Oficina Brasil


O que o Canal do Panamá pode nos ensinar sobre o mercado de reposição?

Diariamente desafiamos as barreiras que se impõem para seguir adiante e continuar servindo o cliente

Por Marcelo Gabriel

O ser humano, em seu eterno movimento e progresso, sempre buscou superar as limitações impostas pela natureza e com isso surgiram as grandes revoluções científicas e nossa própria superação, levando de uma geração para outra, as conquistas que se acumularam.

Durante o mês de junho o Grupo Oficina Brasil participou da Latin Auto Parts Expo, uma feira dedicada ao mercado latino-americano, que está em sua segunda edição e ocorre no Panamá (veja os detalhes na página 42 desta edição). Além de entender mais como funciona o mercado de reposição nos países vizinhos (com ou sem fronteiras) e seus desafios, pudemos conversar com expositores e visitantes e constatar que os percalços que os empresários e empreendedores enfrentam no Brasil não são muito diferentes no restante da América Latina: dificuldades de acesso à informação, uma diversidade de frota que exige investimentos em estoque, capacitação de mão-de-obra, ou seja, podemos mudar o nome dos empresários e estaríamos falando do Brasil.

E pensando nos desafios encontrados pelos espanhóis, franceses e americanos que se lançaram na tarefa de conectar os oceanos Pacífico e Atlântico com a utilização de um canal, surgiu a pergunta que abre este editorial: o que o Canal do Panamá pode ensinar sobre o mercado de reposição? É uma grande metáfora, mas se analisarmos do ponto de vista dos dois extremos da cadeia – fabricantes de veículos e oficinas mecânicas – e compará-los aos oceanos Pacífico e Atlântico, podemos notar que ambos são o ponto de contato com o dono do carro, seja no momento da venda do carro, seja no momento da manutenção e, se não houvesse os acidentes geográficos no Panamá, a conexão entre os oceanos seria direta e não seria necessária a grande obra de engenharia que ceifou vidas e levou anos para se concretizar.

De modo similar, as dificuldades logísticas, tributárias, legais, comerciais, econômicas, dentre outras que os empresários do segmento encontram todo dia são como a topografia do Panamá, impedem que o ciclo de vida do produto veículo seja conduzido de forma suave e tranquila.

Diariamente desafiamos as barreiras que se impõem para seguir adiante e continuar servindo o cliente, seja ele o dono do carro que vai a uma oficina, o reparador que vai a uma loja de peças, um varejista que procura um distribuidor e assim sucessivamente, sem esquecer dos novos entrantes como importadores e mesmo as concessionárias que vem conquistando seu espaço nas oficinas. E assim como o Canal do Panamá, que transpõe diariamente 38 navios entre os oceanos, nos prova que é possível com empenho, perserverança e força de vontade superar barreiras. Acompanhamos o trabalho dos reparadores independentes que há muito tempo descobriram que é possível levar o dono do carro entre os dois oceanos, ou seja, saindo do período de garantia ou mesmo dentro dele e mantendo seus veículos em condições de uso, mesmo com todas as dificuldades que se apresentam.

 

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