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Honda CR-V da quarta geração é bem avaliado pelas oficinas e começa a se despedir das concessionárias

Quinta geração do crossover japonês chega ao Brasil entre janeiro e fevereiro para substituir modelo lançado em 2011 e que, desde já, deixa saudades entre os reparadores. SUV é sinônimo de robustez e boa reparabilidade

Por Antônio Edson

Foto 1

No final de 2017, nos Estados Unidos, a Honda divulgou as imagens da quinta geração (foto 1) do CR-V, seu crossover mais vendido em todo o mundo – cerca dequatro milhões de emplacamentos até agora. Assim como aconteceu com o Civic, que, recentemente, aos 44 anos de idade e na 10ª geração,passou por uma radical transformação, o SUV que começou a ser montado sobre a plataforma desse sedan, em 1996 (foto 2), também foi submetido a um downsizing. Uma de suas versões, a Touring,que terá como opcional a tração integral, apresentamotor 1.5 16V i-VTEC Turbo Earth Dream a gasolina de injeção direta de 190 cavalos e 24,7 kgfm,acoplado ao câmbio automático do tipo CVT.Outra versão, de entrada, éa de motor 2.4 de 184 cavalos e 24,8 kgfm também com transmissão CVT. A má notícia para os brasileiros é que essa nova geração do CR-V não virá mais do México, país que mantém acordo com o Brasil para isenção da taxa de importação, mas da fábrica da Honda de Indiana, nos Estados Unidos,o que certamente implicará no encarecimento do veículo.

Foto 2

Até o início das vendas da quinta geração do CR-V (acrônimo em inglês para Confort Runabout Vehicle, ou veículo confortável e versátil em português) por aqui os brasileiros têm à disposição a quarta geração do CR-Vque foi lançada em 2011. Mais exatamente nas versões EXL 4x4 e a LX 4x2, ambas equipadas com o motor

2.0 16V SOHC i-VTEC-FlexOne que produz 150 cavalos com gasolina que, se sofre um pouco ao puxar os 1.579 quilos da versãocom tração integral, tem um excelente rendimento com o baixo consumo de combustível, principalmente com a função Econ ativada. Foi exatamente com uma versão EXL 4x4, ano 2016, cotada em R$ 124.577,00 (pela tabela Fipe),que a reportagem do jornal Oficina Brasil visitou três oficinas independentes de reparação da cidade de São Paulo (SP), escolhidas do Guia de Oficinas Brasil, com a missão de submeter o crossover da Honda à avaliação dos reparadores. Dessa vez, as escolhidas foram a Bosch Car Service Nishiguchi, em São Caetano do Sul (SP), a Auto Elétrico Mil Milhas, na Vila Mariana, em São Paulo (SP), e a High Tech Service, na Lapa, também em São Paulo (SP). Nelas, o veículo foi analisado por...Foto 3

Roberto Ghelardini Montibeller (foto 3).Com 52 anos de idade e 31 de profissão, o reparador Roberto Montibeller segue uma tradição familiar iniciada pelo avô, Lázaro Montibeller, que nos anos da Segunda Guerra Mundial produzia rodas de madeira e adaptava veículos que voltavam do front em caminhões para recolhimento de lixo. Eque teve continuidade com seu pai, Sérgio, com quem Roberto aprendeu as primeiras técnicas da profissão. Ainda hoje, aos 80 anos, Sérgio mantém a própria oficina, também na Lapa e uma parceria com a High Tech, oficina fundada por Roberto em 2006 após ele se graduar em mecânica e fazer vários cursos de especialização no SenaFoto 4i. “A High Tech foi criada para implementar os serviços de balanceamento e alinhamento técnico, mas atua também nos serviços tradicionais de manutenção mecânica e eletroeletrônica”, afirma Roberto. Segundo ele, a oficina, em novembro passado, chegou a um giro de 125 ordens de serviço. “Foi uma boa melhora após um período de baixa demanda em função do momento econômico do País”, comenta.

Weslei Santos Marani (foto 4). Com 29 anos de idade e na profissão há 17 anos, o reparador Weslei Marani começou na reparação automotivapara ajudar um vizinho e terminou por se encontrar como profissional desse setor. Desde então está na mesma oficina, a Bosch Car Service Nishiguchi, que em abril de 2017 passou paraas mãos do engenheiro mecânico Marcos Eduardo Di Nardi, 56 anos, que durante mais de 30 anos trabalhou na engenharia de motores da Mercedes-Benz do Brasil. “Antes trabalhei como reparador na minha juventude e agora tenho a oportunidade de voltar à profissãocomo gestor. Sob minha direção, a oficina procurará enfatizar o serviço preventivo e prestar um atendimento mais próximo ao cliente para que seu carro saia daqui em perfeitas condições de uso. Também pretendemos nos dedicar mais às locadoras e pessoas jurídicas, sem descuidar das pessoas físicas”, projeta Marcos Eduardo.

Valdir Lima (foto 5). O reparadoFoto 5r Valdir Lima, 61 anos, está no mesmo ponto estratégico, a esquina da Rua Joaquim Távora com a rua Vergueiro, na Vila Mariana, há 55 anos, quando a Auto Elétrico e Mecânica Mil Milhas foi fundada por seu pai, Vantuir Lima. Foi com ele que um jovem Valdir aprendeu os primeiros macetes da profissão de reparador e a gostar desse oficio, o que viria a se tornar fundamental anos mais tarde. Com o falecimento do pai, Valdir precisou assumir o negócio da família em 1987 para nunca mais o deixar. Sua oficina, que trabalha com mecânica leve em geral, dá conta de um movimento de aproximadamente 40 ordens de serviço por mês e o movimento só não é maior devido ao reduzido espaço das instalações. “Atendemos a qualquer demanda, mas o nosso forte aqui são os serviços mais rápidos, em que o carro entra e sai no mesmo dia ou, no máximo, no dia seguinte”, afirma o reparador. 

PRIMEIRAS IMPRESSÕES

Lançada em 2011, a quarta geração do Honda CR-V (2011-16) apresentou algumas mudanças em relação à anterior (2007-2011), como o para-choque dianteiro redesenhado,faróis de neblina retangulares e envolvidos por detalhes cromados, a grade no estilo colmeia com frisos também cromados e conjunto ótico com luzes de navegação diurna em LED (foto 6). Os retrovisores ficaram maiores e os para-sóis receberam espelhos iluminados. Se as linhas dianteiras lembram um pouco o Hyundai Santa Fé, ao ver a parte traseira fica quase impossível deixar de reparar nas lanternas (foto 7) que remetem a uma de suas concorrentes importadas. “Lembra mesmo a Volvo XC60”, identifica o reparador Valdir Lima.  “Essa traseira nova ficou bem estilosa, lembra a dasStation Wagon norte-americanas”, compara Weslei Marani. Coube a Roberto Montibeller quebrar a unanimidade das opiniões. “Achei as linhas do carro quadradas demais em relação à geração anterior, que me pareciam mais harmoniosas. Tem um porta-malas excelente (foto 8) de589 litros, típico de um SUV familiar, mas é um carro meio desajeitado para rodar na cidade, embora as mulheres o adorem porque tem espaço para tudo”.

Foto 6

Foto 7

Foto 8

Internamente,de fato, o visual robusto da aparência exterior dá lugar a uma ambientação espaçosa, confortável e recheada de materiais de boa qualidade que, segundo os reparadores, fizeram a fama do modelo junto aos consumidores e fãs. O painel, por exemplo, leva revestimento soft (foto 9), de textura suave, e detalhes cromados. Maior, o console central está mais prático e modular. O couro é revestimento dominante nos bancos, volante e manopla da alavanca de câmbio. Um segundo retrovisor interno no console do teto,(foto 10) e que na verdade é um porta-óculos embutido, foi uma interessante solução para os passageiros da frente acompanharem o movimento de crianças no banco traseiro. Um fator de estranhamento, pouco comum em outros modelos, é a alavancado freio de estacionamento acionado por um pedal (foto 11) bem acima do descansa-pé, à esquerda do pedal do freio. “A princípio, o motorista não acostumado irá estranhar, mas logo se habituará”, acredita Roberto Montibeller.

Foto 9

Foto 10

Foto 11

AO VOLANTE

O Honda CR-V2016 avaliado, do modelo EXL 2.0 4x4 AT, conta com um pacote de serviços eletrônicos que contribui para uma direção estável, segura e confortável. A começar pelo volante (foto 12) com ajuste de altura e profundidadeque concentra o controle do sistema de áudio e de piloto automático, e passando pelobanco do motorista com várias opções de regulagem de altura e distância, os reparadores puderam aferir que a dirigibilidade do crossover está cada vez mais semelhante ao de seu irmão Civic, comprovando que o conforto ao dirigir não precisa ser uma característica exclusiva dos sedans, mas pode ser estendida aos SUVs.“Apesar de faltar um ajuste elétrico do banco é possível escolhermos uma posição mais alta de dirigir, típica dos SUVs, ou mais rente ao chão”, indica o reparador Weslei Marani.

Foto 12

“Transmissão precisa, aceleração esperta para um veículo de dimensões grandes e que acaba facilitando sua circulação pelos centros urbanos. Só a lamentar o fato de não termos a opção manual das borboletas atrás do volante para agilizar as trocas de marchas no trânsito. Talvez aí o carro ficasse mais na mão”, observa Valdir Lima. “De fato, os engates do câmbio automático de cinco velocidades são suaves, sem trancos, embora essa configuração de caixa de transmissão já não seja tão moderna. Hoje, um projeto atual de um carro desse porte teria, certamente, uma caixa com até dezvelocidades. Também chamo a atenção para a visibilidade excelente, inclusive da parte traseira, com retrovisores largos e uma imagem da câmara de ré projetada na tela do sistema multimídia de sete polegadas, além do painel de instrumentosque induz o motorista a praticar uma dirigibilidade econômica”, relata Roberto Montibeller. Conduzindo o carro de forma eficiente e econômica, uma luz verde se acende ao lado do velocímetro (foto 13). Contribui decisivamente para essa condução mais amena a função Econdo veículo que, sem reduzir a potência do veículo, faz o motor trabalhar em uma rotação mais baixa, reduzindo o consumo de combustível e a emissão de gases. Isso porque ele altera o gerenciamento da injeção, do ar-condicionado e do piloto automático.

Foto 13

Uma qualidade do CR-V apontada unanimemente pelos reparadores foi seu silêncio interno. “Possivelmente devido ao bom acerto da suspensão, o carro absorve bem as irregularidades do piso e tem um rodar silencioso”, descreve Roberto Montibeller. “O rodar é macio, como convém a um veículo familiar”, elogia Valdir Lima. “Para um SUV, cuja suspensão sempre é mais dura, o CR-V tem uma rodagem agradável, silenciosa, chegando a parecer um veículo elétrico”, compara Weslei Marani.

MOTOR SOHC i-VTEC

Inteiramente de alumínio, o motor 2.0 16V SOHC i-VTEC-FlexOne (foto 14) do CR-V entrega um desempenho de até 155 cavalos com um torque de 19,5 kgfm (etanol) a 4.800 rpm. Convém explicar que SOHC, em inglês – Single Overhead Camshaft –indica as iniciais para Comando Simples de Válvulas de Cabeçote. Esse foi o termo criado pela engenharia da Honda para o motor que emprega um comando simples de válvula, sendo duas por cilindro, para gerenciar com mais eficiência a abertura e o fechamento das válvulas de admissão e escape. Já o sistema i-VTEC– de Intelligent Variable Valve Timing and Lift Electronic Control, ou Controle Eletrônico Inteligente da Variação dos Tempos e Levantamento das Válvulas – é um aprimoramento do antigo VTEC criado pela montadora japonesa. Esse sistema proporciona melhor controle às válvulas de admissão em baixos e médios níveis de rotação e aceleração, conferindo uma melhor resposta aos acionamentos do acelerador: nada menos do que 80% do torque do motor já está disponível a baixos 2.400 rpm.

Foto 14

Apesar de tanta virtuosidade, com a vinda da quinta geração do Honda CR-V ao País,esseSOHC i-VTECpode estar a caminho da aposentadoria. Isso porque não é certeza que uma versão aspirada – a vendida nos Estados Unidos tem motor 2.4 de 184 cavalos e 24,8 kgfm – virá ao Brasil. Mas se a Honda optar por atendera um público maior é bem possível que mantenha ao menos uma versão desse motor em função do excelente conceito que esse desfruta entre os reparadores. “É praticamente o mesmo do Civic. Em quase 20 anos de oficina, nunca precisei abrir um cabeçote desse motor, um dos melhores que conheço”, garante Weslei Marani. “Esse motor só para na oficina para fazer a manutenção básica. Raramente precisa ser aberto”, confirma Valdir Lima. “Robusto, confiável e eficiente. E ainda com manutenção fácil. Esse motor quase nunca quebra”, arremata Roberto Montibeller.

Pedir a um reparador que aponte um ponto fraco nobem-amado SOHC i-VTECé quase beirar a heresia. Hesitantes a princípio, no entanto, eles reconhecem que até as mais perfeitas máquinas produzidas pelo engenho humano são sujeitas a falhas. “Esse coxim hidráulico e blindado, superior do motor, é resistente e difícil de estourar, mas pode acontecer principalmente se o motorista for do tipo que tem uma condução mais agressiva”, reconhece Weslei Marani. Quando isso ocorre, aliás, é impossível ignorar o problema devido ao barulho provocado. Segundo outros reparadores é comum a avaria do coxim ser confundida com algum problema na suspensão.“Também é bom ficar atento ao tensionador da correia, em que pese o seu reparo ser fácil e o valor da peça não ser dos mais altos, e dar atenção à válvula EGR (foto 15) do escapamento. É aquela que reaproveita os gases do motor para melhorar o consumo. Pelo menos no Honda Fit ela já me deu um pouco de trabalho”, completa o reparador.

Foto 15

Outro problema que pode vir a acontecer é com a ventoinha do ar-condicionado. O CR-V, assim como o Civic, trabalha com dois eletroventiladores– um para o ar-condicionado e outro para o radiador (foto 16) – e nem sempre um deles suporta o esforço da demanda. O resultado é que a do ar-condicionadopode falhar por desgaste das escovas internas. “Ainda assim eu prefiro esse sistema da Honda com dupla ventoinha. Afinal duas sempre vão funcionar melhor do que uma, mesmo que essa tenha duas velocidades”, compara Roberto Montibeller.

Foto16

O reparador da High Tech Servicetambém elogiou as velas e as bobinas (foto 17) de ignição instaladas em posição bem visível, assim como o fácil acesso à válvula termostática (foto 18). “Em certos carros o Foto 17reparador precisa desmontar metade do motor para chegar até ela. Aqui, não. As dimensões do cofre do CR-V, bem espaçoso, favorecem a visibilidade dos componentes e chegar àquelas partes do motor mais escondidas, como o corpo de borboleta. Basta deslocar a carcaça do filtro do ar para ter facilidade de movimentarFoto 18 o TBI”, explica. Essa disponibilidade é bastante útil na eventualidade de o motor via a apresentar alguma fuga de corrente e falha de ignição nas bobinas. Muitas vezes essa pode ser a causa provável quando o veículo apresentar um consumo mais elevado de combustível.

TRANSMISSÃO

A quarta geração do Honda CR-V conta com uma caixa de transmissão automática leve e compacta (foto19) de cinco velocidades com relações bem longas e tração integral, tipo 4WD – 4 wheel drive. Com essa transmissão, o motor 2.0 16V SOHC i-VTEC-FlexOne encontra um parceiro bem disposto para deslocar os 1.579 quilos do crossover. Obviamente que o seu desempenho não é nem poderia ser o mesmo de um sedan ou de um carro esportivo, mas a transmissão contribui muito para um consumo quase espartano. Com a função Econ ativada, o SUV da Honda pode fazer com gasolinauma média de11,5 km/l na estrada e 9,2 km/l na cidade. O rendimento, em parte, se deve ao seu câmbio (foto 20) contar com o sistemaGrade Logic Control que, devido a um controle de inclinação em estradas, evita mudanças cíclicas de marcha em subidas e automaticamente usa as marchas mais baixas em descidas.

Foto 19

Foto 20

“O desempenho da transmissão é bem discreto e com trocas de marchas quase imperceptíveis, o que faz muita gente confundi-lo com um câmbio CVT”, relaciona o reparador WesleiMarani, que aponta para uma caraterística do SUV quase em extinção entre os veículos dotados de transmissão automática: a varetinha de medição do óleo do câmbio (foto 21). “Os carros mais moderFoto 22nos abandonaram essa prática de medição do óleo, o que é uFoto 21ma pena. Ainda prefiro esse método. Com ele, se o carro começar a perder óleo ou ter algum vazamento no retentor você descobre logo. De outra forma é sempre difícil descobrir”, avalia. “Há vantagens e desvantagens. Com as caixas lacradas que vemos mais hoje você não tem ideia do nível do óleo, embora saiba que se não houver vazamento o óleo só pode estar lá dentro. Já com a varetinha você pode medi-la constantemente e ter noção da qualidade e da deterioração desse óleo. Em tese, nesse sistema, você vê o quanto de óleo há e, se precisar, pode até completar”, explica Valdir Lima.

O benefício maior da varetinha é, sem dúvida, poder tomar conhecimento da qualidade do óleo, pois a decomposição do fluido pode acarretar danos dispendiosos na transmissão automática. Os reparadores especializados recomendam especial atenção ao óleo da transmissão automática do Honda CR-V no caso de o veículo ser constantemente submetido ao uso severo em ciclo urbano. Com o anda e para dos horários de pico o fluido do câmbio, com o passar do tempo, superaquece,fica sujo e cheio de uma poeira que contamina os discos e começa a queimar, tornando-se mais abrasivo do que lubrificante. Nesse caso o limite de quilometragem para troca do óleo e seu filtro deve ser antecipado dos 80 mil para os 40 mil quilômetros, e o limite de tempo não deve ultrapassar os 18 meses – sempre o que vier antes.Foto 23

Na eventualidade de ser necessário remover a caixa de transmissão para algum reparo, Roberto Montibeller avisa que a operação exigirá um certo esforço. “Em função do bom espaço do cofre não é uma caixa muito difícil de ser deslocada. Será necessário, claro, colocar um suporte do motor em cima para segurá-lo, retirar o quadro da suspensão (foto 22), a bateria e a caixa de filtro de ar e soltar o semieixo. É mais fácil do que em modelos menores”, relativiza Roberto, que também viu um bom espaço para trabalhar no eixo cardan (foto 23) e no diferencial traseiro (foto 24) “compacto e bem dimensionado”.

Foto 24

FREIO, SUSPENSÃO E DIREÇÃO

Na dianteira, a suspensão do CR-V EXL 2.0 4x4 AT é independente do tipo Mc Pherson (foto 25), com molas helicoidais, e na traseira também é independente (foto 26) com multibraço. De acordo com algumas oficinas anteriormente ouvidas esse conjunto da suspensão pode, eventualmente,passar por manutenções mais frequentes, em especial para atroca das buchas das bandejas (foto 27). Mais em função da qualidade ruim do nosso piso do que por algum problema de engenharia ou de qualidade das peças. Relatos dão conta que podemtambém surgir rangidos na suspensão dianteira devido aos amortecedores que se desgastam ao enfrentar tantos buracos. O recomendável, segundo os reparadores, é uma revisão preventiva a cada 10 mil quilômetros para avaliar o estado das buchas. Na traseira, em compensação, o comportamento é melhor, com os braços sobrepostos (foto 28) e a suspensão independente que acentuam a estabilidade do veículo e a sua tração.  

Nos testes dinâmicos, essa suspensão do CR-V honrou a tradição herdada do Civic e apresentou um comportamento digno de um Honda. “Macia e silenciosa. Não dá a impressão que estamos em um SUV”, afirma Valdir Lima. “Absorve bem as irregularidades do piso e não transmite vibração. Essa quarta geração do CR-V saiu-se melhor do que a anterior”, coteja Roberto Montibeller. “São Caetano foge à regra de São Paulo e apresenta vias com asfalto sem buraco. Mas mesmo assim é possível detectar algum barulho em certos carros. Nesse aqui, entretanto, não há nada a reclamar”, reconhece Weslei Marani.

O CR-V traz freios com discos ventilados à frentee sólidos atrás. No sistema de frenagem o que desagradou um pouco o reparador Roberto Montibeller foi a localização escondida do servofreio, junto ao painel corta fogo. “Para chegar até ele é necessário tirar a bateria, a caixa de filtro de ar e deslocar o módulo da injeção”, explica. Já Weslei Marani destacou a mudança na mangueira do cilindro mestre, cujo reservatório de fluido (foto 29) não fica junto a ele. “Temos um prolongador para facilitar ao reparador a reposição do fluido de freio no reservatório”. Ele também elogiou a clareza da disposição do módulo do ABS (foto 30), com seus encanamentos livres, bem visíveis e desimpedidos. “Um exemplo de design a serviço da funcionalidade”, interpreta.

Entre os amortecedores, entretanto, essa funcionalidade parece ter sido ignorada. “A manutenção dos amortecedores traseiros é invasiva, feita por dentro do veículo, no porta-malas (foto 31)”, aponta Weslei Marani. “Sim, há necessidade de deslocar o banco traseiro e retirar as capas laterais para soltar as porcas. Inevitavelmente isso suja o interior do carro. Nos projetos mais modernos o acesso aos amortecedores traseiros se dá por baixo do carro. Tomara que a Honda reveja isso nas futuras gerações do CR-V”, espera Roberto Montibeller, que se lembrou de outro delicado do veículo. “Já peguei alguns com pane na caixa da direção. Não tanto por problema da peça, mas devido a nossas vias esburacadas”. Em tempo, o CR-V é dotado de direção com assistência elétrica.

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ELÉTRICA, ELETRÔNICA E CONECTIVIDADE

O pacote de serviços eletrônicos do Honda CR-V EXL 2.0 4x4 AT é extenso e inclui desde os indispensáveis controles de tração, estabilidade e de velocidade e assistente de partida em rampa até os faróis com sensores crepusculares, LEDs de condução diurna,chave presencial e conexão HDMIque possibilita a reprodução de áudio, vídeo e imagens em HD através de dispositivos como notebooks e câmeras digitais. O sistema dispõe ainda de duas entradas USB (foto 32) para MP3 player, pen drive e iPod/iPhone/iPad, além do CD player e da entrada auxiliar. A central multimídia com tela de sete polegadas (foto 33) sensível ao toque do CR-V inclui GPS integrado com as informações do trânsito por meio de radiofrequência sem necessidade de conexão 3G nas principais capitais do País – São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.

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Foto 33

O CR-V 2016 já dispõe do sistema de alternador (foto 34) com sistema inteligente,em que a peça é comandada por uma central eletrônica interligada a vários outros sistemas do carro para, assim, monitorar uma série de informações para decidir qual será a tensão de saída do alternador naquele determinado momento.Nageração anterior, o alternador vinha com um diodo retificador que necessitava carregar a amperagem para abastecer a demanda dos recursos eletrônicos do veículo. “Por se localizar na superior do motor, e não mais abaixo, como na maioria dos carros, ele pode ser removido facilmente”, justifica Weslei Marani.

Foto 34

Da mesma forma, a caixa de fusíveis (foto 35) com diagramado CR-V já não é equipada exclusivamente com relês, mas com minifusíveis. Ao seu lado, o reparador Weslei Marani achou uma boa ideia a montadora ter protegido o módulo da injeção eletrônica com uma capa de plástico (foto 36). “Por falta desse cuidado já vi acontecer alguns acidentes. Com a bateria (foto 37) próxima há sempre o risco de uma peça de metal tocar o seu polo positivo e, ao mesmo tempo, o módulo, e queimá-lo”, lembra o reparador, que viu facilidade em uma eventual troca de lâmpadas do farol. “Ele utiliza a lâmpada h11, mais moderna, por ter três travas de encaixe fica mais fácil de tirar e pôr no lugar. Para encaixar basta girar no sentido horário, e no sentido anti-horário para desencaixar”, orienta.

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Foto 37

INFORMAÇÕES TÉCNICAS

A satisfação dos reparadores independentes com a Honda concentra-se nos automóveis e não se estende aos serviços que essa montadora presta à categoria. Mesmo porque esses inexistemno que toca a informações técnicas, principalmente em comparação a concorrentes comoVW, Fiat e Ford que mantém canais de informações constantes com os reparadores. Roberto Montibeller não hesita em classificar a Honda e as demais montadoras asiáticas aqui instaladas como avessas ao fornecimento de informações técnicas. “Felizmente é raro ficarmos na dependência de informações dessa montadora, não me lembro delas terem sido necessárias alguma vez, pois seus veículos não costumam apresentar problemas de difícil solução. Mas se aparecer algo nesse sentido, ao menos por enquanto, não podemos esperar muito da Honda. O caminho é buscar informação em programas ou enciclopédias automotivas como a da Sinplo e Doutor IE. O network também é fundamental, pois as informações costumam circulam entre os colegas e nos fóruns da internet”, explica. Valdir Lima concorda e acrescenta. “É bom os programas das enciclopédias automotivas estarem atualizados”.

Já Weslei Marani, por estar em uma oficina autorizada da Rede Bosch Car Service, explica que depende menos de algum contato com as concessionárias Honda na eventual – e raríssima – situação de necessitar de alguma informação técnica. “Se eventualmente precisarmos de um esquema elétrico mais complexo ou uma informação técnica relativa a algum problema de injeção eletrônica temos acesso direto ao TecBosch, um serviço interno exclusivo para as oficinas da rede, e o mesmo acontece em relação à parte mecânica”, explica.

PEÇAS DE REPOSIÇÃO

Quando se trata de fazer consultas a respeito de peças de reposição da linha Honda é pouco provável que a pesquisa vá além das peças de alto giro ou daquelas que de praxe são substituídas nas revisões preventivas: filtros, velas, amortecedores, fluidos, pastilhas etc. Isto porque, segundo os reparadores, os veículos da Honda, em particular o CR-V que nas oficinas também é chamado de “tanque” devido a sua robustez, pouco necessitam além de peças básicas quando passam por uma revisão preventiva – no caso de uma intervenção reparativa, claro, a conversa é outra.

Apesar da baixa exigência de peças complexas, o mercado de reposição para veículos da Honda está um pouco difícil na opinião de Roberto Montibeller, principalmente para quem se preocupa com a qualidade. “Hoje o reparador sofre até para conseguir um simples jogo de pastilha que não dê problema. Você instala uma peça de boa marca, passa uns dias e o cliente volta para reclamar que a peça está chiando, fazendo barulho. O mesmo ocorre com bieletas. Isso não acontecia antes. Então, agora, estou dando preferência às peças originais, recorrendo menos a distribuidores independentes e mais às concessionárias. Ainda que o cliente venha a achar a diferença de preços um absurdo”, analisa. Esta postura faz a oficina de Roberto optar em 70% das vezes pelas peças originais.Proporção igual, e pelos mesmos motivos, seguida pela Oficina de Valdir Lima.

Outra preocupação que ultimamente angustia os reparadores, e que nem os veículos da Honda estão livres de provocar, é a espera no caso da peça não existir para pronta-entrega. Em um caso relatado há poucos meses aqui mesmo no jornal Oficina Brasil um sensor de nível para uma CR-V 2009demorou três semanas para chegar e hoje, ao que parece, não demoraria menos. Porque, segundo Weslei Marani, a situação não melhorou. “Para algumas peças como jogo de junta e que, obrigatoriamente, você precisa recorrer à concessionária o tempo de espera é de 30 dias porque será preciso recorrer à fábrica”, alerta. Não raramente essa demora pode fazer o reparador cair no erro de ir atrás de peças de qualidade duvidosa. “Mas é preciso ter cuidado com as peças piratas e saber escolher. Ainda há peças confiáveis entre os distribuidores independentes desde que o reparador seja cuidadoso na escolha”, afirma.

RECOMENDAÇÃO

Pouca frequente nas oficinas, fácil reparabilidade, mecânica robusta, confortável, transmissão confiável, suspensão acertada, farta eletrônica embarcada, dirigibilidade intuitiva, seguro e confiável. Em função dessas qualidades é dispensável manter qualquer suspense para informar se os reparadores independentes recomendam ou não o CR-V EXL 2.0 4x4 AT: a resposta é sim, claro. Roberto Montibeller, Valdir Lima e Weslei Marani consideram o crossoveruma ótima compra, melhor até do que o Civic, pela robustez que envolve o “tanque” da Honda que, como se não bastasse ter tantos predicados, foi considerado o veículo que menos desvalorizou (-9,55%) após um ano de uso, segundo a Tabela Fipe – a pesquisa foi feita pelo Jornal do Carro.

No entanto é certo que a atual geração do crossover experimentará uma depreciação com o próximo desembarque no Brasil na quinta geração, pois qualquer comparação lhe será desfavorável. Mas se pensarmos que, pela Tabela Fipe,um CR-V LX 2.0 com câmbio automático e ano 2010 – portando, da terceira geração –, sai por cerca de R$ 44 mil e outro do mesmo modelo, mas já da quarta geração, ano 2011, sai por R$ 46,3 mil pode-se constatar que nem sempre uma mudança de geração tem grande pesona depreciação de um veículo. Talvez porque um carro bom será, afinal, sempre um carro bom.

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