Oficina Brasil


Cartões (crédito e débito) e suas taxas

"Como gestores das nossas oficinas precisamos pensar muito sobre as vantagens e desvantagens de trabalharmos com cartões em nossas empresas"

Por Fábio Moraes

Sabemos que atualmente é o meio mais seguro de recebermos pelos serviços executados na oficina, porém o que muitos proprietários não fazem é calcular quanto as taxas das operadoras de cartões estão cobrando e o quanto isso representa em nosso faturamento.

A intenção deste tema de hoje é despertar em cada proprietário o interesse de estudar mais este assunto e entender o que acontece com a oficina cada vez que ela recebe no cartão de crédito ou de débito.

Fique atento!

A receita federal está cercando, de todas as formas, as movimentações de entrada e saída das grandes, médias e pequenas empresas, por isso 100% (isso mesmo 100%) do que sua oficina receber na movimentação de cartões (isso vale também para boleto bancário), obrigatoriamente a NFe tem que ser emitida.

A receita federal não perdoa e se chegar até sua empresa serão fiscalizados e calculados os últimos 5 anos de movimentação, ou seja, uma multa que muitas vezes inviabiliza a continuidade do negócio. Portanto muita atenção daqui para frente, principalmente para entender melhor este assunto e o que devemos fazer para incluir as taxas dos cartões em nossa mão de obra ou peça.

Entendendo como funciona

Apenas para facilitar nosso acompanhamento, imagine que existam duas máquinas de cartões em sua oficina e 100% das vendas (peças e serviços) sejam recebidas através dos cartões de débito e de crédito. O peso das taxas cobradas por transações nas máquinas de cartões pode reduzir em até 24% o lucro de sua oficina caso 70% do seu faturamento seja através dos cartões de crédito e 30% através do cartão de débito a uma taxa de desconto de 5% (crédito) e 2% (débito) para cada venda.

Agora imagine que sua oficina fature R$ 100 mil por mês (lembre-se que faturamento é tudo o que sua oficina vende em um período ou mês, não importando como vai receber) e que você trabalhe com uma margem de 20% de lucro. Dentro desta linha de raciocínio que estamos seguindo, agora imagine que em decorrência das dificuldades do dia a dia sua oficina precise antecipar 100% dos recebíveis a uma taxa de 3,1% (foi a média do ano passado segundo o Banco do Brasil, principalmente para empresas de pequeno porte que não possuem uma movimentação muito alta). Quanto que isto não representaria no resultado de sua oficina?

Neste mesmo exemplo, da oficina que fatura R$ 100 mil por mês e que aluga máquinas do tipo TEF, cuja tecnologia permite aceitar todas as bandeiras de cartões, com margem de lucro de R$ 20 mil vai arcar com taxas por transação que oscilam de 3,5% a 4%. Eventualmente, numa boa negociação a oficina vai pagar taxa de 3% e terá gasto R$ 3 mil, o que pode representar 15% da margem de lucro. Exatamente por isso recomendamos sempre prestar muita atenção nas duas taxas (crédito e débito) na hora de negociar com a operadora.

O que podemos fazer?

No nosso negócio não temos outra opção a não ser aceitar os cartões, porém é fundamental que façamos as escolhas certas e principalmente que façamos contas. Pode ser que você consiga taxas melhores do que as colocadas no exemplo acima, mas nosso objetivo é possibilitar um melhor entendimento e fazer todos pensarem sobre este assunto. Os números exemplificados são apenas para facilitar a linha de cálculo que cada oficina deve seguir porque nem sempre estas taxas são acompanhadas mensalmente pela oficina e existem situações onde elas sofrem alterações sem a prévia comunicação da operadora de cartão com a oficina.

A boa gestão pede que o proprietário da oficina acompanhe estes números (taxas cobradas por antecipação de recebíveis, taxas da anuidade, valores, etc), através dos relatórios gerados pelo sistema de gestão da oficina diariamente, já que estamos mostrando que as taxas podem consumir entre 15% e 24% do lucro da oficina. Por isso, ajuste com os responsáveis de alimentar o sistema e solicite que sejam lançadas todas as taxas todos os dias para que você acompanhe através dos relatórios gerenciais. Só assim você conseguirá negociar melhor com as operadoras de cartões e incluir nos seus custos todas estas taxas para que elas não consumam o lucro da sua oficina.

Estude mais sobre as taxas de cartões.

Inove na sua gestão acompanhando de perto o que acontece com o dinheiro que sua oficina recebe pelos cartões. Pratique gestão!

 

Fábio Moraes

CEO da empresa Ultracar, com 25 anos de experiência em gestão e administração de oficinas. Matemático, Analista de sistema e Administrador de empresas. Auditor do IQA, (Instituto de Qualidade Automotiva), consultor do IAA e consultor de várias oficinas do Brasil. Está viajando o Brasil inteiro neste ano de 2017 ministrando palestra com o tema “Oficina de sucesso é oficina rentável: transformando reparadores em empresários”

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