Entrevistas - Da Redação

Nakata completa 65 anos e constrói história de liderança no aftermarket

Marca comemora décadas de atuação e investe no desenvolvimento de soluções completas que atendam à demanda com agilidade e maior disponibilidade de itens para veículos novos e importados

Em entrevista exclusiva ao Jornal Oficina Brasil, o CEO e presidente da Nakata Automotiva, Jorge Schertel, fala da atuação da empresa no mercado de reposição e como a marca se posicionou para ampliar e diversificar seu portfólio de produtos nos últimos anos. Assim, a Nakata conseguiu estar cada vez mais presente no mercado e conhecida pelas linhas de suspensão, transmissão, direção, freio e motor para veículos leves, pesados e mais recentemente para motocicletas.

Oficina Brasil: A Nakata está comemorando 65 anos este mês e com muitas histórias para contar. Conte um pouco sobre a sua atuação na empresa e também sobre a sua trajetória profissional.
Jorge Schertel: Dediquei toda a minha carreira profissional ao setor automotivo, iniciado em 1971 na Dana Albarus em Porto Alegre. Especificamente no mercado reposição, ingressei na Pellegrino, em 1985, em São Paulo. Retornei à Dana em 1992 assumindo a Diretoria da Reposição, e posteriormente em 2004, quando da formação da Affinia, me tornei presidente das operações para o Brasil e toda América do Sul. Em 2015, as operações da Affinia foram adquiridas por um grupo de investidores brasileiros, do qual faço parte, sendo também CEO e presidente.

OB: A Nakata originalmente nasceu para atender montadoras e depois direcionou as operações para o aftermarket. O que levou a esta decisão?
JS:
A Nakata foi fundada em 1952 por uma família de imigrantes japoneses. Em 1957, iniciou o fornecimento de tuchos de válvulas de motor para a Volkswagen. Depois fabricou para o OE: barra de direção, amortecedor para suspensão e foi pioneira ao lançar o primeiro amortecedor pressurizado do Brasil, sob a marca HG Nakata.

A decisão de atuar focada no aftemarket foi uma estratégia da empresa que acreditou no potencial do segmento, entendendo as suas características e necessidades específicas e distintas das montadoras. Na reposição, o negócio envolve, além de qualidade e disponibilidade de itens e serviços, o atendimento técnico com agilidade ao reparador, informação sobre aplicação e todo o suporte necessário para que o produto seja aplicado da forma correta. Esse foco e dedicação é o nosso diferencial e nos permite apresentar ao mercado soluções completas com a mais ampla linha de produtos e serviços para undercar.

OB:  Quais são as estratégias da marca para atuar no aftermarket e quais ações são direcionadas aos reparadores?
JS:
A nossa atuação no mercado de reposição é baseada em qualidade, disponibilidade, preço justo e proximidade com o mercado, atributos que têm garantido a nossa presença e crescimento entre as marcas líderes.

O planejamento é realizado considerando investimentos não só na divulgação da marca, mas, principalmente, para sustentar a imagem que a empresa construiu nos últimos 65 anos de mercado. Em resumo, quando assinamos: “Tudo azul, tudo Nakata”, trabalhamos em nosso modelo de negócios para que isso seja, de fato, reconhecido pelos aplicadores e usuários. Tudo que estamos implementando ao longo deste ano e no futuro próximo é com este intuito. Como exemplos: a TV Nakata com dicas técnicas no Youtube, treinamento presencial na Rota do Reparador e o novo site Nakata, que traz um modelo inovador de catálogo digital para o segmento undercar. Para isso, é preciso estar permanentemente buscando inovações e isso exige foco, proximidade e rapidez nas respostas às novas demandas.

OB: Hoje, quais linhas de produtos que a Nakata oferece ao mercado? Cite os principais lançamentos da marca.
JS:
O portfólio oferece uma das mais completas linhas de produtos do mercado para linhas leve, pesada e motocicletas, com componentes para suspensão, direção, transmissão, freio e motor. Este ano lançamos na Automec as linhas de diferencial e cardans para veículos pesados, ampliando a nossa atuação, além de outras novidades como kits de juntas homocinéticas e kits metal-borracha. Levamos soluções que ajudam os reparadores na aplicação. Foram 800 novos números de referências que apresentamos ao mercado no primeiro semestre, o que dá uma média de 20 novas aplicações por dia de trabalho. 

OB: Além de linhas leve e pesada, a marca também tem produtos para motocicletas. Como avalia o mercado duas rodas e quais produtos oferece?
JS:
Sim, introduzimos itens para motocicletas, como amortecedor, tubo interno, corrente, coroa e pinhão e o kit de relação completo. Este mercado é bastante promissor devido à frota ser expressiva e crescente. Estamos satisfeitos com os resultados alcançados até o momento e a previsão é continuar aumentando o portfólio que já tem ampla cobertura.
 
OB: Como é feita a avaliação de demanda de mercado para lançamento de produtos? Quanto tempo leva entre identificar a demanda e produzir?
JS:
Estudamos a frota brasileira de veículos por idade e modelos para programar os lançamentos e estudar a demanda. Mesmo que o veículo só comece a frequentar as oficinas independentes após o período de garantia, procuramos lançar os produtos logo após a sua chegada ao mercado. Agilidade e disponibilidade em um setor altamente concorrido tem contribuído para a nossa estratégia e resultando em excelentes frutos para o posicionamento e diferencial de marca.
 
OB: Quais investimentos realizados este ano e como a empresa se preparou para este período de oportunidades e forte concorrência no mercado de reposição?
JS:
Este ano investimos em novo centro distribuição em Santo André, estrategicamente localizado próximo à fábrica de amortecedores de Diadema, dando ainda mais agilidade na logística. Também implementamos melhorias na fábrica e aquisição de novos equipamentos, garantindo ganhos em produtividade e redução de custos. A gestão de ferramentas de Lean Manufacturing também tem otimizado processos e ajudado no aprimoramento contínuo de qualidade e maior competitividade. Investimos também em softwares de business intelligence e previsão de demanda, visando melhor abastecimento dos clientes e maior eficiência logística para atendimento de um número de aplicações cada vez mais amplo.

OB: Como é o relacionamento da marca com o reparador? O fato de atuar somente no aftermarket ajuda?
JS:
O mais próximo possível, temos central de atendimento com mais 14.000 ligações só este ano, equipe de técnicos que visita oficinas para dar suporte e atendimento presencial, além de material técnico disponível impresso, digital e várias outras ações de relacionamento específicas somente aos reparadores.  Como exemplo, temos o PAC – Programa Auto Centers Nakata, que oferece uma série de serviços e benefícios, material técnico e promocional às oficinas e centros automotivos participantes. Acima de tudo, manter o reparador bem informado sobre os produtos, dicas de aplicação e treinamento em diagnose, é uma tarefa que mantemos à risca. Outros exemplos são: a distribuição de dezenas de vídeos de treinamento no Youtube e regionalização ainda maior do atendimento e treinamentos presenciais, ampliando a equipe técnica em São Paulo e no Nordeste. Procuramos sempre desenvolver ações que envolvam o reparador, a loja de autopeça e o consumidor final, integrando todos os elos para disseminar informações importantes sobre sintomas do veículo e necessidade de reparo. É por meio dos Auto Stops Nakata, de avaliação gratuita do sistema de suspensão, que esta ação fica melhor exemplificada. Só este ano, já realizamos mais de 50 eventos. Queremos manter uma grande gama de opções para que o mecânico se sinta amparado, com possibilidade de desenvolvimento profissional e forte relação de confiança com a Nakata.

OB: Quais as expectativas da empresa para os próximos anos e como enxerga as mudanças com a indústria 4.0?
JS:
Ao que tudo indica, teremos um cenário muito positivo para reposição. Estamos prontos para continuar a construção do futuro em sintonia com as necessidades do mercado e as novas demandas que virão de um ambiente de negócios cada vez mais tecnológico. Continuaremos investindo no que é nosso DNA: a excelência de soluções ao mercado para garantir aos nossos clientes e usuários as melhores experiências e confiança na nossa marca.

Contudo, é preciso estar atento e preparado para potenciais mudanças e desafios que estão por vir. Já levando em conta a presença cada vez maior da conectividade e da internet, acreditamos que haverá novos formatos de negócios na geração e atendimento da demanda de peças e serviços. Portanto, trabalhamos para ter uma cadeia de valor mais colaborativa, onde os fluxos de informações e transações aconteçam em um grau muito maior em relação ao de hoje, iniciando nas oportunidades de demanda do mercado, passando pelo desenvolvimento de soluções de reparo, que incluem: o produto, sua fabricação e disponibilidade, até chegar, novamente ao ponto de venda.  Este é o modelo que estamos considerando no planejamento da empresa para os próximos anos.  

Jorge Schertel ainda aproveitou a oportunidade para finalizar a entrevista falando sobre a importância do profissional da reparação automotiva para a Nakata: “Aproveito este importante veículo de comunicação direcionado ao reparador para reforçar o compromisso da Nakata com os milhares de profissionais que atuam no setor de reparação de veículos em todo o país. Sabemos que o reparador é o principal agente do processo, pois a manutenção só acontece a partir de seu diagnóstico e recomendação. Portanto, conte com 100% da nossa atenção, capacidade de trabalho e investimentos para oferecer soluções completas e acessíveis. Somos agradecidos pela confiança depositada, pela ajuda em nosso contínuo processo de melhoria e somos incansáveis em buscar sua satisfação.  Esse é o nosso compromisso!”, finaliza o presidente.

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