Oficina Brasil


E o Oscar vai para... o reparador independente

Todo ano é a mesma coisa: ficamos aguardando a cerimônia do Oscar, ou melhor, da Academia de Artes Cinematográficas para conhecer o melhor filme, o melhor ator, a melhor atriz, o melhor diretor, a melhor trilha sonora, dentre outras coisas incluídas nas várias categorias premiadas.

Por Marcelo Gabriel

Acho muito interessante esta badalação em cima dos filmes, mas na maioria das vezes ou eu não vi todos aqueles filmes ou os que eu vi não são os premiados. Ainda bem que meu negócio não é cinema, morreria de fome.

Aqui no Grupo Oficina Brasil nos dedicamos de corpo, alma e coração a entender e atender o mercado de reposição a partir da oficina mecânica e nos últimos 25 anos (que completaremos em junho próximo) temos sido bem sucedidos nesta tarefa, fornecendo informações relevantes e úteis aos reparadores para o exercício de sua atividade e conectando as empresas que tem interesse neste segmento com os protagonistas do mercado. Uma equação simples mas que respeita os princípios mais fundamentais do mercado: a teoria da oferta e da demanda.

Há tempos apregoamos a ideia de que o mercado de reposição é o porto seguro nos momentos de crise e parafraseando o que disse Sergio Comolatti em entrevista ao Valor Econômico: “quando o mercado vai mal nosso setor vai bem”. Não apenas vamos bem nas crises mas provamos a cada ano difícil e complicado que o setor é sólido e consistente. Sabemos que as oficinas estão com boa parte de sua capacidade tomada e se há reclamações, muitas delas justas, se referem à baixa rentabilidade e à postergação de serviços, levando os donos dos carros a realizar apenas a manutenção básica e indispensável, o que mantém o setor em atividade.

Com o desaquecimento da venda de veículos novos em 2014 (segundo dados da ANFAVEA a retração foi de 7,1% em relação a 2013), o movimento do consumidor se deu em direção aos veículos usados (e os dados da FENAUTO apontam crescimento de 7,2% em 2014 em relação a 2013), um movimento pendular que só tende a favorecer o setor da reposição, pois um veículo usado (ou seminovo, um eufemismo bem brasileiro) deve demandar mais peças e mais serviços como consequência natural de seu uso e desgaste.

Seguindo essa mesma lógica apresentamos nesta edição um comparativo entre os resultados da pesquisa Imagem das Montadoras 2014 com o prêmio Maior Valor de Revenda 2014 promovido pela agência AutoInforme em parceria com a Molicar. Esta comparação comprova, uma vez mais, a influência do reparador no processo decisório do dono do carro, pois em 12 categorias de veículos comparáveis houve 8 com o mesmo veredito. Considerando que é a primeira vez que cruzamos estes dados, um número bastante interessante para quem estuda e procura entender o mercado.

O que mais chama a atenção nesta análise é que avaliação da AutoInforme/Molicar considerou veículos com um ano de uso que, na maioria dos casos, ainda não chegou na oficina independente. Se apesquisa avaliasse carros com dois, três ou mais anos, muito provavelmente aumentaríamos a coincidência de resultados.

Não estou afirmando que exista uma correlação positiva perfeita (para usar um termo técnico) entre a valorização do veículo após um ano de uso e a indicação do reparador mas que, na intersecção de considerações econômico-financeiras, técnicas e mercadológicas, um agente ganha destaque: o reparador independente que conhece profundamente as sutis nuances entre os diferentes modelos e os pontos fortes e fracos que influenciam a manutenção e a vida útil de cada veículo.

Por isso o título deste editorial. Na cerimônia de premiação dos que mais se destacaram em 2014 no nosso segmento, o prêmio de melhor visão de mercado vai para o reparador independente, esse herói anônimo que nos brinda e privilegia com sua leitura e companhia.

Boa leitura.

Marcelo Gabriel

Diretor

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