

JOB - Muitos proprietários de veículos, sejam da linha leve ou da pesada, indicam que um motor novo acaba sendo mais barato do que um motor reparado, o que o CONAREM tem a dizer sobre isso? Este é um problema enfrentado pelo setor de retíficas, enfrentar concorrência acirrada das montadoras? 

José Arnaldo Laguna - Na verdade, isso não ocorre. É sempre mais econômico retificar um motor que adquirir um novo. O que existe é uma ação de marketing em algumas empresas da linha leve que reduziram o preço de alguns componentes e induzem consumidores a achar que ao adquirir aquele conjunto farão uma economia e terão um motor novo.

A NBR 13.032 e 15.835 determina tudo que é necessário fazer quando se abre um motor, portanto, ao adquirir essas peças novas o consumidor terá de acrescer todos os serviços complementares e ao final o motor acabará ficando mais caro.

Este produto vendido pelo fabricante é interessante quando há uma quebra de virabrequim ou rompimento de um bloco, originando um investimento em peças novas e de grande porte.

Em todos os demais casos, é mais econômico e o resultado será melhor se o motor passar por um completo reparo numa retífica de motores de qualidade comprovada.

JOB - Em sua visão qual é a importância da entidade de classe para conquistar melhorias no setor? O reparador pode se sentir bem representado? O financiamento pelo cartão BNDES em até 10 vezes na compra de peças é uma conquista do CONAREM?

José Arnaldo Laguna - Diz um ditado popular que: “Uma andorinha só não faz o verão”. Se uma empresa decidir viver solitariamente no mercado ela será muito frágil. Há necessidade desde a Idade da Pedra de vivermos em grupo, isso traz uma série de vantagens, pois aprendemos um com os outros, trocamos experiências e todos crescem.

O papel de uma associação de classe é o de representar o segmento empresarial, defendê-lo frente às ameaças, sem expor as empresas e seus dirigentes.

Sempre haverá algo por fazer, agora mesmo estamos desenvolvendo uma nova parceria internacional com um fabricante de motores que tem interesse em trabalhar com a Rede Nacional CONAREM. 

Negociar para muitas empresas garante resultados bem mais atrativos. Sentimos isso na Rede União. As retíficas reduziram seus custos na ordem de 15%, isso é um bom dinheiro no resultado final de uma operação comercial.

O cartão BNDES não foi um trabalho do CONAREM, pois está voltado para as indústrias e nós, estamos na ponta. Em parceria com as indústrias, podemos nos beneficiar e transferir estas condições de pagamentos para os nossos clientes que possuam este cartão.

 Plenário Nacional do CONAREM em julho de 2014JOB - Como se dará o intercâmbio e a troca de informações entre o CONAREM a APRA e a FIRM? Em recente visita a Rematec-USA, representantes do Conselho observaram atentamente os processos de limpeza com sistemas sofisticados de descontaminação. Levando em conta que estamos em um momento crítico de falta de água no Brasil, buscando novas alternativas, a fim de proteger o meio-ambiente, como será a apresentação destes processos durante a AUTOMEC 2015?

José Arnaldo Laguna - Há alguns anos temos mantido contatos esporádicos com estes órgãos representativos do segmento de remanufatura e recondicionamento de peças e componentes automotivos. Os interesses são semelhantes, os problemas parecidos, portanto, qualquer troca de experiência será válida para ambos.

Neste último encontro nos Estados Unidos, quando da realização da Rematec-USA, debatemos o futuro do mercado, a necessidade de preservar o meio ambiente recuperando a vida útil das peças e dando nova vida aos componentes. O planeta Terra precisa desenvolver essa consciência de preservar os recursos para evitar extinção e garantir qualidade de vida. Ao retificar um motor com critérios técnicos, este componente terá uma nova vida e o reparo custará pequena parte do valor do conjunto novo. 

Este problema que vivemos, nos últimos meses, com a escassez da água, tem sido abordado dentro do CONAREM há alguns anos. O empresário precisa reduzir a todo o momento seu custo de produção, a água sempre foi barata, muitos não se preocupavam com os seus processos. Investir em reaproveitamento era caro, mas aqueles que tiveram uma consciência mais evoluída acabaram beneficiados com as medidas adotadas anteriormente.

Ao coletarem a água da chuva ou implantarem processos de reutilização da água após a decantação de resíduos sólidos, separação do óleo e purificação, reduziram seus gastos deste precioso bem e hoje colhem o fruto deste investimento.

Conhecemos um processo bem interessante de limpeza de peças nos EUA, convidamos a empresa para vir ao Brasil durante a Automec, mas não temos a certeza de que tenha conseguido espaço, já que as áreas desta feira são muito disputadas com grande antecipação. Mas temos a esperança em desenvolver uma parceria para o futuro com novas técnicas como ultrassom e bombardeamento de cristais de gelo, processos disponíveis no mundo e ainda não aplicados no Brasil nesta área.

JOB - Como se deu a participação do CONAREM na elaboração das normas ABNT (13032) e IQA que certifica diversas autopeças?

José Arnaldo Laguna - As primeiras associações de retíficas nasceram em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Em 1978, Dr. Geraldo Luiz Santo Mauro encabeçou o movimento e fundou a associação paulista. Dos companheiros fundadores dessas entidades poucos ainda estão na ativa.

A NBR 13.032 nasceu de uma decisão da diretoria da associação paulista que, na época, reuniu os fabricantes de motores, peças, retificadores de todo o país para juntos escrevermos este capítulo normativo.

Quando da criação do IQA, o Sindirepa-SP foi um dos órgãos investidores que aplicou significativa soma para fundar este órgão certificador de empresas, produtos e serviços na área automotiva.

Era necessário elaborar um processo de auditoria e os diretores das entidades de classe que representavam o setor retificador se reuniram para gerar o questionário de avaliação, tendo como base a NBR 13.032 – Execução de Retífica de Motores a Combustão Interna.

Isso aconteceu na da década de 80. Em 2005, entendemos que era chegada a hora de revisarmos esta importante norma técnica e coube a mim, como presidente do Conarem, liderar este trabalho que teve a importante participação das indústrias, associações, sindicatos e retíficas durante mais de dois anos de longos estudos e reuniões horas a fio. Em 2008, foi publicada a versão revisada da NBR 13.032 e, em seguida, foi criada outra importante norma técnica, a NBR 15.835, que estabelece os procedimentos para a Reinstalação de Motores.

A diretoria executiva e os associados do Conarem tiveram importante participação na revisão da NBR 13.032 contribuindo com propostas advindas das bases associativas espalhadas pelo país todo.

JOB - Fique à vontade para dar seu recado aos nossos leitores, em sua maioria reparadores e aplicadores.

José Arnaldo Laguna - O CONAREM convida o empresário retificador a fazer parte do corpo associativo, integrar a Rede Nacional de Retíficas de Motores, um importante passo para promover a evolução estrutural da empresa, organizando e capacitando-a a integrar as principais redes de serviços autorizados do mercado automotivo internacional. Caso não tenha interesse, poderá optar para ser um associado técnico, uma forma de obter apoio técnico ilimitado, por um custo mensal muito pequeno, ele terá acesso ao maior banco de dados técnicos da América Latina. E tem mais, o CONAREM tem parcerias com reconhecidos profissionais que podem desenvolver treinamentos dentro da sua empresa, cursos para a área produtiva, de montagem de motores ou até consultoria de qualidade e assistência em caso de problemas em garantia. Para ser associado, basta acessar o site: www.conarem.com.br e preencher o cadastro da empresa. 

 

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