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Chão da Oficina - André Silva

Com mais de quarenta anos de tradição, Bavária é referência na manutenção de veículos BMW

Veja na matéria um pouco da sua história e saiba como é a dinâmica de trabalho em uma oficina especializada na manutenção de veículos de uma única fabricante

Amplo espaço e bom uso da luz natural, atual sede foi inaugurada em 1997A Bavária começou suas atividades em 1972, quando o senhor Carmine Grisolia, então gerente de uma importadora independente de veículos BMW, diante da escassez de profissionais aptos a lidar com sua mecânica mais sofisticada, resolveu atuar também na manutenção dos veículos da marca. Hoje, passados quarenta e dois anos, a Bavária continua a ser a principal referência brasileira quando o assunto é manutenção e reparos em veículos BMW.

“Oficinas monomarcas existem há muito tempo no país”, diz Gabriel Brantes, neto do senhor Grisolia, “porém, de um tempo para cá, muitas delas, talvez por conta da crise de 2008, flexibilizaram o atendimento, passando a atender outras marcas. A Bavária, ao menos em São Paulo, é a única que atende exclusivamente veí­culos BMW, há mais de quatro décadas”, garante.

Gabriel diz que embora o avô seja o responsável pelo início da Bavária, com a evolução (ou revolução) da eletrônica nos anos noventa, e com a chegada da representação oficial da montadora no país, seu irmão Raphael Brantes foi decisivo na continuidade da empresa, indo buscar conhecimentos e contatos comerciais diretamente na Alemanha. Isso colocou a Bavária em vantagem no mercado, até mesmo sobre as concessionárias da marca, que possuíam os mesmos equipamentos e as mesmas informações, mas não dispunham da mesma experiência. A maior complexidade técnica dos veículos e o crescimento da rede autorizada da marca poderiam ter sido um problema para a oficina, mas, graças ao empenho de Raphael, acabou se tornando o início de um segundo capítulo. O crescimento nas vendas da marca aumentava a demanda por serviços, e o nome Bavária passava a ser conhecido por um número cada vez maior de proprietários. Então Raphael morreu em um acidente de moto, desestabilizando a família e a empresa. Houve um hiato. Embora continuasse funcionando, a oficina carecia dos seus conhecimentos e desenvoltura com a tecnologia. Coube então a Gabriel assumir a posição antes ocupada pelo irmão mais velho. Hoje, com apenas vinte e dois anos de idade, ele, junto com o avô Carmine, conduzem esta simpática oficina no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, e nos conta um pouco como é consertar carros de um único fabricante.

Diversos modelos e gerações de BMW são atendidos com o mesmo cuidadoApesar da pouca idade, Gabriel diz que trabalha na Bavária desde os dezessete anos, a princípio meio a contragosto, mais por necessidade financeira, tendo o irmão como tutor: “ele sempre me ensinava tudo o que sabia. E eu aprendia, mas não dava muita atenção. Depois da morte dele, tive que lembrar um monte de coisas que ele havia me ensinado”. Uma dessas coisas, ressalta Gabriel, é tentar sempre estar junto ao cliente durante a realização do orçamento: “encontrar o problema na frente do proprietário é a melhor maneira de estabelecer um laço de confiança com ele”.

Além do atendimento transparente, uma oficina especializada em uma única marca deve possuir os recursos necessários para atender todos os seus modelos. Mas isso custa caro: “só com assinaturas para uso de equipamentos e serviços a gente gasta aproximadamente cem mil Reais por ano”, diz Gabriel. O último equipamento adquirido chama-se ICON, e serve para intervenções na rede de fibra ótica dos veículos BMW. “Além deste, há vários outros, pois eles são substituídos em média a cada quatro anos”, completa. Questionado se há suporte oficial da montadora, Gabriel diz que não, e que, inclusive, recentemente, após receberem uma notificação judicial, foram obrigados a retirar a logomarca da fabricante dos uniformes, da fachada da oficina e até dos documentos timbrados. Gabriel vê graça nesta atitude e diz: “num mundo de imagem, as próprias marcas viraram um produto”. Aliás, por falar em produto, a Bavária, além de ser uma oficina, também é uma importadora e loja de autopeças. Estas atividades combinadas proporcionam um atendimento em geral mais rápido que as concessionárias, e até 40% mais barato, de acordo com Gabriel. Mas ao contrário do que possa parecer, a Bavária não mantém uma relação hostil com as concessionárias da marca, pelo contrário, Gabriel diz que devido ao grande volume de compras e à influência do seu avô, eles têm direito a descontos consideráveis nas maiores concessionárias da marca. “E às vezes são elas que recorrem a nós”, diz, reforçando que o estoque da Bavária, embora focado em produtos de maior rotatividade, também possui muitas peças antigas, praticamente impossíveis de encontrar em outro lugar.

Gabriel Brantes e o avô Carmine Grisolia / Fachada da oficina remete à clássica arquitetura alemãCom o início das atividades industriais da marca alemã no Brasil, iniciada em 2014, e com sua destacada participação no mercado nacional de veículos de luxo nos últimos anos, Gabriel é otimista quanto ao futuro, e já faz algumas previsões de crescimento nos negócios e na infraestrutura da empresa, mas afirma que a Bavária é e vai continuar sendo uma oficina de bairro, em uma rua sem saída, na charmosa Vila Madalena, e deseja que os novos clientes continuem chegando por indicação, “como sempre foi, sem disputar o mercado com concessionárias e outras oficinas independentes, apenas compartilhando-o”.

 

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