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Wed10012014

Última atualização04:32:58 PM GMT

C3 divide opiniões dos reparadores, pontos positivos e negativos se equiparam

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“Na motorização 1.4, ocorre frequentemente problemas no corpo de borboleta motorizado (foto 1). Quando ele corta a aceleração, a solução pode ser a realização de diagnóstico (através de scanner) do corpo de borboleta” complementa Flavio. Outro problema recorrente encontrado pelo técnico Flavio é na sonda lambda, que costuma falhar, sendo necessária sua substituição (foto 2).

O especialista em Citroën Ricardo Rossetto, da RR Motors, localizada em Santo André (SP), acha que o C3 tem um motor de fácil reparação. “Já presenciei casos de motores batendo devido à troca incorreta do refil do filtro de óleo e anel de vedação. Problema sério de consumo de combustível nos modelos flex, chegando a 5 km/l, um gasto considerável para um motor 1.4”, opinou Ricardo.

Já o engenheiro Paulo Pedro Aguiar Jr., da oficina Engin Engenharia Automotiva, localizada na zona sul de São Paulo (SP), fez comentários sobre uma falha em que se deparou na injeção eletrônica do C3. “Tivemos muito casos de problemas com corpo de aceleração eletrônica. Na maioria das vezes a luz de injeção acende e o acelerador perde referência. Antes de substituir o corpo, verifique o aterramento”, explica. Paulo diz ainda que outro problema comum é a quebra do coxim superior do motor (hidráulico) (foto 3).

Com a colaboração através do Fórum no site do Jornal Oficina Brasil, o reparador Emerson dos Reis (conhecido como Dr. Platinado no Fórum), do Centro de Diagnóstico Flex Fuel, em São Paulo (SP), enviou sua opinião sobre este modelo francês. “Como reparador tenho certo fascínio pelos veículos franceses, principalmente pela arquitetura elétrica. São veículos produzidos para pessoas que gostam de tecnologia e tem bom gosto. O C3 1.4 flex, motor TU3JP, é sem dúvida um excelente veículo, com uma mecânica bem adaptada às condições brasileiras e é equipado, com um propulsor bem conhecido dos reparadores, de certa forma, até de fácil manutenção”, alegra-se. “Equipado com sistema eletrônico de injeção flex fuel fabricado pela Bosch, é bem funcional com scanner dotado do software específico da marca, é tranquilo o diagnóstico, e bem simples a manutenção preventiva. Deve-se dar uma atenção especial, justamente para que os proprietários de C3 não tenham sustos futuros. Um dos pontos negativos deste modelo são as peças de reposição, que ainda hoje tem preços superiores se comparados com veículos Peugeot”, lamenta Emerson.

BOBINA
Flavio Flafersa comentou ainda que a bobina do motor 1.6 16V costuma queimar com frequência (foto 4), assim como também relatou o reparador Gustavo Henrique de Souza, da Nogueira Serviços e Peças Automotivas, localizada em João Pinheiro (MG): “Vejo com frequência ocorrerem problemas de “flash over” no sistema de ignição, onde a alta tensão se dissipa na parte externa da vela. Esse problema é facilmente resolvido substituindo os terminais das bobinas de ignição. A NGK fornece os terminais separados, o que dispensa a troca da bobina completa como já tive de fazer diversas vezes”, comenta Gustavo.

CÂMBIO
Apesar de ter uma transmissão mecânica precisa e macia, é necessário alertar ao proprietário para que ele se atente a qualquer sinal de anomalia ou falha, pois quanto antes os problemas forem detectados, mais simples e barata será sua manutenção. (foto 5)

No modelo com a versão automática, trata-se do quatro marchas Auto-active AL4, no qual o Jornal Oficina Brasil publicou as características e a manutenção a serem realizadas, na edição de Junho/12.
Através do Fórum do Jornal Oficina Brasil, o reparador Gustavo Henrique de Souza, da Nogueira Serviços e Peças Automotivas, localizada em João Pinheiro (MG), comentou uma situação por ele solucionada no câmbio: “Um dos problemas crônicos que vejo no C3 está relacionado ao rompimento dos cabos de seleção e engate das marchas. Estes cabos podem ser facilmente encontrados nas concessionárias da marca e com um custo inferior até mesmo ao mesmo componente de um veículo popular”, ensina Gustavo.

BOMBA D’ÁGUA
O reparador Willian Nascimento, também da oficina especializada Flafersa, deu dicas durante um procedimento de troca da bomba d’água. Após remover a correia para substituição, tirando o esticador e polia do virabrequim e etc., a bomba d’água fica livre. Em seguida, solte os parafusos de fixação da bomba aos poucos tomando cuidado com o líquido de arrefecimento que vai vazar, porque os componentes químicos envolvidos, dependendo da temperatura, podem causar queimaduras ou irritação na pele (fotos 6 e 6A). Retire a peça e verifique as condições do anel de vedação deste. Se estiver perfeito pode reaproveitá-lo, mas se estiver esbranquiçado, amassado, com algum corte ou dano do tipo, é necessário comprar um novo (vendido à parte pela concessionaria). Na montagem, depois de colocar o anel na bomba d’água nova, fixe-a no local apertando os parafusos aos poucos e, a cada aperto, gire-a para certificar-se que nenhuma de suas pás está pegando no interior do bloco (foto 6B). Caso esteja, a peça possui defeito de fabricação e deverá ser trocada. Isso é muito comum de acontecer.

SUSPENSÃO
Flavio Flaversa admite que a suspensão do C3 é muito frágil: “Os primeiros modelos que chegaram ao Brasil tiveram um problema sério no coxim superior da bucha da barra e nos pinos da pinça dianteira. Bandeja, bieletas, buchas da barra ainda são problemas característicos da marca”, explica (fotos 7, 7A e 7B).

O reparador Paulo Pedro Aguiar Jr. tem a mesma opinião que Flavio sobre o C3 e comentou: “O reparador deve ficar atento com o conjunto da suspensão sempre que fizer uma revisão. As bandejas têm suas buchas rasgadas, bieletas com folga, batente superior e amortecedor tem uma durabilidade reduzida”, explica Paulo.

Para Ricardo Rossetto, da RR Motors, a Citroën melhorou muito a suspensão do C3, sendo uma das melhores entre a marca, que por sinal sofre muito com barulhos em outros modelos. “Pecaram somente na barra estabilizadora dianteira, que apresenta folga nas buchas de fixação, fazendo-a correr, causando barulho ao esterçar o veículo ou até mesmo em linha reta dependendo do caso”, afirma Ricardo.

DIREÇÃO
Paulo Pedro Aguiar Jr, da Engin, deparou-se com um problema na caixa de direção elétrica, onde o volante ficou duro para esterçar. “Muitos C3 tem problemas com a parte mecânica e também com a parte elétrica da caixa de direção”, comentou.

Segundo Ricardo Rossetto, da RR Motors, a suspensão apresenta barulhos em alguns casos, sendo necessária a troca da caixa de direção. Em alguns casos, apenas realizando reparo no conector do chicote da caixa resolve o problema.

Já o especialista em reparação de direções hidráulicas Dillen Yukio, da HandorTec, localizada na zona leste de São Paulo (SP), teceu alguns comentários sobre este sistema eletromecânico:

“Nos dois primeiros anos do C3, o problema mais comum era a folga na bucha da caixa de direção, que também chegava a estourar. Eu fazia manutenção em muitas caixas deste modelo por mês”, recorda-se Dillen.

“Depois, parece que modificaram este componente, desde então, recebo em torno de duas por mês. Em relação à parte eletrônica, a placa do circuito gravado (localizada no cabeçote da direção hidráulica) pode sofrer oxidação ou mau contato causado por umidade (principalmente em épocas de chuva), entrando em curto circuito e queimando a placa, deixando a direção dura. Mas este problema é de fácil solução com a troca da desta placa. Mas, como eu disse, ultimamente não tenho recebido muitas caixas da direção para manutenção”, comenta Dillen.

“Outro problema elétrico que pode causar o endurecimento da direção é a queima do fusível da caixa, bastando substituí-lo. Em outra situação, por ser um veículo equipado com sistema multiplexado, eu já presenciei um problema no ABS que afetou o perfeito funcionamento da caixa de direção, mas foi possível identificá-lo através de diagnóstico com um scanner”, finaliza Dillen.

LUBRIFICAÇÃO
O alerta sobre as viscosidades do óleo lubrificante parte do engenheiro da Engin, Paulo Pedro Aguiar, que recomendada: 15W40, 10W40, 5W40. Capacidade de 3 litros de óleo, com a troca do filtro (foto 8). “Em caso de condições severas de uso do veículo (trânsito intenso das cidades já entra neste parâmetro), recomende ao seu cliente a realizar a troca do lubrificante na metade do tempo em que recomenda o manual do proprietário.

Geralmente os manuais indicam quando deve ser feita a troca em “condições severas de uso” do automóvel”, comenta Paulo. Ele explica ainda sobre óleo acumulado no coletor: “Aconselho o reparador a retirar o coletor de admissão e limpá-lo por dentro. Um acúmulo de óleo e carbonização se instala em seu interior, gerando altas emissões (CO e HC), impedindo o veículo passar na CONTROLAR”.

Enquanto isso, o reparador Naldo Lima, da oficina mecânica Natcho, localizada na zona Sul de São Paulo (SP), explica que devido à carbonização e/ou borra de óleo, muitos motores do C3 apresentam o travamento (colamento) dos anéis do pistão, chegando muitas vezes ao ponto dos anéis quebrarem. Ele ainda explica outra falha que encontrou em um C3 de um cliente: “Ao ligar o veículo ou em movimento, soa um alarme sonoro, e em seguida para. Ao passar o scanner, acusou erro de pressão de óleo. Este interruptor de pressão de óleo acaba estragando, por que está localizado na saída do coletor, próximo ao catalisador, gerando uma grande quantidade de calor sobre o sensor, danificando-o”, justifica Naldo.

FREIOS
O especialista Ricardo Rossetto, da RR Motors, comenta que o sistema de freios do C3 é muito bom e de fácil manutenção (foto 9), mas é preciso muito cuidado com a troca das pastilhas de freio dianteiras, que tem posição correta na hora da instalação.

ELETRÔNICA
Ricardo também comentou sobre este assunto: “Há um problema constante que vejo na concessionária em relação ao alarme “original”, que não dispara quando quebra o vidro vigia da porta ou estoura o miolo da fechadura. Existe também um problema que em minha opinião é grave, a queima das lâmpadas dos faróis H7, que na autorizada não são baratas, por sinal”, alerta Rossetto.

DISPONIBILIDADE DE PEÇAS
Ricardo Rossetto comenta sobre a falta de peças no mercado de reposição e os preços: “Este é um dos pontos críticos da Citroën, na verdade é um descaso total com o consumidor que compra qualquer modelo de veículo da marca comercializado hoje pela Citroën no Brasil. Em uma troca de pastilha de freio (item de segurança), por exemplo, eu não consigo a peça e demora até três dias pra chegar. Vi casos de C4 Picasso que ficaram aguardando 30 dias para chegar pastilhas e discos de freio, além de ser caríssimo”, ressalta Ricardo.

INFORMAÇÕES TÉCNICAS
O reparador Emerson dos Reis (chamado de Dr. Platinado, no Fórum), do Centro de Diagnóstico Flex Fuel, de São Paulo (SP), reclama da falta de conteúdo técnico disponibilizado pelo fabricante: “Eu como reparador gostaria muito que a Citroën do Brasil abrisse um canal de relacionamento com os reparadores independentes. Com isso, melhoraria significativamente a qualidade dos serviços que nós independentes prestamos ao dono do carro, que optam por este canal de manutenção para seu veículo”, sugere Emerson.

AR CONDICIONADO
O C3 tem um sistema de ar condicionado muito eficiente, similar ao do Peugeot 206, que partilham uma caixa evaporadora similar.
Em relação à manutenção, um dos maiores problemas são os vazamentos nas tubulações, mas outros componentes com o uso também podem apresentar problemas:

A mangueira de baixa e a tubulação de alta ficam muito próximas da polia do compressor, do chassi e do suporte do protetor do cárter, causando eventuais vazamentos. Talvez este seja o maior motivo de visitas às oficinas de ar condicionado (foto 1).

A tubulação de alta sendo cortada pelo chassi e a mangueira de baixa sendo cortada pelo suporte do protetor de cárter (foto 2).

O filtro antipólen fica localizado na parte externa e é o mesmo do Peugeot 307. Dependendo do uso, recomenda-se trocar este filtro de 1 a 2 vezes por ano (foto 3).

O radiador de ar quente tem seu acesso ao lado do pedal do acelerador, sempre recebe água quente do sistema de arrefecimento. Algumas pessoas reclamam da sensação de calor junto ao pé direito (acelerador). Em caso de vazamento, não é necessário retirar o painel para trocá-lo (foto 4).

O acesso à conexão de serviço de alta pressão é prejudicado pelo reservatório de gasolina. O sistema trabalha com cerca de 480 gramas de fluido refrigerante R134a (foto 5).

O filtro secador fica dentro do condensador, ou seja, se for necessário trocar o filtro secador ou fazer flushing na tubulação, o condensador deve ser substituído (foto 6).

O compressor é de cilindrada variável, com 120 cc, com sistema de embreagem eletromagnética, SANDEN modelo: SD 6V 12. Utiliza cerca de 150 ml de óleo PAG 46. O compressor é bastante durável e eventualmente pode apresentar vazamento na vedação do virabrequim ou problemas na válvula compensadora de fluxo interna (torre) (foto 7).

O monitoramento da pressão do fluido refrigerante é feito na linha de alta, por um transdutor de pressão, que informa ao módulo de injeção (foto 8).

O comando do ar condicionado digital não costuma apresentar problemas. Já as versões mais simples, com comando do ar condicionado manual, podem apresentar problemas no resistor da ventilação interna, com o derretimento do terminal do resistor e consequente parada da ventilação forçada (fotos 9 e 10).

O eletroventilador utiliza um módulo eletrônico de controle  e variação de rotação, este componente eventualmente pode apresentar problemas e deve-se considerar a sua substituição por uma peça nova (foto 11).

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