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Oficina de moto: o prazer com a profissão que vira um bom negócio

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Fiz essa matéria para o Jornal Oficina Brasil em 2007, mas diante de muitas dúvidas e solicitações que recebi ao longo do tempo resolvi dar uma repaginada  no texto para atender os leitores. A pergunta mais frequente é: Oficina de moto é um bom negócio?

Para montar uma oficina não basta ter dinheiro e vontade, é necessário que o investidor goste de colocar a mão na graxa e faça um plano de negócio, ou seja, um estudo detalhado sobre: como, quando, onde e quanto vai custar o que  se pretende montar. Pelo ponto de vista empreendedor a oficina de moto pode ser vista como  um bom negócio, porém há requisitos essenciais para que a empresa vá de vento em popa e resista aos primeiros anos de funcionamento que, de acordo com os especialistas, são cruciais para a sua sobrevivência, é o melhor caminho para a  recuperação  do capital investido o mais rápido possível e em breve comece a lucrar. 

Há reparadores que sonham com o próprio negócio, porém cometem o equívoco de direcionar seus investimentos e esforços apenas ao conhecimento técnico em motocicletas, esquecendo que não é só isso que irá garantir o seu sucesso. É bom lembrar que a boa gestão é feita também de outros conhecimentos, como: administração, marketing e pós-venda.

Alguns aspectos que não podem ser desconsiderados, são eles: tributos, indicadores financeiros, constituição de firma, estimativa de receita, fluxo de caixa e etc.. um dos colaboradores ou sócio deverá assumir a árdua tarefa, mesmo que pareça um bicho de sete cabeças. Não podemos esquecer a legislação ambiental. Pode ser que alguém  discorde, mas administrar é muito mais complexo do que consertar motos.

Não é nosso objetivo  citar os custos de investimento dessas oficinas, mas é importante informar que o acesso aos orçamentos via internet são simples, são inúmeros os fabricantes e distribuidores de ferramentas convencionais e especiais para motocicletas que exibem em seu sites todas as ferramentas necessárias, mas cuidado: alguns vendedores podem oferecer ferramentas inúteis  para o dia a dia. A melhor opção é a orientação recebida nos cursos relacionados, assim o investimento será um pouco mais racional.

Começando

Para adquirir um pouco de experiência, já que conseguir um estágio é um pouco mais difícil, um bom começo é trabalhar na garagem de casa aos finais de semana mexendo na moto de um amigo.

Primeiramente é necessário avaliar qual o nível de conhecimento adquirido, quais as motos que serão reparadas e que tipo de serviço será executado, pois a variedade de modelos e a complexidade do trabalho irá determinar os tipos de ferramentas especiais e a literatura (manuais) a adquirir para a realização do trabalho.

Se o objetivo for efetuar pequenos reparos, sem grandes pretensões, a montagem dessa oficina é mais simples e barata. Basta reservar um espaço com uma área aproximada de 15m² bem iluminada e ventilada, livre do pó e com paredes pintadas com tinta lavável em cores claras, onde crianças e animais domésticos não tenham acesso.

Pensando em tudo isso, devemos deixar o local agradável, pois será neste local que os fanáticos por moto passarão boa parte do tempo fazendo reparos preventivos, trocando experiências e até economizando alguns reais, visto que a manutenção preventiva proporciona maior vida útil aos componentes da motocicleta.

Respeito à comunidade e ao meio ambiente - Normalmente, guardamos peças que já excederam seu limite de uso na esperança que um dia iremos reaproveitá-la, mas isso não é correto. O acúmulo de sucata deixa o ambiente com aspecto desagradável e propício à criação de insetos, roedores etc.

É importante ter a consciência de que, quando a peça da motocicleta chegou ao final de sua vida útil, ela deve ser descartada e não presenteada a um amigo que está sem dinheiro para a manutenção de sua motocicleta. Há um risco iminente de um acidente, colocando em perigo a vida do condutor, e danos materiais a moto.

Então, o que fazer para o descarte de alguns produtos químicos e sucatas?

Todos os produtos deverão ser recolhidos por órgão autorizados  (veja regras da prefeitura local), onde são encaminhados para a reciclagem e certamente não irão causar poluição.

São eles: lubrificante usado, combustível velho ou outro produto químico qualquer - nunca devem ser descartados na rede de esgotos nem no solo, procure juntar em um vasilhame e armazená-los longe do alcance das crianças, animais e do fogo.

Baterias - são poluentes e possuem chumbo, plástico e ácido sulfúrico, pneus – Juntam água e colaboram com a proliferação do mosquito da dengue, peças metálicas e plásticas  também devem ser recolhidas

Serviços que podem ser feitos na oficina de fim de semana - Falando em oficina de reparos amadores, podemos sugerir alguns pequenos serviços como:

Parte elétrica: carga de bateria, revisão de sistema elétrico e substituição de lâmpadas e acessórios.

Parte mecânica: limpeza de carburador, desmontagem dos pneus com câmara, troca de guidão, troca de alavancas, troca da transmissão secundária, substituição das pastilhas e lonas dos freios e aperto geral dos parafusos.

Serviços terceirizados

Assim como em uma concessionária, uma oficina particular necessita de serviços de terceiros, sendo que nem sempre compensa executar alguns trabalhos como pintura, retífica, alinhamento de chassi, alinhamento de rodas, serviços de borracharia e fazer estofamentos de bancos na própria oficina.

Esses serviços envolvem equipamentos de alto custo, profissionais gabaritados e nem sempre há demanda para isso, o orçamento geralmente é alto e a melhor saída é encontrar uma empresa que preste esse serviço com qualidade e rapidez.

Como organizar os equipamentos - Diferente do reparador automotivo, o reparador de motocicleta geralmente executa serviços em várias áreas da manutenção como eletricidade, suspensão, injeção eletrônica, freio, motor, câmbio, embreagem, alinhamentos, carburador, pneu, rodas etc. Por isso, a gama de ferramentas é muito variada, não é prático guardar as ferramentas em uma caixa ou em um pequeno armário. Recomendamos um painel fixado na parede, que pode ser confeccionado de madeira ou em chapa metálica, com o objetivo de pendurar as ferramentas e tornar prático seu manuseio, dando um aspecto de organização e facilitando o controle.

A oficina deve possuir uma bancada para cada reparador, assim como o painel de ferramentas e o elevador de motos, um suporte é suficiente para acomodar morsa e esmeril, o lava-peças que, geralmente, utiliza querosene deve ficar em local de fácil acesso, porém, longe das faíscas do esmeril e também do carregador de baterias, evitando riscos de incêndios e explosões.

Um armário de aço pode ser utilizado para acomodar peças, literatura, ferramentas grandes e ferramentas como instrumentos de medição.

Pontos importantes

Independente do tamanho da oficina, os pontos abaixo devem ser observados e praticados cautelosamente:

• Organização;

• Limpeza;

• Segurança.

É indispensável o uso de equipamento apropriado, a ferramenta correta reflete o conhecimento teórico e colabora com o marketing de serviços e o trabalho é elaborado com excelência, por isso para se tornar um bom reparador é necessário conhecer os diferentes tipos de ferramentas com suas devidas aplicações. Outro ponto importante é a  boa identificação visual que ajuda o cliente a valorizar os profissionais.

A postura da empresa e do reparador são importantes, pois normalmente a motocicleta é sempre o centro das atenções, podendo  muitas vezes ser mal vista, além de manter boa reputação com a vizinhança, assegura uma ótima clientela.

Utilização de computadores na oficina - Em função do porte da oficina, é necessário no mínimo um computador equipado com um software capaz de efetuar orçamentos, cadastros, abertura de ordem de serviços, apontamentos de serviços, leitura de manuais de serviços e peças.

Lista de ferramentas convencionais - Anexamos uma tabela com a listagem mínima necessária das ferramentas comuns mais utilizadas para três tipos de oficinas mecânicas.

Não vamos relacionar as ferramentas específicas para cada motocicleta ex.: sacadores, fixadores etc, visto que cada modelo de moto requer um jogo especial e a variedade é muito grande; normalmente essas ferramentas são citadas com seus devidos códigos e aplicações no manual de serviços.

Dicas importantes

Todo reparador  deve, no mínimo, desejar fazer um serviço bem feito, mesmo que possua pouca habilidade, ter em mente que a qualidade das ferramentas empregadas no trabalho influencia no resultado final.

Também não é aconselhável utilizar a moto de um amigo ou cliente como cobaia para aprender algum serviço, um reparo mal-feito compromete a segurança do usuário e também desvaloriza a motocicleta, somente inicie qualquer serviço se possuir as ferramentas necessárias e o domínio técnico sobre o assunto. Recomendamos que realize cursos de capacitação e leia as matérias publicadas no caderno duas rodas do Jornal Oficina Brasil.

Diferenças entre uma oficina de pequeno e grande porte

Na maior parte dos casos o que difere uma oficina média de uma oficina de grande  porte é o capital investido que normalmente determina o seu porte e os tipos de serviços prestados.

Para fazer concorrência às concessionárias é necessário possuir uma variedade  grande de equipamentos, profissionais treinados e um serviço diferenciado.

Normalmente, o cliente que optou pelos serviços de uma oficina multimarcas procura preço e qualidade e principalmente a confiança na equipe. Então, o segredo do sucesso é oferecer os mesmos serviços que a concessionária, porém a um preço mais atraente e se possível com uma qualidade superior.

Atualmente existem grandes oficinas onde os mecânicos são considerados doutores em motocicletas, esse status foi alcançado após a dedicação de muitos anos desempenhando um trabalho de alto nível.

As motos clássicas, esportivas e raras são confiadas a esses profissionais que transformam o serviço em obra de arte.

A aparência é um ponto positivo, mas a área da assistência técnica, tamanho efetivo da oficina, também interfere na quantidade de serviços produzidos. O espaço ideal para comportar três mecânicos em seus respectivos box de trabalho, estacionar motos em serviço e um local para lavagem de motos é no mínimo de  200m², não esquecendo da sala de motores e escritório: o layout  bem definido agiliza a produção.

Para as oficinas de médio porte, que não fazem concorrência direta com as concessionárias há uma série de limitações relacionadas aos serviços, que são definidas pelo  investimento em equipamentos e instalações.

Essas oficinas, normalmente, absorvem as motocicletas mais velhas e também populares. 

Independente do porte da assistência técnica, um dos objetivos principais é tornar o trabalho mais rápido, visto que muitos profissionais, que trabalham como moto-frete e moto-taxi, não podem parar a moto por muito tempo.

Então, ganha quem atende mais rápido sem abrir mão da qualidade.

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