Oficina Brasil


Blindagem contra crises

A situação da economia brasileira é ruim, e se pensarmos em termos da indústria automotiva - cenário onde estamos inseridos – a coisa está mesmo preta

Por Cassio Hervé*

Estou escrevendo este editorial enquanto a discussão (estampada na mídia) entre economistas gira em torno de uma eventual “recessão técnica” de nossa economia. Recessão eu sei o que é,  ou seja, crescimento nulo ou negativo, já o “técnica”, colocado como adjetivo, me parece mais coisa “política” do que prática.

De qualquer maneira, afora estas “chicanas semânticas” a situação da economia brasileira é ruim, e se pensarmos em termos da indústria automotiva - cenário onde estamos inseridos – a coisa está mesmo preta, e os números de carros vendidos já apresentam quedas da ordem de mais de 10% em relação ao ano passado.

Enquanto isso... lendo o site do VALOR ECONÔMICO (03/06) dou de cara com a seguinte manchete:

“Quando o mercado vai bem, nós vamos mal. Quando o mercado vai mal nós vamos bem..” frase proferida pelo empresário Sergio Comollatti, que prevê crescimento, em 2014, entre 3 e 5%  do Grupo que preside.

Diante da dinâmica de geração de negócios na nossa cadeia de reposição, a projeção otimista do Presidente do Grupo Comolatti - que é o maior conglomerado brasileiro de distribuição de componentes automotivos para o mercado de reposição independente - ratifica a percepção que temos dos serviços de reparo como o “bem substituto” nas épocas de crise.

Ainda invocando a dinâmica dos negócios no aftermarket,  se o Grupo Comolatti estima crescer em 2014, é porque – lá na outra ponta, na oficina, ou seja,  o nascedouro da demanda – o serviço e a aplicação de peças está igualmente crescendo, pois donos de carros não podem prescindir de seus veículos rodando.

Tal realidade prova que nosso mercado é efetivamente um porto seguro na crise, e se este cenário negativo para a economia brasileira persistir  (como preveem alguns economistas), e diante do gigantesco “estoque reparável” de veículos, não há exagero em antever ventos favoráveis para os negócios no aftermarket nos próximos dois anos.

Para comprovar os “humores” do mercado nossa colaboradora, jornalista e empresária Dirce Boer foi a campo ouvir representantes dos principais agentes do mercado (fabricantes, distribuidores, lojas e concessionários). Veja matéria na página 36.

Com muita clareza e foco Dirce Boer reporta as percepções dos entrevistados, assim é possível tirar nossas próprias conclusões sobre o que esperar do aftermarket nacional em 2014, ano “fatídico” que além do risco de experimentar uma “recessão técnica” do PIB, viveu a Copa do Mundo e já sente os impactos das eleições de outubro.

Sem dúvida alguma, se o aftermar¬ket confirmar crescimento em 2014, como muitos dos entrevistados já experimentam, teremos a comprovação de que nossa indústria é blindada, à prova de crises.  Esta é a boa notícia para nós que estamos “abrigados” na cadeia de pós-venda, porém não podemos nos iludir, pois se o mercado é à prova de crises é hora – mais do que nunca - de olhar para dentro de nossas empresas e conferir o  grau de eficiência de nossos negócios. Pois se o cenário é de crescimento, temos a obrigação de crescer também, e se crescermos só poderemos comemorar se soubermos o quanto o aftermarket efetivamente crescerá em 2014, pois, sem este dado podemos “celebrar” uma taxa inferior à real  do mercado de reposição. E sob este aspecto o ganho torna-se perda, pois nossa concorrência certamente cresceu mais e no final das contas, perdemos share.

Assim,  quem pode confirmar e oferecer a “prova dos nove” para comprovar o crescimento real do aftermarket é o elo “cliente” da cadeia de reposição, ou seja a oficina mecânica.  Por meio da análise do comportamento da oficina -  comprovadamente o principal nascedouro da demanda de autopeças em nosso mercado – saberemos, com segurança, quanto o aftermarket cresceu.  Logo, não basta comemorar a fato de estarmos inseridos numa indústria à prova de crises, é tempo de conferirmos a blindagem de nossas empresas. 

Boa leitura!

*Cassio Hervé é diretor  do Grupo Oficina Brasil

 

Comentários