Oficina Brasil

Publicidade

Fri10312014

Última atualização07:30:14 PM GMT

Parte 1 – Aprenda a desmontar e testar o motor de partida

Avaliação do Usuário: / 77
PiorMelhor 

A partir desta edição, apresento uma série de dicas e passo a passo sobre os diversos componentes elétricos dos veículos, seguido de orientação quanto ao correto diagnóstico e testes, que as literaturas deixam a desejar.

Inicialmente apresento a desmontagem, diagnóstico e montagem (divididos em duas edições) do motor de partida de um Volkswagen Fusca. E você deve ter pensado: Fusca? Isso mesmo, o do Fusca, pois para efeito didático este componente serve perfeitamente. Se comparado aos motores de partida de modelos atuais e até “tops” de linha como Audi, BMW, Mercedes, Honda, entre outros, o princípio de funcionamento é exatamente o mesmo, sendo diferente apenas nas dimensões e design dos componentes.

Antes de começar a desmontagem, um alerta: os motores de partida utilizados na linha Volkswagen não possuem “focinho”, ou seja, uma das extremidades do induzido ficará inserido (dentro) de uma bucha de bronze, que por sua vez estará presa a caixa seca do câmbio. Nenhum reparador substitui esta bucha, que se desgasta e permite o induzido trabalhar torto, a gerar alta resistência ao giro, ocasionando o sintoma de motor pesado ao dar a partida.

Esta bucha é comercializada em diversas medidas (como as bronzinas de um virabrequim, por exemplo). Portanto o reparador deverá levar consigo o induzido para trazer a bucha com o diâmetro mais adequado. Para saber é muito simples: Basta introduzir o induzido na bucha e sentir a interferência, que deverá ser mediana, sem muita folga, porém de maneira que permita o livre giro da peça.

Desmontagem

1º – Remover a trava limitadora do Bendix

Fixe o motor de partida em uma morsa pela carcaça externa de maneira suave, sem exercer força excessiva para evitar empenamentos;
Com o auxílio de um cano com diâmetro interno um pouco maior que o induzido, alinhe-o com o mesmo e bata com um martelo;
Após remover o acabamento metálico da trava (com formato semelhante a um retentor), será possível visualizá-la. Com o auxílio de uma chave de fenda remova a trava.

Obs: Cuidado para não entortá-la excessivamente, o que ocasionaria dificuldade no momento da montagem!

2º - Afrouxar os parafusos do automático
A utilização da chave de impacto ou punção poderá ser necessária, devido ao elevado aperto dos parafusos. Obs: Apenas afrouxe!

3º - Remover a porca que fixa o “rabicho” da bobina de campo Ela está presa também ao automático de partida

4º - Remover o automático
Agora sim, remova os parafusos por completo (os quais já estavam afrouxados conforme item 2). Remova também o pistão interno do automático

5º - Remover as duas porcas do copinho e as duas porcas da tampa

6º - Com as mãos, levante a ponta do induzido a fim de remover as travas que estavam “escondidas” dentro do copinho

7º - Remover a tampa
Caso ela esteja grudada, com o auxílio de um martelo de ponta plástica, aplique leves golpes ao seu redor. Obs: O rabicho do automático possui uma borracha na base, a qual apresenta deterioração com o passar dos anos e chega a ficar semelhante a um plástico. Um lubrificante em spray é bem vindo no intuito de desgrudá-la!
Lembre-se de segurar a bobina de campo e remover somente a tampa.

8º - Puxar a carcaça externa junto com a bobina de campo e o porta escovas
Caso o conjunto esteja grudado, com o auxílio do martelo de ponta plástica aplique leves golpes na lateral da bobina de campo. Obs: O induzido poderá vir junto.

9º - Com o auxílio de um arame rígido entortado, remova as escovas positivas da bobina de campo, localizadas no porta escovas

10º - Remover o Bendix do garfo e em seguida remover o garfo
Caso o Bendix não saia, solte o garfo e remova tudo junto

Testes e diagnóstico

1 - Teste de curto circuito no cabo massa:
- Faça a ligação em série com o soquete. Com o induzido na bancada, encoste uma das pontas do eixo e a outra ponta na carcaça metálica. Neste caso a lâmpada deverá acender!
- Depois encoste uma das pontas do fio no coletor (parte marrom metálica, aonde as escovas encostam) e a outra novamente na carcaça metálica (do induzido). Neste caso a lâmpada não poderá acender!
Obs: Caso a lâmpada acenda, o induzido estará em curto circuito! A troca será necessária!

2 - Teste de quebra de solda
Com o auxílio de uma chave de fenda, levante os fios de alimentação entre o coletor e o induzido. Caso ele se mova/levante com certa facilidade, o induzido deverá ser trocado!

Obs: O esforço da ponta da chave de fenda deverá ser concentrado o mais próximo possível do coletor.
Caso a solda fique esbranquiçada após o esforço, ele estará em princípio de curto (na linguagem popular “desoldado”). A conseqüência será a partida pesada e o consumo de bateria mesmo com o veículo desligado também poderá ocorrer!

Ex: Assim como citado no início da matéria, este exemplo serve para todos os motores de partida atuais. Imagine a seguinte situação: Um veículo com o motor de partida nestas condições (solda do coletor quebrada), ao dar a partida pela manhã. Além da possibilidade de ter havido consumo de bateria a noite toda, a potência de giro do induzido será reduzida, resultando em demora na partida do veículo.

3 - Teste da bobina de campo

Ela possui duas escovas positivas e uma saída (popularmente conhecida como rabicho).
Teste do curto de massa (curto circuito na carcaça): Encoste uma das pontas dos fios na escova (uma por vez) e a outra ponta na carcaça metálica externa da bobina de campo. Neste caso a lâmpada não poderá acender e tampouco “faiscar” ou ameaçar acender a lâmpada!
Caso ela acenda, significa que está ocorrendo passagem de energia elétrica entre ambos, o que significa curto circuito!
Uma das possíveis causas da origem desta avaria é quando o comutador da chave de ignição (do painel) está em curto, permitindo que mesmo após o motor entrar em funcionamento, o automático mantenha-se energizado e engrenado. A queima do induzido também poderá ocorrer!
Obs: Este teste também poderá ser realizado entre o rabicho e a própria carcaça da bobina de campo.

4 - Teste de continuidade da bobina de campo

Coloque uma das pontas do fio (ligado em série com a lâmpada de teste) no rabicho e a outra ponta do fio nas escovas (uma por vez). Neste caso a lâmpada deverá acender!
Caso a lâmpada não acenda, haverá problemas internos na bobina de campo e ela deverá ser reparada ou trocada.

5 - Teste do porta escovas

Ele abriga duas escovas negativas fixos a sua própria carcaça através de uma malha e também as duas escovas positivas acopladas a bobina de campo. Abaixo das escovas positivas existe um teflon isolante.
Com o auxílio do Tester, coloque uma das pontas do fio na carcaça do porta escovas e a outra ponta na escova negativa. Neste caso a lâmpada deverá acender! Este é o teste de continuidade.
Já no isolante (teflon de cor escura), a lâmpada não poderá acender. Basta encostar uma das pontas do fio no alojamento metálico que abriga a escova positiva e a outra ponta no alojamento metálico que abriga a escova negativa. Neste caso a lâmpada não poderá acender!
Caso haja continuidade (pode ser até mesmo uma simples ameaça em piscar a lâmpada), o porta escovas deverá ser substituído.

6- Teste do automático de partida

Com o auxílio de um cordão de luz e uma bateria, efetuaremos o teste do automático.
Obs: O pistão deverá ser colocado dentro do automático!
O fio negativo vindo da bateria deverá ser enrolado no mesmo local aonde o rabicho da bobina de campo é preso (rosca inferior).
Em seguida, segure o automático com as mãos (com o pistão e a mola dentro também) e encoste o fio positivo vindo da bateria no borne 50 do automático. O pistão deverá ficar retraído o tempo ou quantas vezes o fio positivo for encostado, mesmo que seja de maneira intermitente!
Obs: Para saber se o automático vai dar a partida no veículo: Ligue um dos fios do cordão de luz no borne de cima (linha 30 do automático) e o outro no pólo positivo da bateria. Já o fio vindo do negativo da bateria vai aonde o rabicho da bobina de campo é preso. Puxe outro fio do pólo positivo da bateria e deixe-o pronto para encostar no borne 50 do automático (localizado a esquerda do painel de bornes do automático). Assim que encostado, a lâmpada do cordão de luz deverá acender!

7 - Teste do Bendix
O teste do Bendix pode ser feito primeiramente através do ruído característico (quando avariado). Se ao dar a partida for ouvido um “zuuuuum” durante o tempo em que a chave for segurada, é sinal que há patinação nos roletes internos. Neste caso o Bendix deverá ser substituído!
O segundo teste é o da bucha interna. O reparador deverá encaixá-lo no eixo do induzido e prestar atenção na folga apresentada. Ambos deverão estar “justinhos”, com interferência que permita o livre giro da peça. Caso haja folgas excessivas, um ruído metálico surgirá ao dar a partida no veículo.

Confira também a matéria no OB Digital!

Você precisa ser registrado para comentar - Login