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Se não podem ajudar, que não atrapalhem!

O Brasil tem uma longa tradição política de meses de agosto tenebrosos (Getúlio, Jânio, Juscelino, Eduardo Campos, etc.) e esperava-se que agosto de 2015 viesse somar fatos a este enorme histórico de calamidades, mas como dizem os jovens: “só que não”

Por Marcelo Gabriel

O Brasil tem uma longa tradição política de meses de agosto tenebrosos (Getúlio, Jânio, Juscelino, Eduardo Campos, etc.) e esperava-se que agosto de 2015 viesse somar fatos a este enorme histórico de calamidades, mas como dizem os jovens: “só que não”.

Aí veio setembro e nos assolou com más notícias: o governo indo e voltando com a ameaça do retorno da CPMF, a discussão sobre o fator previdenciário, orçamento deficitário, ajuste do orçamento deficitário com a ideia estapafúrdia de reter recursos do sistema S, reforma ministerial que ia, mas não foi. E mais denúncias, mais lava-jato, água em Marte, falta de água em várias regiões brasileiras e todos os outros fatos e factoides que prevaleceram na grande mídia ao longo do mês.

Uma revista semanal de grande circulação manteve por muitos anos (de 1999 a 2003) a figura de um marciano (se chamava Arc) que visitava a Terra para saber se valia a pena Marte investir na Terra e analisava os fatos da semana. As conclusões a que ele chegava eram de que não valia a pena investir no Brasil já que ele não entendia como era possível que coisas ilógicas (até para um marciano) fossem tratadas como lógicas pelos terráqueos brasileiros, e por fim seus chefes em Marte decidiram que ele deveria buscar outras galáxias para fazer negócios.

E chegamos a outubro de 2015 sem um agosto daqueles, mas vindo de um setembro que marciano nenhum entenderia. O mundo está vivendo tempos complicados, principalmente nas relações internas da Europa e nas relações dela com o Oriente Médio, mas aqui em nosso país tropical abençoado por Deus e bonito por Natureza, temos uma situação política insustentável, que a cada dia traz novidades mais tristes e estarrecedoras e causam uma paralisia por conta das incertezas sobre o que virá no dia seguinte. Definitivamente o Brasil não é para amadores.

O que queremos como empresários, trabalhadores, cidadãos? Queremos um ambiente em que reine a livre iniciativa, que o governo favoreça quem investe e quem trabalha, que reconheça a força dos micros e pequenos empresários para a construção do país, que não atue no sentido contrário da produtividade, que nos deixe ser competitivos e vencer, seja no mercado interno, seja no mercado externo.

Mas o que vemos? Dificuldades, burocracia, leis que confundem e amarram, corrupção, favores e favorecimentos, ineficiência, leniência, conivência e conveniência. Haja paciência!

Como diz o ditado: “muito ajuda quem não atrapalha”! E a cada dia que passa está ficando claro que o que acontece em Brasília tem cada vez menos relevância na vida das pessoas comuns, que acordam, trabalham, estudam e acima de tudo, pagam impostos. Parece que vivemos em dois mundos distintos: o deles e o nosso.

Iniciativas como a da Federação da Indústrias para que não sejam implementados novos impostos são louváveis e merecem nosso apoio, assim como os manifestos em defesa do Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Senac, Sebra, Sest, Senat, Senar, etc) devem ser motivo de engajamento daqueles que acreditam que se o Governo não pode ajudar, que não nos atrapalhe.

O caso do Sistema S é ainda mais grave, pois a retenção de 30% dos recursos destinados às entidades do sistema pelo Governo causa dois males: (1) não resolverá o ajuste de contas do Governo que vive na base “gasta quanto ganha, ganha quanto gasta” e (2) vai mexer em instituições veneráveis que primam pela qualidade, eficiência e com uma ficha de serviços prestados à sociedade que poucas instituições administradas pelo Estado tem.

O resultado da competição internacional WorldSkills, realizada em São Paulo no mês de agosto, provou isso. Temos o melhor sistema de ensino profissional do mundo: Senai e Senac. Quer saber qual foi o desempenho dos alunos oriundos das escolas técnicas federais e estaduais? Não há resultado, pois elas não participaram.

Um Estado menor fará um país maior. Queremos mais Brasil e menos Brasília.

Boa leitura

Marcelo Gabriel

Diretor

 

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