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Conheça a técnica de verificação de sinais de entrada e de saída dos componentes eletrônicos

Na série Diagnóstico Automotivo Avançado, vamos descobrir como funciona a técnica I/O (input/output) que está revolucionando o mercado de reparação automotiva, mas antes, tem que conhecer bem os sistemas

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Por Laerte Rabelo


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Nesta matéria vamos apresentar uma técnica de diagnóstico de assertividade comprovada na identificação da causa de anomalias no veículo. Mostraremos em detalhes como o reparador, com poucos testes, conseguiu identificar a causa altamente improvável de o veículo não entrar em funcionamento.  

Introdução

Para ser um bom técnico de diagnóstico automotivo não basta ter equipamentos de ponta, como scanner e osciloscópio, mas sobretudo, ter a  capacidade de organizar suas ideias e planejar o passo a passo para descobrir o motivo pelo qual a falha está acontecendo.

⦁ Conhecer o funcionamento do sistema é fundamental

Um dos pré-requisitos para se realizar um diagnóstico de qualidade consiste no domínio da dinâmica de funcionamento do sistema que apresenta a anomalia. 

No caso que será apresentado nesta matéria, o sistema sob análise é o de gerenciamento eletrônico do motor. Desta forma, iremos explorar de forma rápida e objetiva o seu funcionamento. 

Para efeito de diagnóstico, o sistema de gerenciamento eletrônico do motor trabalha sob o princípio de sinais de entrada (Input) e sinais de saída (output), tendo a central de gerenciamento do motor o cérebro do sistema que recebe as informações dos sensores e comanda o acionamento dos atuadores. A figura 1 mostra de forma esquemática a ligação entre seus diferentes componentes. 

Figura 1

Observando a figura 1, temos como variáveis de entrada os sinais dos sensores, e como sinais de saída, o controle dos bicos injetores, tendo a central de injeção o comando de toda dinâmica de funcionamento do sistema. 

Sabemos que existem alguns sensores que desempenham um papel vital para o funcionamento do sistema, como por exemplo, o sinal do sensor de rotação do motor, em alguns sistemas sem essa informação a central de injeção não libera o comando para o sistema de alimentação (bicos injetores) e ignição (bobinas). 

Após este breve esclarecimento, ficou fácil compreender que se por algum motivo algum sinal de entrada vital não chegar ao módulo de gerenciamento do motor, este não acionará os atuadores para colocar o motor do veículo em funcionamento. 

⦁ Compreendendo graficamente os sinais de entrada e saída

Para uma completa compreensão dessa técnica de diagnóstico, vamos nos utilizar do osciloscópio para mostrar como ocorre a lógica de funcionamento do sistema. 

A figura 2 exibe o sinal do sensor de fase e rotação (entrada) e sinal característico do sistema de ignição (saída). 

Figura 2

Em resumo, para se realizar esta técnica com eficiência é necessário ter em mãos um osciloscópio de pelo menos dois canais, um para capturar o sinal de entrada e o outro o de saída, para confirmar que a central de controle do motor está recebendo a informação do sensor e enviando o sinal de comando para os devidos atuadores, bem como um esquema elétrico para identificar a posição dos pinos na central dos sensores e atuadores que serão analisados.

A figura 3 mostra um esquema elétrico com os pinos da central referente à captura, assim como a identificação de sua função dentro do circuito. 

Figura 3

⦁ Estudo de Caso

O proprietário da Auto Center RubinhoCAR, de Fortaleza-CE, me contatou para realizar um serviço de consultoria em sua oficina. Chegando lá me deparei com uma Saveiro 1.6 ano 2014, figura 4, que não entrava em funcionamento.

Figura 4

Iniciei o diagnóstico realizando a entrevista consultiva, perguntando a Rubinho, o dono da oficina, o histórico do veículo, o que ele já tinha feito, ou se ocorreu algum evento que pudesse originar essa falha. 

De pronto, o técnico informou que já havia passado o scanner, mas não tinha encontrado nenhum código de falha, e após algumas verificações, concluiu que não havia a ocorrência de centelha em nenhum dos cilindros. Este seria o motivo pelo qual o motor não consegue entrar em funcionamento.

De posse destas informações, levantei algumas hipóteses, como por exemplo: Defeito no sensor de rotação, avaria no chicote que liga o sensor de rotação ao módulo, problema no módulo do motor, chicote aberto entre o módulo e as bobinas, bobinas defeituosas, essas seriam algumas possibilidades. Então, planejei minha estratégia de diagnóstico, para descobrir a causa dessa anomalia realizando o menor número de testes possíveis.

Comecei por consultar a literatura técnica a fim de identificar a localização dos pinos de alguns sensores e atuadores que seriam analisados.

A figura 5 apresenta detalhes dos conectores da central de gerenciamento do motor.

Feita a localização dos pinos e realizada a instalação das pontas de provas nos pinos referentes ao sensor de rotação e bico injetor, obtive os sinais conforme mostra a figura 6. 

Figura 5

Figura 6

Ao ser observar a captura, tirei várias conclusões que são listadas a seguir:

1-O sensor de rotação estava emitindo seu sinal de forma correta e seu chicote elétrico estava em perfeito estado;

2- A central de controle do motor estava com sua alimentação positiva e negativa dentro dos padrões, bem como seu circuito de acionamento dos bicos injetores funcionava adequadamente;

3- Os condutores que ligam a central do motor aos bicos injetores estavam conduzindo o comando de forma regular.

Após essas conclusões passei para o segundo teste, agora centralizei no circuito de acionamento das bobinas de ignição. 

Para realizar este teste mantive a ponta de prova que capturava o sinal do sensor de rotação e mudei a posição da ponta de prova que monitorava o bico injetor para a captura do sinal de acionamento de uma das bobinas. Feito isso, obtive os sinais exibidos pela figura 7. 

Figura 7

Após a captura, identifiquei que o módulo de controle do motor não estava enviando o pulso de acionamento para a bobina de ignição do primeiro cilindro. Para confirmar se isto se repetia nas demais bobinas realizei o mesmo teste nas outras três, obtendo o mesmo resultado. Concluindo enfim que o problema estava internamente no módulo de controle do motor. 

Para confirmar, liguei o scanner e com a ignição ligada, desconectei o conector das bobinas e verifiquei se havia aparecido alguma falha referente a circuito aberto no chicote das bobinas na tela do scanner, como suspeitei o circuito de controle das bobinas no interior do módulo estava danificado. 

Entramos em contato com nosso parceiro Thiago, que também trabalha realizando diagnóstico automotivo e reparo de módulos de controle, informando toda a problemática. Ao ouvir atentamente o relato, usou de toda sua experiência nesse campo e disse: “Já peguei um caso bem parecido com esse; verifique o conector do sensor de temperatura do motor”. Sem perca de tempo, partimos para a verificação e nos certificamos o que tinha causado todo o problema do veículo. 

A figura 8 apresenta o conector do sensor de temperatura do motor com muita água, resultado da falha mecânica (quebra interna) do sensor de temperatura que deixou passar água sob pressão para dentro do chicote até chegar ao interior do módulo de controle do motor e danificar totalmente o circuito de acionamento das bobinas de ignição, como mostra a figura 9, que exibe a tampa que protege o interior do módulo com presença de água, e o circuito eletrônico totalmente danificado. 

Figura 8

Bom caros amigos reparadores, procurei nessas breves linhas mostrar como realizar a análise de vários sistemas e/ou componentes realizando poucos testes a fim de aumentar a produtividade sem perder a eficiência e assertividade no diagnóstico. 

Até a próxima!

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