Oficina Brasil

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Sat08232014

Última atualização12:20:12 AM GMT

Renault Kangoo é resistente, mas requer atenção especial

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O modelo necessitou de reparos corretivos leves e foi elogiado pelo conselho no quesito projeto, diferente da opinião quanto à disponibilidade das peças de reposição

 


Renault Kangoo avaliada apresentava diversos vazamentos de óleo

 

 A montadora francesa comercializa no Brasil o modelo Kangoo, produzido na Argentina, desde o ano 2000, idem ao ano do modelo avaliado. Havia inicialmente duas opções de motorizações, a 1.0 (D7D) e 1.6 (K7M), ambas a gasolina e 8 válvulas. Posteriormente houve a introdução do motor 1.0 16 válvulas (D4D) e 1.6 16 válvulas (K4M) também a gasolina. Desde 2007 o modelo é disponibilizado somente com a motorização 1.6 16 válvulas Hi-Flex, apto a rodar com gasolina, álcool ou a mistura dos dois.
O público alvo deste segmento é a família, frotistas (que utilizam a versão de carga denominada Express), e pessoas que necessitam de amplo espaço para carregar objetos diversos.
O modelo possui também uma boa quantidade de peças plásticas, que podem ser recicladas no futuro e contribuir com o meio ambiente.

 


O reparador deve manter a haste de apoio entre a bandeja e a lataria, caso contrário o veículo apresentará ruídos ao passar por irregularidades


Check List
Ao aplicá-lo reparamos que os itens mais comuns de apresentar desgaste foram condenados, provando a eficiência da sequência proposta pelo documento. O item que mais chamou a atenção foi o estado geral dos pneus – os quatro estavam com profundidade dos sulcos inferior a 1,6mm (mínimo exigido pelo código de trânsito brasileiro). O pior estava por vir, pois o estepe havia sido “riscado”. Infelizmente esta ainda é uma prática utilizada por alguns estabelecimentos no país. A ação de riscar um pneu pode parecer vantajosa a princípio, porém todos estarão à mercê da sorte, pois a ferramenta que o faz atinge uma área que possui função vital na estrutura. Além de comprometê-la, a borracha que passará a entrar em contato com o solo será a de base, com propriedades e propósitos diferentes da borracha da banda de rodagem. A aderência é drasticamente reduzida nestas condições. Vale lembrar que o veículo estava passivo de multas visto o estepe também ser considerado um pneumático apto a rodar a qualquer momento.  

O Check List está disponível gratuitamente para download em nosso site. Basta acessar o endereço www.agendadocarro.com.br.

 

 


Filtro de ar completamente obstruído


Habitáculo do filtro de ar apresentou alta concentração de óleo de motor
 

Motor apresentou vazamento de óleo
 

Vazamento de óleo da caixa de marchas através do retentor inferior do trambulador
 

Vazamento de óleo da caixa de marchas através do retentor lateral (tulipa)




Motor
Devido ao torque de 8,5 kgfm da versão 1.0 aparecer somente aos 4.250 rpm’s, o desempenho é deficitário segundo os proprietários, principalmente em subidas com alto grau de inclinação. O contrário ocorre na versão 1.6, idem à avaliada, onde a apenas 2.500 rpm’s os 13,6 kgfm aparecem, o que favorece a condução, principalmente em cidades e com o veículo carregado.

Havia um considerável vazamento de óleo externo, proveniente do retentor da árvore de manivelas (lado da polia), da união do cárter (produzido em alumínio) com o bloco do motor e pelo anel de vedação do bujão de dreno (devido à re-utilização).

Através do CDI (Centro de Documentação e Informação) do Sindirepa São Paulo, conseguimos a tabela de torques do motor e principais agregados. Confira no quadro da página 76 e guarde esta informação nos arquivos técnicos de sua oficina.  

O motor 1.6 8 válvulas necessita de 3,3 litros de óleo lubrificante incluindo o filtro. A recomendação da Renault fica apenas no quesito viscosidade (20W50) e classificação (API SH ou SJ), visto o manual de manutenção não especificar a necessidade por base sintética, semi-sintética ou mineral. Não haverá problemas em aplicar um lubrificante de categoria superior a API SJ (API SL ou SM), desde que o antigo seja totalmente esgotado e o filtro trocado.

Não foi detectado nenhum ruído no funcionamento (motor rajando ou batendo). Apenas ao sair em 1ª marcha e marcha-a-ré, era identificado um deslocamento anormal do motor, fato reclamado pelo proprietário. Ao efetuarmos a verificação, foi constatado que o coxim superior estava quase totalmente rompido.



O filtro de ar estava obstruído com impurezas resultantes do uso contínuo. Além da obstrução no papel, a base estava impregnada com óleo de motor, proveniente do blow-by  ligado à carcaça plástica de alojamento. O filtro sujo ocasiona diversos malefícios ao veículo, como por exemplo, o alto consumo de combustível, perda de performance, aumento no CO (monóxido de carbono) etc.

As velas estavam no final da vida útil e apresentavam aparência de queima ineficiente (combustível em excesso). O mercado de reposição disponibiliza as opções BOSCH código         F 000 KE0 P25 e NGK BKR5EKC ou BKR5E (modelo Green, com eletrodo central em “v”).

Os cabos de vela eram originais e foram trocados preventivamente devido aos nove anos de uso e quilometragem percorrida.

A correia poli-v estava no final da vida útil (aparecendo a malha branca interna) e foi substituída. A dentada também foi trocada preventivamente, assim como os tensores.

O sensor de rotação apresentou tempo elevado para identificar o sinal do volante do motor quando acionada a partida, fato este que contribuiu para a diminuição da vida útil da bateria (o motor girava mais de três segundos para entrar em funcionamento). A bateria utilizada deve possuir uma capacidade mínima de 50 A/h.

As unidades injetoras foram limpas preventivamente, a fim de melhorar o leque de injeção e colaborar com o novo jogo de velas e filtro de ar, favorecendo a diminuição do consumo de combustível, nível de emissões de poluentes e desempenho. O reparo também foi trocado (minifiltros e anéis o’ring).


O disco de freio dianteiro apresentou medida (17,30mm) abaixo do mínimo (17,70mm) e precisou ser trocado
 

Cilindro de roda traseiro esquerdo apresentou início de vazamento
 

Tubulação do sistema de arrefecimento desprovido do pino de sangria
 

Tampa do reservatório de expansão quebrada...
 
 
... casca e válvula de base separados


Vazamento do líquido de arrefecimento entre a carcaça de alojamento da válvula termostática



 
Vídeo-endoscopia
Com o auxílio da vídeo-endoscopia foi descoberto vazamento interno de óleo através do retentor da guia de válvulas no 2º cilindro. A ferramenta proporcionou um enorme ganho de tempo e assertividade no diagnóstico.  A cabeça dos pistões, câmara de combustão e brunimento dos cilindros mostraram-se em bom estado.


Com o equipamento de video-endoscopia, foi possível encontrar um vaazamento interno de óleo, através do retentor da guia de válvulas


Arrefecimento
O reservatório de expansão apresentou marcas externas de “escorrido” na região da tampa. Ao removê-la houve a quebra, partindo-se em duas. O nível do líquido de arrefecimento estava baixo, aliás, não havia mais presença de aditivo, prova de que a adição com água de torneira era frequente.
O alojamento da válvula termostática (união entre a carcaça plástica e o bloco do motor) apresentava vazamento também. A remoção, limpeza e posterior colagem foram necessárias.

A tubulação superior estava desprovida do pino de sangria (quebrado). Ela foi substituída pela original.
No total o sistema de arrefecimento comporta 5,7 litros, sendo 60% de água desmineralizada para 40% de aditivo. Como o manual de manutenção não informa a especificação, o conselho recomenda a utilização do aditivo utilizado pela Renault.
Os eletroventiladores estavam funcionando normalmente.


Vista inferior dianteira





Velas gastas e cabos de ignição ressecados necessitaram ser trocados





Na suspensão, a  parte estrutural estava intacta;  buchas de bandejas não apresentaram problemas, porém o pivô tinha folga excessiva.  O coxim inferior do câmbio estava rompido...




... diferentemente dos coxins laterais do motor, que  estavam em bom estado


Válvula reguladora do freio traseiro




Transmissão
A caixa de marchas apresentou vazamento de óleo em dois locais: no retentor inferior do trambulador e no retentor lateral (tulipa).

A Kangoo utiliza o sistema de varão para a troca das marchas. Segundo o conselho editorial, esta é uma solução antiga, que possui como característica a falta de precisão ao trocar de marcha, com acúmulo de folgas e deslocamento da alavanca seletora durante a utilização do veículo. Outro problema é quanto à disponibilidade da peça na rede autorizada. O consultor Paulo Aguiar, da Engin Engenharia Automotiva, afirma que certa vez precisou adquirir o varão e nenhuma concessionária possuía a peça para pronta entrega.

As homocinéticas estavam com funcionamento livres de estalos e folgas, onde não havia nenhuma coifa rasgada. O coxim central estava rompido.
A embreagem estava em boas condições de uso. A original é da marca Valeo e possui o disco com 215mm de diâmetro externo, 26 estrias e pré-amortecimento. Existe também a opção pela aquisição do platô, disco e rolamento através da fabricante Luk, com o código 620 2236 00 ou 620 3038 00 (para volante do motor plano) e Sachs 6588 ou 6589.

O sistema de acionamento é a cabo, com garfo de embreagem. Aliás, o conjunto é “pesado” de acionar, algo característico do modelo segundo o consultor Danilo Tinelli, da Auto Mecânica Danilo. De acordo com o consultor Cláudio Cobeio, da Cobeio Car, existem algumas  Kangoos em que a alavanca fixadora do cabo, localizada na caixa seca, possui um comprimento menor, algo em torno de 50 mm em comparação ao encontrado no modelo avaliado. Quanto maior a alavanca, menor será o esforço de acionamento.

Dica: Ao remover a caixa de marchas para efetuar algum reparo ou substituição da embreagem, o reparador deverá ficar atento e remover os dois semi-eixos por completo. Caso não seja removido, ou seja, for apenas afastado, haverá uma grande possibilidade dos roletes da capa (castanha ou trizeta) cairem dentro da caixa, algo que poderá ocasionar travamento e quebra das engrenagens ao montar e andar com o veículo. Se ocorrer, o óleo deverá ser esgotado e a caixa aberta. Para a montagem, o lubrificante novo deverá ter viscosidade 80W.



Suspensão
O veículo estava equipado com os quatro amortecedores originais de fábrica. Eles apresentaram vazamento e foram substituídos. Os batentes em PU da haste não existiam, pois quebraram e foram perdidos durante o uso. Os batentes superiores e os rolamentos foram trocados preventivamente, assim como as buchas centrais da barra estabilizadora, que apresentaram folga excessiva.

Dica: Ao substituir o pivô inferior, o reparador deverá constatar se o pino possui 16mm ou 18mm. Existem os dois tipos em circulação. O conselho afirma que a suspensão é o ponto fraco do modelo, principalmente em se tratando dos pivôs.
Os rolamentos internos do eixo traseiro demonstraram funcionamento satisfatório, livre de rangidos e folgas.






Sistema de escapamento
O conjunto estava em perfeitas condições, mas o silencioso final não era mais o original.

Freios
A espessura dos discos era de 17,30mm, abaixo do mínimo especificado (17,70mm). As pastilhas estavam abaixo de meia vida e ambos foram substituídos. O fluído de freio aplicado foi o DOT 4. Os flexíveis estavam em bom estado, não apresentando dilatação.

Um dos cilindros de roda traseiros apresentou início de vazamento na região do êmbolo. Os dois lados foram trocados. Como o vazamento estava no início, as lonas não foram contaminadas, eliminando a necessidade de troca.
O modelo avaliado não possuía ABS, porém o conjunto apresentou eficiência.

Habitáculo
O interior estava em perfeitas condições, assim como o funcionamento dos botões, vidros elétricos, ar-condicionado, ar quente, painel, ajuste dos bancos etc.

Dica: Para evitar a deformação do bocal do tanque e consequente dificuldade de recolocação da tampa plástica, ao ter que remover a bomba de combustível, a bóia ou o anel de vedação, dê preferência em executar o serviço com o nível de combustível baixo. Caso haja necessidade em deixar o conjunto da bomba fora do tanque por um período longo, o conselho editorial recomenda que a tampa seja rosqueada.


Índice de Durabilidade e Recomendação

O Renault Kangoo foi avaliado pelo conselho editorial do jornal Oficina Brasil como um veículo de manutenção fácil, porém frágil em alguns aspectos, tais como suspensão, coxins e vedações, tendo recebido nota média 7,2 em escala de zero a 10. Na avaliação, são observados os seguintes itens:

1) Tempo de serviço – facilidade de acesso aos principais sistemas (motor e câmbio, suspensão, direção, freios e parte elétrica)
2) Disponibilidade de peças no mercado de reposição (concessionárias e lojas de autopeças)
3) Custo de peças (concessionárias e lojas de autopeças)
4) Durabilidade dos componentes
5) Nível de tecnologia

Confira as notas abaixo.

 

Nota: 7
Danilo Tinelli

O veículo Kangoo por ter poucas unidades aqui no Brasil é um veículo que não apresenta muito problema na área de reparação a não ser a questão de peças porque as montadoras francesas deixam a desejar, por poder utilizar apenas peças originais. É um veículo prático, não tem uma manutenção difícil. Qualquer reparador pode fazer a manutenção sem nenhum problema, porque o veículo é muito bom para trabalhar.

Nota: 7
Amauri

O Kangoo, na minha opinião, é um carro robusto e de fácil manutenção. O mecânico precisa ter cuidado com a parte de ignição com o desgaste das velas. As velas com aberturas maiores do que o normal ocasionam uma partida ruim. De resto a manutenção é bem prática.

Nota: 8
Cláudio Cobeio

O kangoo, tanto de passeio quanto de transporte de carga, é um bom carro até porque não é um veículo que aparece muito na oficina. Com o modelo utilizado na avaliação notamos que é um carro realmente robusto. Nunca tivemos problemas com peças, existe bastante no mercado, tanto para motor, suspensão, quanto componentes elétricos. Não recomendo o uso de GNV nestes modelos, desde que seja o de 5ª geração, devido ao back fire quando equipado com kits convencionais, mesmo com o sistema de ignição perfeito.

Nota: 7
Julio Cesar

Os meus clientes que possuem esse carro gostam do modelo, por ser um carro espaçoso e caber bastante coisa. Mecanicamente é um carro fácil para manutenção. Com relação às peças quando você não encontra em uma concessionária, você faz o pedido e em 24 horas está com a peça na mão. É um carro que eu recomendo.

Nota: 7
Paulo Aguiar

É um carro prático para quem trabalha com transporte. É um modelo que apresenta muitos problemas de suspensão e coxim. O inconveniente é o valor peças na concessionária que tem valor muito alto. Existem algumas peças de marcas alternativas, mas nem sempre confiáveis.

 

Direto do Paredão, a opinião de outros reparadores

Tenho hoje poucos clientes com este carro, todos que compraram zero km ou usado se arrependeram. Mesmo dando manutenção preventiva em dia não é um carro viável. Informação técnica é dificultada pela Renault, porém encontra-se bons manuais independentes no mercado. Manutenção muito mais trabalhosa que sua concorrente. Reposição de peças deficiente com qualidade de peças questionável. Suspensão e embreagem pouco duráveis, coxins do motor e câmbio frágeis. Peças são monopolizadas, o que dificulta bastante. Hoje não recomendo este carro, dou nota 5,5, mas espero que a Renault melhore a qualidade de seus produtos e os deixe tão bons como é o seu marketing.

Dermeval Junqueira
Reparacar Ltda
Congonhas -MG

Avaliação do Mercado

O Renault Kangoo 1.6L 8v RN ano 2000 é um carro que tem prazo de revenda, em média, de 12 dias. A oferta e procura são bem restritas e específicas para o modelo. Em março sofreu uma desvalorização media de 2,83%, em relação a fevereiro. Em relação a março de 2008, apresentou desvalorização de cerca de 6,94%.
Sindiauto/Assovesp

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