Oficina Brasil


Parte 2:Métodos e ferramentas aplicadas para a redução dos desperdícios e aumento da produtividade

Veja a segunda parte da matéria e saiba como a prática do Diagnóstico Avançado promove a redução de desperdícios e aumenta a produtividade da oficina

Compartilhe
Por Laerte Rabelo


Avaliação da Matéria

Faça a sua avaliação

5

Nesta matéria vamos dar continuidade ao tema:

A prática do Diagnóstico Avançado promove a redução do desperdício e aumento da produtividade na oficina.

Abordaremos nesta matéria o tópico planejamento do Ciclo PDCA que evita o MURI (o desperdício causado pela irracionalidade).

Entretanto, antes de apresentar o assunto planejamento, devemos inseri-lo no contexto da formação do técnico automotivo no que se refere ao desenvolvimento de suas capacidades.

Capacidades do Técnico Automotivo

Quando se fala da formação plena de um técnico automotivo devemos levar em consideração o desenvolvimento de suas capacidades em três categorias: Básicas, Técnicas e de Gestão.

Básicas: referem-se aos conhecimentos, às bases cientificas, tecnológicas e aos saberes universais identificados como pré-requisitos para o fazer técnico e para o desenvolvimento das competências;

Técnicas: expressam os requisitos atitudinais específicos que subsidiam o bom desempenho técnico, ou seja, sua capacidade de aplicar conhecimentos, tecnologias, normas, e outros conhecimentos adquiridos;

Gestão: habilidades organizativas do fazer técnico que, em geral, abordam as relações no ambiente de trabalho, bem como os princípios de qualidade e respostas frente às novas e /ou imprevistas situações problema.

Vamos apresentar, agora, alguns exemplos de capacidades básicas, técnicas e de gestão a fim de identificarmos em qual categoria o planejamento está inserido. 

Métodos e ferramentas aplicadas para a redução dos desperdícios e aumento da produtividade

Observando a figura 1, ficou fácil identificar que o planejamento está inserido na categoria das capacidades técnicas, ou seja, para planejar sua atividade o técnico já deverá ter adquirido algumas capacidades básicas como, por exemplo, identificar o sistema relacionado com a anomalia e interpretar dados e informações, a fim de elaborar seu plano de ação produto final do planejamento.

É a partir do domínio das capacidades que poderemos avaliar se o técnico é competente ou não. As capacidades são desenvolvidas para garantir que o técnico consiga realizar determinadas tarefas, como realizar manutenção no sistema de carga e partida, por exemplo. Isso só é possível se ele desenvolver a capacidade básica de identificar os sistemas eletroeletrônicos e a capacidade técnica de reparar anomalias nos sistemas eletroeletrônicos e assim se forma o conceito de competência profissional.

Métodos e ferramentas aplicadas para a redução dos desperdícios e aumento da produtividade

Agora que contextualizamos o planejamento, vamos apresentar um exemplo prático de sua aplicação, no qual foi requerido pelo proprietário do veículo que o técnico realizasse o diagnóstico de falha no sistema eletroeletrônico do veículo relacionado ao indicador do nível de combustível.

Aplicação prática do planejamento no diagnóstico de falhas

O proprietário de um veículo Chevrolet Celta 1.0 ano 2015 chegou à Oficina L.Rabelo Manutenção Automotiva, sediada no município de Caucaia no estado do Ceará, relatando que o marcador de nível de combustível não estava mais indicando corretamente a quantidade de combustível presente no tanque. Desta forma, solicitou ao técnico automotivo que realizasse o diagnóstico deste inconveniente.

Ordem de Serviço

Como o foco dessa matéria está na aplicação do planejamento, vamos apresentar o passo a passo de registro e montagem do plano de ação para encontrar a causa da falha no veículo. A figura 3 exibe a ordem de serviço deste caso. 

ORDEM DE SERVIÇO

Fluxograma do Diagnóstico

Para se chegar à identificação da causa da falha, foi preciso planejar o passo a passo das ações que seriam tomadas, que em nosso caso, chamei de fluxograma do diagnóstico. A figura 4 apresenta de forma didática a sequência das verificações, testes e reparos necessários para solucionar esse caso.

FLUXOGRAMA DO DIAGNÓSTICO

Execução do passo a passo do fluxograma

Leitura e interpretação da ordem de serviço

Após o registro das informações relatadas pelo cliente foi necessário a realização da interpretação. Assim, sabíamos que o problema exigiria vários testes, como funcionamento do sensor de nível em bancada, teste do chicote elétrico e painel de instrumentos. O mais importante era que estava claro para nós o que estava incomodando o cliente.

Verificar se o relato do cliente procede

Para garantir que realmente o indicador de nível de combustível estava com problemas, tivemos que abastecer o veículo de forma a quase encher seu tanque por completo, para garantir que a quantidade de combustível ficasse superior a meio tanque. Após o abastecimento fomos conferir o indicador de nível no painel. A figura 5 mostra o posicionamento do ponteiro. 

Fluxograma

Assim, confirmamos que o problema realmente existia e, desta forma, partimos para o próximo passo.

Identificar o sistema relacionado

Identificamos, de pronto, dois sistemas que teríamos que realizar os testes: sistema eletroeletrônico do sensor de nível, assim como o sistema que compõe o funcionamento do painel de instrumentos, logo tínhamos dois sistemas para realizar a análise.

Realizar os testes necessários no sistema identificado

Decidimos iniciar testando o funcionamento do mostrador de nível de combustível do painel, utilizando um scanner automotivo, no teste de atuadores, devido à rapidez e facilidade de se realizar o teste. A figura 6 exibe o teste realizado bem como o seu resultado. 

Método e Ferramentas aplicadas para redução dos desperdícios e aumento de produtividade.

Ao realizá-lo, vimos que o ponteiro se movimentava normalmente até a posição de tanque cheio, o que indicava que o painel de instrumentos estava em perfeito estado.

O próximo teste foi a análise da alimentação do sensor de nível de combustível. Mas, antes de realizar o teste tivemos acesso ao diagrama elétrico, figura 7, que indicava que a alimentação do sensor de nível vinha direto do módulo de controle do motor e que tinha um valor de aproximadamente 5,0 volts. Realizamos a medição com o multímetro e constatamos que o sensor recebia a alimentação positiva de acordo com o especificado. Em seguida, realizamos o teste de continuidade do sensor com a massa do veículo, confirmando assim que o mesmo está recebendo alimentação elétrica tanto pelo lado positivo quanto pelo lado negativo.

Métodos e ferramentas aplicadas para a redução dos desperdícios e aumento da produtividade

A figura mostra o resultado dos testes através de nosso relatório técnico de diagnóstico.

Métodos e ferramentas aplicadas para a redução dos desperdícios e aumento da produtividade

Reparar o inconveniente

Diante do resultado das análises feitas, concluímos que o problema seria o sensor de nível. Então substituímos o mesmo sem nenhum tipo de problema durante o procedimento.

Verificar se o problema foi solucionado

Após a substituição, ligamos o veículo e comprovamos a assertividade do diagnóstico. A figura 9 mostra o mostrador de combustível marcando corretamente a quantidade de combustível que estava no tanque. 

Métodos e ferramentas aplicadas para a redução dos desperdícios e aumento da produtividade

Entrega do veículo

Com a confirmação da solução do defeito, explicamos ao cliente como se deu a resolução do caso, mostrando a peça defeituosa e finalizamos o serviço com todos os envolvidos satisfeitos e nós, particularmente, com a sensação de dever cumprido.

Caros amigos reparadores, procurei nesta matéria apresentá-los à importância do planejamento e das capacidades técnicas para se realizar diagnósticos de forma rápida e sem imprevistos oriundos da irracionalidade (MURA), devemos sempre criar um fluxograma ou passo a passo dos testes e reparos que iremos realizar.

Até a próxima!

Comentários